segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Educação: Quem disse o quê em 2008?


Fevereiro

"Isto é antidemocrático."
José Sócrates, vaiado por professores à porta da sede do PS

Junho

"Concebo um sistema de ensino sem Ministério da Educação."
Daniel Sampaio, psiquiatra

Setembro

"Os alunos vão ter aulas ali? Pensava que fossem contentores para as obras."
José Sócrates, primeiro-ministro, numa visita à Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa

"São monoblocos para os alunos terem aulas, eles depois nem querem sair daqui."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, justificando que os contentores tinham ar condicionado e eram melhores do que pareciam

"O tempo da facilidade acabou."
José Sócrates, acerca dos professores sem colocação

Novembro

"Estas manifestações também servem para fazer chantagem não apenas sobre a ministra da Educação mas sobre as escolas e os professores (...) e esse é o objectivo."

Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, em entrevista à RTP, referindo-se à manifestação de 120 mil professores em Lisboa

"Peço desculpa aos senhores professores por ter causado tanta desmotivação."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação

"Uma carta de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'."
Maria de Lurdes Rodrigues em entrevista ao Público, partilhando um dos bons momentos que teve no ministério da Educação

Dezembro

"Estou sempre tranquila. Uma coisa que me caracteriza é a tranquilidade."
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, no dia da greve de professores

"Iniciada a avaliação a sério este ano, estarei aberta à discussão das alterações ao modelo e até à sua substituição."

Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, no dia 4 de Dezembro, perante os deputados da comissão parlamentar

"Não sei se o modelo de avaliação do governo cabe numa folha A5, numa folha A4 ou numa folha A3. O que eu sei é que com este modelo o governo quer fazer a folha aos professores”

Mário Nogueira, à saída de reunião com a Ministra

Quase tudo tirado de “frases do ano em esquerda.net

Isto revela a cabeça de alguém


Excerto de Entrevista a José Gil (Rádio Clube e Correio da Manhã):

EP – Arrogância?

- Arrogância, autoritarismo. Quer dizer, desprezo da democracia em nome da vontade autocrática de um governante ou dois.

ARF – É o que se passa no caso dos professores? Nomeadamente neste momento em que os professores estão na rua, manifestações imensas. Refere-se muito à não-inscrição. A não-inscrição neste caso é o Governo ignorar isso tudo?

- Totalmente. É um exemplo típico de não-inscrição. Totalmente. Não só não-inscrição. Há pior do que isso. Eu ouvi o secretário de Estado, como milhões de pessoas ouviram na televisão, o secretário de Estado Pedreira dizer, depois das assinaturas, isto foi há três dias.

ARF – O abaixo-assinado.

- O abaixo-assinado apresentado no Ministério da Educação. Dizendo, mas isso podia ser forjado. Quer dizer. Eu fiquei com vergonha.

ARF – Porque não era preciso apresentar a escola.

- Não era preciso apresentar. Poder-se-ia forjar.

ARF – As assinaturas.

- Quer dizer. Não são as 60 mil assinaturas. É o facto de forjar. Percebe?

ARF – Claro.

- Quando isto vem à cabeça de alguém isto revela a cabeça de alguém.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Esperança para 2009


21 Presidentes dos Conselhos Executivos convidam todos os restantes para uma reunião no próximo dia 10 de Janeiro, para responder às pressões do Governo:

"Assim, convidam os PCEs que partilhem das mesmas preocupações, a estarem presentes num Encontro a realizar no próximo dia 10 de Janeiro de 2009, pelas 12 Horas, no Restaurante Varanda do Parque, no Centro Nacional de Exposições (CNEMA) em Santarém, a fim de analisar a situação actual no que se refere à Avaliação de Desempenho dos Professores."

O texto completo do convite pode ser lido aqui e a localização do restaurante aqui.

