sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sapatos para Sócrates


António Morais está cansado de protestar. Habituado a percorrer o país, tanto a pé como de bicicleta, este professor da região de Aveiro não desiste de lutar e usar a imaginação como forma de atingir algum fim.

Desta vez, decidiu replicar o gesto do jornalista iraquiano que atirou os sapatos a George W. Bush, enviando os seus pelo correio (registado) ao primeiro-minstro e à ministra da Educação. «É um gesto simbólico, provavelmente a encomenda não vai ser recebida pelos destinatários, mas a indignação pelo que se está a passar neste país fica registada», explicou ao PortugalDiário.

A acompanhar os sapatos seguia uma missiva explicativa, datada de 28 de Janeiro. Os sapatos são caracterizados como algo importante, «porque palmilharam parte deste país, conhecem muitos dos meus dias, tecidos de ilusões e cansaços e, sobretudo, desespero e frustração pela degradação democrática deste país».

«Os sapatos transformaram-se, devido à acção daquele jornalista iraquiano, em símbolo de protesto contra autoritarismos desmedidos, gestão danosa dos países, manipulação e mentira como estratégia governativa das nações», explicou o prof. Morais a José Sócrates, acrescentando: «Representam o meu mais veemente protesto pela forma como tem governado este país que formalmente é democrático. No entanto, e graças a si, a palavra democracia está a afastar-se exponencialmente do seu significado original, cuja acepção etimológica era o "poder do povo" e que Abraham Lincoln definia como: "O governo do povo pelo povo e para o povo". Que longe nos encontramos deste conceito, no presente!!!»

Enviar os sapatos por correio é um acto que considera ser mais «pacífico» do que fazê-lo numa conferência de imprensa, tal como aconteceu no Iraque: «Pode estar descansado, apenas lhos envio como um gesto simbólico que remete para uma sintonia com a raiva sentida pelo autor original da acção. Com a certeza que lutarei contra este estado de coisas até ao limite das minhas forças».

A Maria de Lurdes Rodrigues, António Morais endereça uma mensagem mais consentânea, recordando que vestiu uma t-shirt negra durante 204 dias com a inscrição «Estou de luto pela educação».

Apenas de uma coisa se arrepende: não ter criticado o alegado estudo da OCDE, que afinal não foi realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento. «Aquilo que aconteceu foi uma mentira, mas este país nada faz. É algo diabólico o que está a acontecer, por isso temos de reagir, porque o medo está a perturbar o trabalho nas nossas escolas», frisou, não se cansando de assegurar que irá continuar a lutar, porque «o país está doente».

Notícia do Portugal Diário
Vê aqui mais fotos

Primeira avaliação prejudicou professores

Esta notícia é de Janeiro, contudo consideramos pertinente postá-la agora aqui, num momento em que o Governo insiste em afirmar que a avaliação está a decorrer “normalmente”, com uma parte significativa dos docentes a entregar OI.
Quando o ME sustenta que este modelo, embora simplificado, é para ser aplicado este ano, porque ainda não foi testado.

Docentes avaliados no ano passado estão indignados com injustiças detectadas no processo e denunciam a aplicação de critérios diferentes a quem concorre aos mesmos oncursos. Contratados já avaliados falam de injustiças na nota.

Reclamações, recursos, processos nos tribunais. É este o resultado da primeira aplicação do sistema de avaliação de desempenho que decorreu no passado ano lectivo, de forma simplificada, e abrangeu 17 mil professores, na maioria contratados. Numa altura em que o Governo insiste em avançar com o modelo, já alvo de nova simplificação, centenas de docentes ainda contestam a nota do ano passado, alegando injustiças e ilegalidades na sua atribuição.

