sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Encontro de Escolas em Luta


Deixem-nos ser professores...


Se para o pensamento hegeliano a verdade nunca reside apenas num único ponto de vista, essa não é a lógica que define o comportamento da Ministra da Educação que (afastada do bulício da malta...) durante dois longos anos elaborou aquele que viria a ser o mais contestado modelo de avaliação dos professores.

“Há trinta anos que os professores não são avaliados”, afirmação do primeiro ministro que não corresponde à verdade. Todos gostamos de ser avaliados, de ver reconhecido o nosso trabalho, o nosso mérito, e, apesar de toda uma campanha para nos desacreditar junto da opinião pública (ainda se lembram dessa célebre frase : “perdi os professores mas ganhei os pais”), os alunos, na sua grande maioria, ainda reconhecem o nosso trabalho, dedicação e empenho. Não conheço o sistema pelo qual são avaliados os médicos, os engenheiros, os advogados e outros quadros superiores do Estado, mas conhecendo a triste realidade que se vive actualmente nas escolas, onde este modelo de avaliação gerou um clima de confusão, incertezas e até de conflitualidade entre os pares (titulares, avaliadores e avaliados), chegámos à conclusão de que esta não será a única, nem a melhor forma de, harmoniosamente, concretizar esse objectivo.

A escola não pode ser equiparada a uma qualquer repartição pública onde os funcionários se movem por entre papéis e computadores – a escola também não representa apenas o local de trabalho onde o professor´dentro do tempo limitado de um horário vai transmitindo aos alunos, os conteúdos programáticos da sua área disciplinar.

Segundo Bernard Show, dramaturgo inglês, “A escola é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele.”, por isso, os professores são uma peça fundamental na caminhada para um futuro melhor das crianças e adolescentes, oriundos de famílias, culturas e países diferentes, alguns deles bastante problemáticos, vítimas de uma sociedade que, muitas vezes, não se compadece com os mais desprotegidos. É neste contexto da tal escola inclusa que o professor não é apenas o transmissor de saberes mas também o pedagogo, o amigo, aquele que os escuta e aponta caminhos – é este o trabalho que ultrapassa o espaço limitado da Escola e escapa, muitas vezes, ao reconhecimento público e é, na realidade, a face invisível da profissão de um professor que desempenha, na totalidade, a sua missão de educar!

Luísa Penisga González
Professora de História, Cidadania e Mundo Actual

Observação: artigo publicado no Barlavento de 4 de Dezembro de 2008

Ora que bem dito!


QUAL É AFINAL O “FANTÁSTICO” MODELO DE AVALIAÇÃO DE PROFESSORES DO P.S., DE SÓCRATES E DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO ?

- O MODELO ANTERIOR À MANIFESTAÇÃO DOS 100.000?

- O MODELO POSTERIOR À MANIFESTAÇÃO DOS 100.000?

- O MODELO POSTERIOR À MANIFESTAÇÃO DOS 120.000?

OU

- O MODELO POSTERIOR Á GREVE HISTÓRICA DOS PROFESSORES?!

ERA TÃO BOM, NÃO ERA!...

IDALINO MOURA

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Escapar sobre brasas


No debate parlamentar de hoje, a Ministra da Educação admitiu substituir o seu modelo de avaliação por outro, mas apenas no próximo ano lectivo, ou seja, depois de aplicar o que resta do seu este ano. Porque será?

Ora, a Ministra já tinha admitido que o seu modelo continha erros e simplicou alguns aspectos. Com remendos atrás de remendos, quis manter vivas duas coisas:

- uma ideia para a sociedade de que os professores estão a ser avaliados pela primeira vez com rigor, quando curiosamente, para salvar o seu modelo, foi obrigada a tornar voluntária a avaliação cientifico-pedagógica que é a mais importante para corrigir as más práticas docentes (que também as há)

- manter o sistema de quotas e a divisão artificial da carreira, tornando esta profissão mais barata para o Estado e rigorosamente estratificada como numa empresa.

Está claro! A Ministra, e também Sócrates, querem chegar às eleições podendo dizer que avaliaram os professores, mesmo que o modelo com que eles foram avaliados seja uma verdadeira farsa, um fanico de fanicos. Depois das eleições...levem lá a bicicleta! Se calhar, nem Maria de Lurdes Rodrigues será ministra. Mas não nos enganemos....

Esta é a altura em que o governo está mais fraco e isolado. Por isso é o momento ideal para derrubar o actual Estatuto da Carreira Docente que está na origem deste modelo de avaliação. Os protestos devem continuar até a Ministra proferir as palavras mágicas: SUSPENSÃO DESTE MODELO DE AVALIAÇÃO, iniciando-se a discussão de outro modelo, sem divisão artificial da carreira.