Apelamos a todos os professores para que informem os seus Conselhos Executivos da existência desta reunião, convidando-os a participar. Será concerteza um momento importante para mostrar que há nas escolas portuguesas responsáveis que se preocupam mais com a escola pública do que em cumprir ordens injustas acriticamente.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas Festas


Desenho de Antero Valério

Governo quer comprar professores com mercearias


O Governo exige que os professores desmarquem as suas medidas de luta, ameaçando retirar os brindes de natal que ofereceu, caso se mantenham os protestos. É de facto uma vergonha, o governo não acredita em nada do que faz, tudo se resume a jogos de mercearia, e toma lá dá cá.

Vê a notícia no JN

Felizmente, pelo menos a Fenprof já veio clarificar que não se vende por um prato de lentilhas:

O Ministério da Educação pretendeu hoje que, por um prato de lentilhas, a FENPROF deixasse de estar ao lado dos professores na sua luta pela suspensão do actual modelo de avaliação e, eventualmente, pudesse mesmo anular a greve prevista para dia 19 de Janeiro.

"Se, realmente, o senhor secretário de Estado pretende que as escolas retomem um clima de serenidade, tem um caminho a seguir: calendarizar, na reunião negocial de 5 de Janeiro, a revisão do Estatuto da Carreira Docente, perspectivando a eliminação das categorias de professor e professor titular e a substituição do actual modelo de avaliação, incluindo o regime de quotas".

A oportunidade do Ministério da Educação dar um verdadeiro sinal de abertura e respeito pelos professores está para muito breve, bastando que no processo negocial que se iniciará em 5 de Janeiro, de revisão do ECD, aceite, como exigem os professores e propõem os Sindicatos, eliminar a divisão da carreira e substituir o actual modelo de avaliação, incluindo o regime de quotas

Vê mais no site da Fenprof

Parecer do Provedor de Justiça



Escola EB 2,3 de Azeitão

É com o maior prazer que vos damos a conhecer que o Provedor de Justiça considera que é ilegal, não um problema técnico, a vinculação entre os resultados escolares dos alunos e a avaliação de desempenho dos professores, assim como questiona a legalidade do funcionamento das comissões de coordenação da avaliação do desempenho. Oportunamente, enviaremos uma cópia do parecer do Senhor Provedor, que recepcionámos ontem, à Senhora Presidente do Conselho Geral Transitório e, simultaneamente, solicitaremos, mais uma vez, o adiamento da entrega dos objectivos individuais, até cabal esclarecimento das questões levantadas.
Isabel Liberato e Leonor Duarte.

Seguem-se os pontos 4 e 5 do parecer:
« 4. (...) De todo o modo, o instrumento jurídico do impedimento tem por fundamento o princípio da prossecução do interesse público, na sua dimensão garantística: o seu campo de aplicação não se dirige aos casos em que se encontra demonstrado o desrespeito por tal princípio, mas sim às situações em que se verifica o risco de vir a ser prosseguido fim ou interesse alheio ao aplicável ao caso. E, por outro lado, o que no domínio do princípio da transparência se exige aos órgãos administrativos não é apenas a prática de actos imparciais, mas também que actuem por forma a darem de si mesmos uma imagem de objectividade, isenção e equidistância dos interesses em presença, de modo a projectar para o exterior um sentimento de confiança.
5. Comunga desta natureza a segunda questão que se afigura dever merecer cuidada ponderação. Está em causa o funcionamento da comissão de coordenação da avaliação do desempenho, órgão central no sistema de avaliação, e o impedimento dos seus membros na apreciação das avaliações de outros docentes, que com eles concorrem às mesmas quotas das classificações mais elevadas.»

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conselhos Executivos organizam-se contra pressões do governo a 10 de Janeiro


Notícia público online:

Um grupo de presidentes de conselhos executivos (CE) de escolas da Região Centro está a organizar uma reunião inédita, de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos de ensino de todo o país, para “reflectir” “e acertar posições” sobre o modelo de avaliação de desempenho dos professores, soube o PÚBLICO.

A iniciativa partiu dos CE de 20 escolas de Coimbra, mas conta com a colaboração de representantes dos órgãos de gestão de estabelecimentos escolares de Viseu e de Santarém para fazer reunir, já no início do segundo período, todos os que se sentem “preocupados” com o actual “clima de intranquilidade”.