Professores que tiveram nota mais baixa porque faltaram para ir ao médico ou assistir a família, grávidas penalizadas porque deram menos aulas, docentes prejudicados por acompanharem visitas de estudo, não dando todas as aulas previstas. São alguns dos casos denunciados à Fenprof que recebeu mais de 600 reclamações por e-mail. Apesar de o Governo ter justificado o avanço da avaliação - mesmo só no terceiro período - com a necessidade de os contratados se apresentarem a novo concurso, a realidade demonstra que a nota da avaliação nem foi contabilizada nesse concurso. Aliás, há ainda professores que não sabem a nota e já estão a dar aulas. Na base de muitas reclamações está a atribuição de quotas às classificações de Excelente e Muito Bom. Como a legislação que definiu a quantidade de notas elevadas que cada escola podia atribuir só foi publicada no final de Julho, muitas escolas tentaram "gerir" o problema à sua maneira. Umas resolveram atribuir Bom a todos os avaliados, enquanto que outras classificaram alguns docentes com as notas mais elevadas, mesmo antes de as quotas saírem. A revisão de notas na sequência de queixas de "injustiças" chegou até a virar-se contra os queixosos, que viram a classificação diminuída.

É esta a base da maioria das reclamações, disse ao DN, Mário Nogueira, da Fenprof. "A lei diz que devem ser dados Excelente e Muito Bom. Houve pessoas descontentes porque na sua escola só houve Bom. Outros reclamaram pelo motivo contrário", acrescenta, sublinhando esta "enorme injustiça". O pior, diz, é que professores avaliados segundo critérios diferentes candidatam-se aos mesmos concursos. Apesar do descontentamento ser "generalizado", muitos não avançaram com queixas com medo de represálias ou de confronto com os colegas.

Rita Carvalho, DN, 15/01/2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

RESISTIR ÀS NOTIFICAÇÕES - Não te deixes arrastar

A maquinaria do Ministério não pára.
Perante a surpreendente capacidade de resistir às ameaças e chantagens relativamente à entrega do “papel” dos OI, agora são vários PCE, inchados com o novo e escandaloso subsídio para os “directores”, que estão a pressionar.
E vemos escolas onde o prazo expirou, onde números significativos resistiram e nada entregaram, e vêm agora alguns PCEs notificar…e voltar a ameaçar!

Os dados que se vão revelando sobre percentagens da atitude nas escolas permitem calcular que o número de 20.000 “recusas” é perfeitamente possível. A confirmar-se a tendência recente, em que 20-30-40-50 por cento recusam, pode mesmo considerar-se a hipótese de que essa fasquia pode ser superada. Basta pensar que em muitas escolas do Norte a percentagem dos resistentes ultrapassou largamente a metade do corpo docente. E que o número de PCEs contestatários está a aumentar, prevendo-se que neste sábado cerca de 180 se vão reunir de novo em Coimbra para consertar estratégias de resistência. Ora -só nestes casos! - é evidente que os número de resistentes será claramente superior à média nacional.

É o momento para somar e multiplicar o número de resistentes! Quem não entregou, não entregou. Não pode ceder às ameaças dos PCEs, das suas ameaças insidiosas.

Grão a grão começa a tornar-se visível que esta forma de luta de milhares, dezenas de milhares, está a incomodar o ME: reage com violência e agressividade!

Mas o tempo corre contra eles. Os seus mentores e ”patrões”- os banqueiros- estão desmascarados.

Ricardo Salgado, o “boss” do BES, em entrevista à RTP, acaba de, mais uma vez, explicar que a “avaliação”, nomeadamente dos professores…é fundamental.

Fundamental para quê? Que credibilidade tem este mentor de José Sócrates? A sua ideologia da “competição, mercado, avaliação-diferenciação, mérito” faliu.

Faliu e arrasta o país para a pobreza e o desemprego.

Não te deixes arrastar! RESISTE

Juntar esforços, ganhar resistências - PCEs em luta

São esperados mais de 180 Presidentes de Conselhos Executivos na reunião de sábado, dia 7 de Fevereiro, em Coimbra.