Daí que é com alguma apreensão que vejo os sindicatos aplaudirem o facto de a ministra ter admitido substituir o seu modelo no próximo ano lectivo, considerando que esse anúncio só foi possível devido à histórica greve dos professores.(Agência Lusa de hoje)

Não se pode aplaudir a tacanhez. A Ministra já não acredita no seu modelo mas quer manter a face e é teimosa. É preciso dizer: se está disposta a substitui-lo para o ano que vem, tem que estar disposta a suspendê-lo já e iniciar negociações imediatas para um modelo alternativo.

O argumento de que só se muda depois de experimentar está fora de prazo. Já não há mais nada a testar. Sobram umas fichas do conselho executivo para ver se são bem preenchidas este ano....É isso que a Ministra quer testar? Ou quererá testar se os professores sabem fazer contas com as quotas? A bem dizer, o modelo de avaliação antigo, como solução para este ano, é bem mais sério do que a trapalhada que a Ministra quer manter, avaliando quase todos os professores com base na assiduidade e nas visitas de estudo.


Miguel Reis

Fotos da vigília







Fotos de Francisco Santos, no blogue (Re)Flexões

Polícia visitou escolas de Ovar no dia da greve


Várias escolas do concelho de Ovar foram hoje surpreendidas pela visita das forças policiais para avaliar a adesão à greve dos professores.

A informação, avançada ao jornal Expresso por alguns professores, foi, entretanto, confirmada pelo Sindicato dos Professores do Norte (SPN).

Os estabelecimentos de ensino de Esmoriz, Maceda, Macedo Fragateiro e Dias Simões são algumas das escolas onde os presidentes dos conselhos executivos foram surpreendidos pela visita dos agentes policiais com questões sobre a adesão à greve, indicou o SPN.

Na maioria destas escolas, a adesão à greve dos professores foi superior a 90% e, em algumas, os conselhos executivos decidiram mesmo fechar o estabelecimento de ensino.

De acordo com o Sindicato dos Professores do Norte, da FENPROF, a adesão à greve na região Norte rondou os 94%, o que significa que terão feito greve mais de 48.700 dos 52 mil professores do ensino público a trabalhar nos concelhos abrangidos.

De acordo com o último balanço do sindicato, Vila Real é um dos distritos com maior adesão, com a percentagem de professores em greve a atingir os 97%.
Neste balanço, o SPN não contabiliza as escolas encerradas, onde não conseguiu obter números rigorosos de adesão à greve.

PSP desmente
O comandante da PSP de Aveiro, intendente Manuel Gomes do Vale, desmentiu categoricamente ao Expresso, cerca das 21 horas, que tenha havido qualquer contacto de efectivos da PSP com elementos dos conselhos executivos. "A PSP esteve junto das escolas, como está sempre com o programa 'Escola Segura', hoje o objectivo era garantir a segurança dos alunos caso os estabelecimentos de ensino fechassem devido à greve. Os efectivos da PSP estiveram sempre na rua e nunca houve qualquer contacto com nenhum elemento de conselhos executivos."

(notícia expresso online)

A matemática do governo

Por Antero Valério

A Greve em Portimão



Caros colegas e amigos,
Os professores de Portimão, tal como os profs. de todo o país, demonstraram que estão unidos e determinados a enfrentar a prepotência e arrogância deste governo. Em muitas escolas do concelho fizeram greve a 100% e noutras muito próximo disso. De forma espontânea concentraram-se algumas centenas frente à Câmara e foram recebidos pela Vereação onde explicaram as razões da nossa luta.

Foi uma bela lição que os docentes deste país deram a um Ministério e a um governo autistas. Sabe-se de fonte segura que a ordem do governo para os Conselhos Executivos era para manterem as escolas abertas, mesmo sem os professores e apenas com os funcionários e alguns alunos – por isso não admira os números avançados pela Tutela sobre as escolas encerradas. Tudo vale para este Ministério e encontram-se completamente fora da realidade do país. Mas factos são factos, o resto é só conversa fiada.
Todos em unidade – Sindicatos e Movimentos – vamos continuar a luta colegas. Vale a pena lutar, os resultados virão depois. E a razão da nossa luta acabará por triunfar – assim queiram os Professores. Bem hajam!
Abraço.
João Vasconcelos