A edição impressa do Público de hoje adianta que a iniciativa se realiza em Santarém, a 10 de Janeiro

70 mil assinaturas pela suspensão deste modelo de avaliação


Na passada segunda-feira, dia 22, ao fim da tarde, a Plataforma Sindical dos Professores, representada por dirigentes das diferentes organizações que a constituem, entregou no Ministério da Educação, em Lisboa, um manifesto/abaixo-assinado em que os professores reiteram as suas exigências de suspensão do burocrático modelo de avaliação imposto pelo ME e de revisão do ECD, que permita, entre outros aspectos, substituir o modelo de avaliação, abolir as quotas na avaliação e eliminar a divisão artificial da carreira nas categorias de "professor" e "professor titular".

Vê o resto no site da Fenprof

domingo, 21 de dezembro de 2008

Escola Secundária Poeta António Aleixo (Portimão)


Os docentes da Escola Secundária Poeta António reunidos em Reunião Extraordinária no dia 10 de Dezembro de 2008 no dia10 de Dezembro aprovaram esta moção:

Enquanto este modelo de avaliação não for efectivamente substituído e eliminadas todas as suas arbitrariedades, incoerências e injustiças a ele inerentes, os professores signatários desta moção, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e do seu desempenho profissional, decidem:

1- Exigir a revogação do Decreto Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro (Avaliação do Desempenho dos Docentes);Suspender a sua avaliação do desempenho, recusando concretizar qualquer actividade que conduza à implementação ou desenvolvimento deste modelo, até que seja elaborado um outro modelo de avaliação, justo e exequível

Vê aqui o texto completo

Equipas de Apoio ao Governo?


Estimados colegas!QUE NENHUM PROFESSOR SE DEIXE INTIMIDAR!SEJAMOS SOLIDÁRIOS COM OS ÓRGÃOS DE GESTÃO, CONFRONTADOS COM A PREPOTÊNCIAS DE MANDARINS DE TERCEIRA APANHA!QUE NINGUÉM DÊ CRÉDITO À EQUIPA MINISTERIAL MAIS DESACREDITADA DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL!Faz sentido o grito:UNIDOS, VENCEREMOS!

Segue o texto de uma mensagem recebida pelos CEs. É a falta de vergonha generalizada! Tanta a forma como o conteúdo são uma afronta. As EAEs apoiam quem? As escolas??Nunca houve tanta razão para lutar.

Exmº(ª)Presidente de Conselho Executivo:

Têm na vossa caixa de correio electrónico dois novos despachos sobre a avaliação. Tínhamos falado disto nas reuniões da passada semana. Ainda não é o Decreto Regulamentar de cuja versão de trabalho já tomaram conhecimento. No entanto, parece-me ser sensato aproveitar o tempo para iniciar todos os procedimentos que os dois despachos determinam ou recomendam. A verdade é que sereis confrontados com prazos apertados e o adiamento das coisas só vos trará complicações. O fim do ano civil (2008) é uma boa data para deixar uma série de coisas arrumadas. Tais como:

1 - Devem ser entregues os requerimentos a solicitar observação de aulas e, se for o caso, de um avaliador da sua área disciplinar

2 - Nomeação de novos professores titulares em comissão de serviço para avaliadores, no caso de ser necessário

3 - Entrega dos objectivos individuais (que podem ser reformulados em qualquer altura do ano)

4 - Calendarização das aulas a observar

5 - Criação de mecanismos para substituir as aulas "perdidas" dos avaliadoresComo tudo isto deverá estar pronto até ao fim do ano civil, sugerimos que o CE faça um cronograma com estes pontos e o envie a esta Equipa de Apoio. Estamos ao vosso dispor para ajudar no que se revelar necessário, incluindo a obtenção de esclarecimentos superiores.

(e-mail recebido pelo MEP)

Professores da Escola Secundária Alcaides de Faria não entregarão objectivos individuais


Com os melhores CumprimentosCaro(a)s colegas!