“No dia da greve, cerca de duas centenas e meia de professores, convocados de forma espontânea através de SMS e mails, concentraram-se em frente à Câmara Municipal de Portimão, onde foi lido um documento, aprovado por unanimidade e aclamação, para entregar ao Presidente da Câmara e a toda a Vereação, explicando as razões da sua luta. No local foi constituída uma Comissão dos Docentes em Luta, formada por 8 professores, representantes dos Agrupamentos de Escolas e Escolas Secundárias do Concelho de Portimão, tendo assinado o respectivo documento. Seguidamente, esta Comissão foi recebida pelo Vice-Presidente (o Presidente encontrava-se ausente) e por toda a Vereação que se encontravam reunidos em sessão de Câmara. O porta-voz da Comissão, João Vasconcelos, fez uma síntese do documento apresentado, tendo o Vice-Presidente, Dr. Luis Carito, mostrado compreensão pela luta dos professores e prometendo entregar o documento ao Presidente da Câmara, a toda a Vereação e Assembleia Municipal e interceder junto do governo sobre a luta dos professores.”

Vê a moção no lbogue "Fénix Vermelha"

A maior greve de sempre

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Nota Ridícula!


ÀS VEZES BASTARIA ALGUMA HUMILDADE POLÍTICA...

Numa nota enviada às escolas às 11H55 de hoje, a Directora Regional de Educação afirma que os dados veiculados pela Plataforma Sindical, e recolhidos junto das escolas, relativos ao encerramento de escolas na região centro, são falsos.

Mas, espantoso (!?), não o refere porque os alunos tenham passado a ter aulas onde elas não existiam; não desmente a enorme adesão dos docentes, única e histórica, na memória dos portugueses; não apresenta outros resultados que não sejam os que a Plataforma Sindical divulgou; não contraria o reconhecimento pelo próprio ME da extraordinária adesão verificada.

Engrácia Castro, directora regional de educação, tenta esconder o evidente dizendo que as escolas estão abertas, com o pessoal auxiliar, é certo, mas sem alunos e sem professores.

Nós reafirmamos que para haver uma escola, onde se ensine e se aprenda, é preciso haver professores e alunos. Que esta não é, contudo, a ideia que este Ministério e esta Directora Regional tem de uma escola, já tínhamos suspeitado!•

Insistem em querer impor um modelo de avaliação que paralisa o funcionamento dos estabelecimentos de educação e de ensino;

Insistem em violar até a própria legislação sobre horários de trabalho que, já por si, é insuficiente e desajustada pedagógica e cientificamente;

Teimam em avançar com alterações ao regime de concursos e colocações que visam maior instabilidade profissional e subverter a graduação profissional, pondo os docentes ao sabor da arbitrariedade resultante de um modelo de avaliação injusto e errado;

Reincidem na teimosia ao julgar que dividindo os docentes em duas categorias artificiais, sujeitas ao sorteio da avaliação e a medidas concursais iníquas e agravadoras das injustiças entre docentes, é possível devolver a paz e a serenidade tão necessárias ao ensino e às aprendizagens.

Esta queda para a frente, protagonizada pela Directora Regional de Educação, esmurra-lhe a imagem. Sem professores e sem alunos não há aulas, sem aulas não há escola. ESCOLAS SEM AULAS/ESCOLAS ENCERRADAS – Uma e a mesma coisa!

Saibam o Ministério da Educação e o Governo ler o descontentamento e esta unidade dos Professores e Educadores.

Vigília em frente ao Ministério da Educação
Início às 10h do dia 4, até às 22h do dia 5.
Não deixem de marcar presença!


A adesão à greve foi grande. Provavelmente, ronda os 94%. 132 000 professores. Mais uma batalha ganha. Mas a guerra tem de continuar. Valter Lemos adiantou 61% de adesão. Será que ainda alguém acredita nele? Quem tem filhos a estudar, não, certamente.

Há que endurecer a luta.

Se puderes aparece!
No dia 4 (quinta-feira) a vigília arranca com os professores e educadores da área de Lisboa. O início desta vigília que se prolongará, ininterruptamente, até ao dia seguinte, está previsto para as 10 horas, com intervenções públicas dos dirigentes da Plataforma às 11h. À tarde são esperados os professores do Centro. Pelas 17 horas haverá mais intervenções e são esperadas (e benvindas) algumas personalidades. Durante a noite, que se espera quente, permanecerão dirigentes e activistas sindicais de todas as regiões do país, em vigília (para o efeito serão montadas duas tendas de dimensões consideráveis no local). No dia 5 (sexta-feira) os resistentes serão substituídos pelos professores e educadores do Sul (mais alguns, certamente, de Lisboa, que "jogam em casa"). À tarde cabe a vez aos professores do Norte. Pelas 17 horas estão previstas mais intervenções públicas com o anúncio das acções de luta que irão decorrer na próxima semana. Às 22h dar-se-á o encerramento que contará com a presença de todos os dirigentes da Plataforma

Amanhã há-de ser outro dia

E no Algarve...