é com orgulho que vos informo, que hoje, 18 de Dezembro, na reunião geral de professores, dando seguimento ao processo de luta e não permitindo que nos maltratem com intrujices e ilegalidades encapotadas, os professores da Escola Secundária Alcaides de Faria em Barcelos recusaram, novamente, fazer entrega dos objectivos individuais e reiteram a suspensão do modelo de avaliação.
Por favor divulguem e que todas as escolas continuem a resistir. Não podemos cair no logro da chantagem nem nos podemos intimidar com a pressão ditatorial das Direcções Regionais ou dos comissários políticos das Coordenações de Acompanhamento às escolas. Já não é só a avaliação que está em imposição, já não é só a luta que está sob coacção é, e cada vez mais, a democracia que está em causa.

Um abraço tonificante
José Maria Cardoso

M O Ç Ã O

Assunto: AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE

Os/as professores/as abaixo-assinados/as comprometem-se a não entregar os objectivos individuais e recusam participar em qualquer procedimento destinado a viabilizar este modelo de avaliação, por considerarem:

Vê aqui o documento

Professores da Escola Santa Maria Maior não cedem ao “simplex”


Do blogue ProfAvaliação

Setenta e cinco por cento dos docentes da Escola Secundária de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, subscreveram um documento, após reunião efectuada em dezoito de Dezembro de 2008, nas instalações da escola, reafirmando a posição anteriormente assumida em relação ao processo de avaliação em curso: recusa em participar nos procedimentos da avaliação de desempenho, incluindo a nova versão simplificada.

Há escolas que estão a seguir a opção tomada pela Escola Secundária de Santa Maria Maior: reafirmam a posição aprovada anteriormente. Outras há que simplesmente não fazem nada. Uma vez aprovada, em assembleia de professores, a recusa na entrega dos objectivos individuais ou a recusa em dar sequência aos procedimentos da avaliação de desempenho, os professores partem do princípio de que o processo está parado e vai continuar parado.
Convém sublinhar que a versão simplificada do modelo burocrático de avaliação ainda não foi publicada no Diário da República. A aprovação do diploma na reunião do Conselho de Ministros da quinta-feira passada não é suficiente para lhe atribuir o carácter legal. De acordo com a arquitectura constitucional portuguesa, o diploma entra em vigor quando publicado no DR e após promulgação do Presidente da República. Nem uma coisa nem outra foi feita.

Conselho Municipal de Vouzela ao lado dos profesosres e da escola pública


MOÇÃO

O Conselho Municipal de Educação do Concelho de Vouzela reunido, no dia 18 de Dezembro de 2008, não quer e não tem que tomar posição sobre a substância do que está presente na problemática da avaliação do desempenho dos professores e do seu estatuto de carreira.

No entanto, o Conselho Municipal de Educação, enquanto estrutura de representação da Comunidade Educativa do Concelho, decide:

1. Afirmar a sua preocupação pelo facto de o conflito que hoje se vive na área da educação estar a perturbar o clima das escolas e em consequência poder vir a prejudicar as aprendizagens dos alunos e os seus resultados escolares;

2. Manifestar a sua opinião de que a solução transitória desta grave situação passa por suspender, este ano lectivo, a aplicação do processo de avaliação do desempenho dos docentes;

3. Propor que, para os meses que restam até ao final do ano lectivo, seja encontrada uma solução de avaliação consensual que faça retornar a tranquilidade às escolas;

Finalmente, o Conselho Municipal de Educação decide enviar a presente moção ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, ao Senhor Primeiro-Ministro, à Comissão Parlamentar de Educação e à Senhora Ministra da Educação.

Vouzela, 18 de Dezembro, de 2008.

Fonte: "A Educação do Meu Umbigo"

Intervenção da Rosário Gama na sessão de encerramento do Fórum Democracia e Serviços Públicos

Foi uma intervenção muito interessante e como tal considerámos pertinente colocá-la aqui apesar de o Fórum ter decorrido há uma semana mas só agora tivemos acesso ao texto escrito.