Segundo apurou o barlavento.online, a adesão à greve de professores e educadores, no Algarve, atingiu valores muito próximos dos 100%, havendo mesmo muitas escolas completamente encerradas.
A escola que registou a taxa mais baixa de adesão, na ordem dos 72%, foi a Secundária Pinheiro e Rosa, de Faro, tendo sido mesmo, segundo o Sindicato dos Professores da Zona Sul, a única escola que funcionou minimamente em todo o Algarve.

No distrito de Viseu - "era mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um professor a trabalhar".

Trinta e nove das 45 escolas e agrupamentos do Distrito de Viseu estiveram encerrados durante o dia de hoje, devido à grande adesão à greve dos seus corpos docentes. Nas restantes, registou-se uma média de 91% de adesão.

Ver aqui quadro pormenorizado da situação das escolas e agrupamentos

Setúbal não fugiu à regra…

A adesão dos professores à greve realizada, hoje, dia 3 de Dezembro, foi de mais de 90% no país todo: As Escolas e Agrupamentos de Setúbal não fugiram à regra. Registando-se mesmo valores na ordem dos 100% em alguns estabelecimentos de ensino que tiveram de encerrar, por não se verificarem as condições mínimas de segurança.
Alguns professores de Setúbal e Palmela quiseram mesmo ir mais longe. Concentraram-se no largo da Misericórdia, por volta das 11 horas, já palco antigo nestas andanças. Representantes das várias escolas e agrupamento tiveram aí a oportunidade de expor a sua indignação e repúdio pela forma leviana e irresponsável com que o ensino público tem sido encarado por este Governo.

Unidos, venceremos…

Professores de Sintra em Greve exigem demissão da Ministra




Cerca de centena e meia de professores/as e educadores/as de escolas de Sintra juntaram-se esta manhã naquela vila, protestando contra a política de ataque à escola pública promovida pelo Governo. O encontro terminou com os/as docentes reafirmando a sua convicção na luta e exigindo a demissão da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

A concentração iniciou-se pelas 11:30h na AV. Heliodoro Salgado, via pedonal onde docentes de uma dezena de estabelecimentos do município se foram reunindo, aproveitando para trocar impressões sobre a adesão à greve nas diferentes escolas e a luta de que têm sido protagonistas.

Seguiu-se um desfile até à Câmara Municipal, num ‘percurso de 600 metros onde o cortejo recebido incentivos de alguns dos transeuntes.

Já nos Paços do Concelho, e após largos minutos de espera à chuva, a concentração transformou-se num mini plenário onde foram transmitidas as conclusões do encontro de um grupo de representantes com o presidente da Câmara, tendo este relembrado que a autarquia não tem responsabilidades na gestão e avaliação de pessoal docente.

As razões da luta – valorização da escola pública, um estatuto da carreira docente digno e um sistema de avaliação justo – forma depois reafirmadas, tendo a manifestação terminado com e a exigência da demissão da ministra.
Esta iniciativa foi promovida pelos professores do agrupamento de Escolas D. Carlos I, em Sintra. No final do encontro, houve uma reunião com um representante de cada escola, a fim de se constituir uma comissão representativa.

Texto e fotos de André Beja

99% de adesão à Greve em Vila Real


Correspondendo ao apelo do Movimento PROmova, os "chantagistas e agitadores" concentraram-se, a partir das 8:00 horas da manhã, à frente das suas escolas, apesar da forte chuva que se abateu sobre Vila Real.

O nível de adesão à greve era total em algumas escolas e registava-se que, nas duas maiores secundárias da cidade, apenas um professor por escola deu aulas (curiosamente, numa das secundárias, a um único aluno).

Desta greve, em Vila Real, ressaltam já duas leituras incontornáveis, a saber: os professores estão unidos e vão continuar a resistir no interior destas escolas até que este modelo de avaliação seja substituído e até que se inicie a revisão do ECD, conducente, entre outros aspectos, à revogação da divisão arbitrária e injusta da carreira; os pais e encarregados de educação optaram, na sua esmagadora maioria, por não levar os seus educandos às escolas, pois têm a percepção clara da dimensão e da justeza das reivindicações dos professores, pelo que eles próprios tinham a expectativa da grandiosidade desta greve, além de que já começaram a compreender as reais intenções desta equipa ministerial, mais interessada em estatísticas balofas do que nas aprendizagens cientificamente consistentes dos alunos.