AULA MAGNA, 14/12/2008

Começo por saudar a esquerda presente nesta sala e toda aquela que gostaria de ter vindo mas não pôde estar presente;
Saúdo os que hoje, nos diferentes painéis animaram e participaram nos debates;

Saúdo a Ana Drago: é um prazer voltar a encontrar-me consigo e com as suas ideias claras na defesa da Escola Pública e porque tem sido uma voz persuasiva na luta dos professores

Saúdo o Amigo e Camarada Manuel Alegre: deixe-me agradecer-lhe o convite que me trouxe a este Fórum, convite esse que eu não pude recusar pela elevada admiração que tenho por si e pelas lutas que tem travado pelos ideais de esquerda.

Constituirá surpresa para muitos (e para mim também!) a minha presença neste Fórum Democracia e Serviços Públicos porque sempre fiz o meu percurso de vida como cidadã atenta e empenhada, sem nunca procurar o protagonismo que esta política me obrigou a ter.
-Não digo que não a um desafio, quando se trata do encontro de uma grande família política de esquerda, principalmente quando a minha família política mais próxima, em quem eu depositei o meu voto, me tem vindo a desiludir afastando-se dos valores que legitimamente poderia esperar de uma política assumidamente de esquerda. Se não se pode suspender a Democracia, também não se podem suspender os valores que nos guiam politicamente.
- Tive a oportunidade de poder denunciar na comunicação social, a propósito da posição da minha escola no ranking, as tensões e o desencanto que passaram a fazer parte do quotidiano das Escolas e por esse facto tenho continuado a “dar a cara” por esta luta que tarda em chegar ao fim simplesmente por teimosia de quem está convencido de que reconhecer um erro é uma vergonha ou uma diminuição da autoridade. (Receio mesmo que este Governo esteja a estimular o culto perigoso da autoridade)
Perguntem aos professores mais experientes, que já assumiram erros perante os seus alunos, se esse gesto não reforçou a sua credibilidade.
Há um erro cívico grave que se pode confundir com coragem: é a temeridade. Se para demonstrar coragem não avaliamos devidamente as consequências dos nossos actos, corremos o risco de sermos simplesmente temerários. Não estará a acontecer isto, neste momento, na equipa ministerial?

Nestes últimos anos dei comigo a pensar: será que, antes de votar, não li bem as bases programáticas do PS no que se refere à Educação? Resolvi relê-las e no Capítulo II, Novas Políticas Sociais, no ponto I.1 – Mais e Melhor Educação, pude reler :
“A lógica política do PS não é prometer tudo a todos, nem proceder a mais uma revolução no papel. É sim, tendo plena consciência da educação como factor insubstituível de democracia e desenvolvimento, pôr em prática políticas que consigam obter avanços claros e sustentados, na organização e gestão dos recursos educativos, na qualidade das aprendizagens e na oferta de várias oportunidades a todos os cidadãos para melhorarem os seus níveis e perfis de formação.

Para melhorar as qualidades das aprendizagens é necessário definir que perfil de aluno queremos, formar na Escola pública, que currículos a suportariam, para atingir o perfil de aluno: uma das grandes falhas desta equipa ministerial foi a ausência de orientações sobre escola pública: sobre isto foi dito nada.
Na ausência dessa linha orientadora, a imagem que tem passado para a população e para os próprios professores é a de que o sucesso tem que ser alcançado a todo o custo (discurso fácil para a população mas manipulador), a fim de disfarçar através da estatística, a qualidade de ensino que outros países com outros meios e com políticas coerentes alcançaram.
Esta atitude só por si foi uma medida que desautorizou o professor cuja função é ensinar com rigor e exigir resultados do seu trabalho e que não se compadece com os facilitismos presentes na criação de uma panóplia de cursos alternativos de rigor duvidoso, entendidos como “oferta de várias oportunidades a todos os cidadãos para melhorarem os seus níveis e perfis de formação”
Ainda no Capítulo II, Novas Políticas Sociais, no ponto I.1 – Mais e Melhor Educação, pude reler
“Definiremos também um programa nacional de formação de professores, com explicitação de perfis de desempenho…. A avaliação do desempenho dos professores, neste contexto, deve ser acompanhada por “iniciativas que aumentem a motivação e a auto-estima dos professores”…