A fibra dos professores de Vila Real não se verga a ameaças, nem se deixa ludibriar pelo marketing electrónico (que persiste em tratar-nos como "néscios"), e muito menos se deixa seduzir por um "simplex" com um prazo de validade de cariz, nitidamente, eleitoral. Mesmo compreendendo o espírito natalício, os professores de Vila Real também não se vendem a promessas pueris de prémios e eventuais recompensas monetárias.

Apesar das condições climatéricas agrestes, o dia de Greve vai culminar com uma concentração destes professores resistentes e moldados por uma vontade granítica (como diria Torga), em frente à Escola Secundária Camilo Castelo Branco, a partir das 16:00 horas.

UNIDOS, GANHAMOS TODOS; DIVIDIDOS, PERDEMOS TODOS!

PROmova
PROFESSORES – Movimento de Valorização

Sócrates quer esmagar-nos. Porquê?


Dizia José Gil, na VISÃO de 2 de Outubro, que o governo utiliza contra a nossa luta “ técnicas terríveis de domesticação, de castração e de esmagamento”. Escrito mais de um mês antes da manifestação de 8 de Novembro (que reabriu tudo!), o reputado filósofo referia-se ao contraste entre o grito que a marcha de 8 de Março representara e a estratégia governamental de “fazer por ignorar”. E notava: “Ausentando-se da contenda, tornando-se ausente, o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal”.

António Barreto, no PÚBLICO, embora recusando, naturalmente, classificar Sócrates como fascista, alerta para os perigos que o estilo e a estratégia autoritária deste governo representam para a democracia.

E é tempo de nos perguntarmos: porquê tanta violência, esta “guerra” que nos declararam, este atentado sem precedentes a uma classe profissional que, por via da fractura da carreira e desta avaliação, se propõe roubar quase metade do salário da grande maioria dos profissionais, quando o plano estivesse concretizado? Se atreve a perseguir os professores e professoras até correr com eles, tratando-os como “estagiários” e “à experiência” ,ameaçados de despedimento a cada dois anos, até aos 65 anos de idade e quarenta de trabalho?

O secretário Pedreira fez declarações de uma extrema gravidade ao EXPRESSO de sábado passado. Reconheceu que o famigerado modelo de avaliação se tinha inspirado no Chile, designadamente na “apresentação de portefólios, da análise pedagógica e da relação com a comunidade”. Mas o secretário Pedreira foi mais explícito. Ao elogiar o sistema de ensino que vigora no Chile, deixou cair a “máscara da Finlândia”, com que tentaram enganar a opinião pública. Por detrás da ofensiva contra os professores e professoras está afinal… o Chile! Depois de afiançar que o modelo de avaliação chileno, aprovado em 2003, não obteve grande resistência dos professores (?!), concluiu: “ O Chile tem feito grandes progressos a nível da educação e tem sido elogiado pela OCDE”.

Pergunta-se: e, de facto, não foi necessário “esmagar” o povo chileno, através da violenta ditadura militar de Pinochet, assessorada pelos militares e ideólogos neo-liberais dos Estados Unidos?

A privatização em grande escala das escolas do Chile, bem como dos hospitais e centros de saúde, iniciada por Pinochet, prolonga-se pelos dias de hoje, nesse país ainda refém da ditadura. Começou-se por “municipalizar” as escolas e hoje, quase metade, foram privatizadas. Só não mudam para as privadas os pobres que não conseguem!

O “laboratório” das políticas neoliberais de privatização do ensino, saúde e pensões de reforma, o Chile de Pinochet, é-nos trazido à memória pelo secretário de estado. O medo está a ser instigado agora nas escolas portuguesas por este governo e ministério da educação.

Mas para nos derrotar neste confronto, que abriria caminho à destruição da escola pública e ao violento sistema de privatização imposto no Chile, o governo teria , antes, que nos “esmagar”.

A colecção de máscaras que a ministra, secretários e primeiro-ministro usam, pretendem talvez e tão-só esconder algo de mais grave e profundo, que começa a revelar-se. No momento em que os dogmas neo-liberais e a estratégia neo-conservadora estão a colapsar, inclusive na capital do império, este núcleo neo-liberal que se empolgou com os métodos de “choque e pavor” que têm estado na moda, está encurralado nas suas contradições. Cumpre aos professores e professoras não os deixar de lá sair.

Jaime Pinho