Fazendo uma sinopse das medidas deste Ministério é claríssimo para todos que não faz parte dos seus objectivos a motivação e a auto-estima dos professores”
Vejamos:
- Aumento da carga horária lectiva dos professores e fim das reduções lectivas na maior parte da ocupação dos cargos, o que se traduziu numa redução do número de horários disponíveis;
- Congelamento da progressão na carreira;
- Estatuto da carreira docente com a divisão da carreira em professores titulares e professores, (havendo apenas 30%. Que têm acesso a professores titulares) Daqui resulta que 2/3 da classe não progride, não ultrapassando o salário correspondente actualmente a 1500 Euros..
- Modelo de Avaliação de Desempenho burocrático, inexequível, gerador de conflitos…

Não é difícil inferir qual é o grande objectivo: uma política meramente economicista!
Já no painel sobre Educação realizado de manhã, o Professor Licínio Lima afirmou, numa intervenção brilhante, que na política educativa, a palavra economia substituiu a palavra pedagogia.
A forma como estas medidas economicistas foram implementadas constituíram um golpe profundo na dignidade dos professores, causador de uma profunda insatisfação e mesmo humilhação, de tal modo que mesmo quem dedicou a sua vida a formar, transmitindo conhecimentos, está neste momento desmotivado e sai antecipadamente do sistema.
E não sai com pena, nem com saudades daquilo que deixa, sai derrotado, penalizado e paradoxalmente feliz por abandonar a profissão de uma vida.
Antes desta “turbulência” quem saía sentia nostalgia, amargura, saudades, tinha pena de ter atingido a idade da reforma (60 anos ou menos); hoje, quase todos, queriam ser mais velhos para poderem ir embora! Sentem-se desconsiderados, humilhados por uma reforma que ignorou o trabalho e a dedicação passados.
Com esta “debandada” dos Professores atinge-se de igual modo o grande objectivo: o Ministério da Educação deixa de pagar ordenados mais elevados uma vez que aumenta a mão-de-obra barata para além de que as reformas, com as penalizações, saem mais baratas ao estado, que assim poupa mais alguns euros…Para as estatísticas a solução é óptima: diminui a taxa de desemprego entre os licenciados.
Hoje, a desmotivação é grande… a Escola deixou de ser um local aprazível para passar a ser um palco de fricções e de fracções entre professores! A mudança de paradigma educativo, seja a nível da gestão das escolas, seja a nível da avaliação dos professores, foi abruptamente/unilateralmente imposta pela tutela, sem a preocupação de envolver, formar e conquistar os docentes para este processo de mudança.
A hierarquização e a diferenciação na carreira dos professores foi a grande afronta feita à classe devido à artificialidade e arbitrariedade de que se revestiu o concurso para professores titulares, ao serem tidos em conta apenas os últimos sete anos da sua carreira.
Carreiras de muitos anos, tarefas e cargos desempenhados com todo o rigor e profissionalismo, foram simplesmente omitidos.
A instabilidade está instalada e a culpa não é dos professores. É intolerável o comportamento desta equipa ministerial que em vez de promover a tranquilidade e a serenidade, indispensáveis ao bom funcionamento das escolas gera o conflito e a instabilidade e tenta fazer crer à opinião pública que os professores não querem ser avaliados. Nós queremos ser avaliados, não nos vencerão pelo cansaço, cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública.
Como disse Bertolt Brecht
“Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o oprimem”.
Finalmente, no Capítulo II, Novas Políticas Sociais, no ponto I.1 – Mais e Melhor Educação, pude reler
“Sem rupturas indesejáveis continuaremos no caminho do reforço da participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino e no favorecimento da constituição de lideranças fortes. Estabelecido um quadro comum a todas as escolas e agrupamentos – colegialidade na direcção estratégica, participação da comunidade local, gestão executiva a cargo de profissionais da educação – serão admitidas e estimuladas diferentes formas de organização e gestão”
O decreto lei 15 / 2007 que regula o novo regime de autonomia das escolas, não prevê nenhuma outra forma de gestão que não seja a gestão unipessoal com os poderes concentrados no Director.
Relativamente a esta “figura” é de salientar que a prática directiva estabelecida pelo Decreto-lei 115-A/98, possibilitando a opção por uma direcção colegial ou por uma gestão unipessoal, levou a que a quase totalidade das escolas tivesse enveredado pela direcção colegial, demonstrando assim os bons resultados decorrentes desta modalidade, construídos pelo empenho e dedicação dos membros dos Conselhos Executivos.
O Governo precisou de pôr fim à gestão democrática nas escolas. Não se afiguram razões para a excessiva concentração de poderes num Director, a não ser que esta imposição tenha como objectivo assegurar a aplicação cega e acrítica de todas as medidas emanadas da 5 de Outubro, bem como a domesticação dos professores e o seu silenciamento.
O M.E., com as leis do ECD, da Gestão e Administração das Escolas, do processo de Avaliação de Desempenho dos professores e muito especialmente, com o argumentário político com que as sustentou, reforçou intencionalmente a ilusão mais enganadora que se poderia imaginar neste sector: a ideia de que, havendo muito insucesso e abandono escolar em Portugal, a culpa era dos professores.
Vi este ponto bem exemplificado num recente artigo de opinião com o seguinte raciocínio: Existe muito insucesso e abandono escolar no nosso país. A culpa é dos professores. Logo proceda-se à avaliação, nem que para isso seja necessário importar um modelo da América Latina.
Como uma camada de nevoeiro espesso que se espalha numa região em estação fria, aumentando o gelo que perturba fortemente a mobilidade e a actividade das pessoas, também esta ilusão continua a cair como arma assassina em cima dos professores. De repente, com esta equipa esqueceram-se os principais factores nacionais geradores do abandono e do insucesso:
as condições sócio-económicas de muitos dos nossos alunos e dos seus pais;
a desagregação das famílias e respectiva ausência de autoridade;
a cultura dominante de que o êxito se consegue sem esforço ou que tudo tem de ser tornado fácil para se atingirem objectivos;
a desvalorização social da Escola e dos seus agentes, entre outros.
Fez-se cair toda a culpa na organização da Escola e no seu corpo docente.
Com que fundamento ou intenção se procedeu deste modo se só há pouco tempo se desencadeou o processo de avaliação das Escolas e os primeiros resultados são todos muito positivos?
Se não houve intenção escondida, houve, no mínimo, erro político grave, nunca reconhecido pelos seus responsáveis, apesar de avisos vários.
E este erro político acrescentou veneno mortal à relação entre os professores e a Srª Ministra da Educação.
Continuamos a luta pois a razão está do nosso lado.

Parafraseando Mia Couto:
Temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar e como diz o meu camarada Manuel Alegre, o pensamento é livre como o Vento.

Rosário Gama

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Minuta de resposta aos apressados


Ex.mo Senhor (a)
Presidente do Conselho Executivo da
Escola/Agrupamento ________________
ASSUNTO: - Resposta ao pedido de informação solicitado pelo(a) Presidente CE referente a opções individuais da Avaliação de Desempenho Docente nesta Escola
____________________ (nome), professor __________ (do quadro de Escola/Quadro de Zona/Contratado) do grupo de recrutamento ____________ (nome do grupo de recrutamento), tendo tomado conhecimento da Vossa solicitação, comunicada através de _________ (documento interno de circulação de informação), no sentido de obter, até ao próximo dia ______ (data limite), o esclarecimento de opções individuais relativas à avaliação do desempenho docente, no sentido de se poder pronunciar adequadamente, solicita a indicação do suporte legal que permite essas mesmas opções.
Grato pela atenção dispensada,
O(A) Professor(a)
_________________________________
Local, ____ de Dezembro de 2008

Publicada em ProfAvaliação

Sever do Vouga: Comissão de Avaliação demite-se!!


Lembram-se de quando começaram as moções e os abaixo-assinados para a suspensão da avaliação? Num ápice, o País estava "colorido de suspensões"!

Agora segue-se nova leva!

Depois do exemplo de Setúbal, a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho Docente do Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga pediu a demissão.

Este é mais um dos exemplos a seguir.

Vê o documento no blogue do MUP

Ministério da Educação: Desrespeito, prepotência, arrogância e... cabeça perdida!


Informação do SPRC:

MANTER UMA ACÇÃO RESISTENTE E DETERMINADA NAS ESCOLAS É FUNDAMENTAL

Escolas contra o Simplex

"Não sabemos sequer quando é publicado o decreto-regulamentar, depois disso
ainda temos de emitir um aviso para os professores que depois têm de
comunicar se querem aulas assistidas e avaliadores da sua área disciplinar.
Posteriormente os Conselhos Executivos ainda têm de comunicar se existem
professores dessas áreas disponíveis ou se é preciso recorrer a docentes de
fora das escolas, o que, a acontecer, tem de ser comunicado às direcções
regionais. Além disso as escolas não receberam informação nenhuma deste
prazo de cinco dias, tão-pouco me parece que estejam com vontade de avançar
com o simplex"

DN, 17/12/2008, Grilo dos Santos, presidente do Conselho Executivo do
Agrupamento de Escolas da Sequeira, Guarda

O clima não é propício

"Vai ser muito difícil avançar em cinco dias, porque o processo está parado
e o clima entre os professores não é propício para o aplicar"

DN, 17/12/2008, Jorge Jerónimo, Presidente do Conselho Executivo da escola
Secundária D. Duarte, Coimbra – membro do Conselho das Escolas

ME de prazos trocados
O ministério "deve andar com os prazos trocados(...). o governo nem sequer
devia dizer nada, as escolas não precisam que o secretário do Estado lhes
diga o que fazer"

DN, 17/12/2008, Fernando Mota, Presidente do Conselho Executivo da Escola
Secundária de Pombal – membro do Conselho das Escolas

Milagres?

"Não há qualquer informação oficial, só lemos as coisas na comunicação
social. (...) é preciso acreditar em milagres para se achar que é possível
cumprir os prazos anunciados"

DN, 17/12/2008, Ana Cristina Feio, Presidente do Conselho Executivo da
Escola Secundária Avelar Brotero, Coimbra

Estas são declarações sintomáticas do clima que se sente nas escolas.
Através das palavras destes professores, membros de órgãos de gestão,
confirma-se o clima, a vontade e a determinação para se prosseguir a luta e
a acção propícias à consagração dos nossos objectivos.

Depois de um período inteiro em que os docentes, responsavelmente, têm
transmitido que é possível uma avaliação do desempenho dos docentes que
confira mais qualidade à escola pública (a do governo não), que não
prejudique as aprendizagens dos alunos (o que a do governo faz) e que seja
exequível, praticável e mobilizadora de dinâmicas de intervenção (a do
governo não), o ME quer:
- impor uma avaliação simplificada à margem da negociação de um processo
alternativo (o que os Professores, através da Plataforma Sindical, continuam
a defender);
- legitimar o seu modelo de avaliação, simplificando-o agora, para o
generalizar no próximo ano lectivo;
- não intervir em quaisquer situações de atropelo à legalidade, ao permitir
que alguns órgãos de gestão, pressionados pela própria DGRHE e pelas
Direcções Regionais, cometam grosseiras irregularidades.

É muito importante manter resistentemente a nossa intervenção, de forma a
garantir as condições de que necessitamos para encontrar uma solução para
crise criada pela acção deste Ministério da Educação.

PROFESSORES MANTÊM, FIRMES, A SUSPENSÃO DA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO!

Sempre que um professor for pressionado a entregar objectivos individuais ou
um órgão de gestão for coagido a prosseguir com o modelo simplificado de
avaliação do desempenho, devem contactar o SPRC, onde encontrarão todo o
apoio necessário.