Mais Conselhos Executivos contestam avaliação de professores.

A três dias da reunião dos Presidentes dos Conselhos Executivos, (PCE), marcada para o próximo sábado, em Coimbra, já há mais 52 representantes de escolas do país inscritos do que aqueles que no início de Janeiro se encontraram em Santarém para contestarem o actual modelo de avaliação de desempenho dos professores."Neste momento estão inscritos 180 PCE, o que mostra que a situação nas escolas não melhorou e que aumentaram as razões para estarmos preocupados", frisou Rosário Gama, da secundária de Coimbra Infanta D. Maria, uma das organizadoras do encontro.

Em Santarém, 139 elementos de 128 conselhos executivos de escolas e agrupamentos chegaram a discutir a possibilidade de se demitirem em bloco, mas acabaram por decidir adiar uma decisão sobre o assunto, por considerarem que assim eram "mais úteis à contestação do modelo de avaliação". Entretanto, decidiram, tentariam fazer engrossar o movimento, para ganharem "mais capacidade reivindicativa". Hoje fecharam as inscrições para o almoço, mas Rosário Gama frisou que aqueles que assim o desejarem podem participar apenas na reunião de trabalho que se lhe segue, a partir das 14h00, no auditório da Fundação Bissaya Barreto, em Bencanta, nos arredores de Coimbra.


04/02/09, Graça Barbosa Ribeiro

Mais contas:


Agrupamento de Escolas José Cardoso Pires – Amadora (dados corrigidos)
Número total de professores: 136
Número de professores que não entregaram os objectivos: 55

Agrupamento de Escolas de Álvaro Velho - Barreiro
Número de professores: 150
Entregaram objectivos individuais: 118
Não entregaram objectivos individuais: 32

Agrupamento de Escolas Roque Gameiro - Amadora:
Total de professores do Agrupamento de Escolas Roque Gameiro - 184
Prazo apra entrega: 31 de Janeiro
Não entregaram objectivos individuais - 52 professores - 28,26%
Entregaram objectivos individuais - 114 professores - 61,96%
Pediram avaliação cientifico-pedagógica - 12 professores (4 contratados; 3 QE; 5 QZP) - 6,52%
Solicitaram dispensa da avaliação - 6 professores - 3,26%

Escola Secundária Ibn Mucana
Número de professores: cerca de 100
Número de professores que não entregaram objectivos: 10

Mais um PCE que cede às pressões


(na imagem acima – clica para ampliar – a notificação do Conselho Executivo aos professores que não en tregaram os Ois)

E eis a resposta, ainda em construção colectiva, dos professores:

De: _______________________________________________
Professor(a) do Grupo de Recrutamento ___________
da Escola Secundária Ibn Mucana
Assunto: Pedido de esclarecimento sobre notificação da não entrega de Objectivos Individuais
Exma. Sra.
Presidente do Conselho Executivo
Da Escola Secundária Ibn Mucana
___________________________________________________, professor(a) do Grupo de Recrutamento ______________, tendo sido notificado(a) da não apresentação dos Objectivos Individuais, vem, por este meio requerer lhe seja prestado esclarecimento, nos termos e ao abrigo do disposto nos artigos 120º a 122º, 124º e ainda do artigo 104º do Código de Procedimento Administrativo, sobre o conteúdo da referida notificação, nomeadamente no que diz respeito ao seguinte:
“… a sua não entrega inviabilizará o desenvolvimento do seu processo de avaliação de desempenho relativamente ao ciclo 2007 / 09, com as implicações legais daí decorrentes.”
Com efeito, considera o/a professor(a) em causa que nada na lei faz prever que essa não entrega viole qualquer norma em vigor na lei, ou coloque sequer em causa o processo de avaliação de desempenho no biénio 2007 / 2009 e que este seja, portanto, travado (vide Decreto Regulamentar 2/2008, de 10 de Janeiro [e não 2, como regista o documento da notificação], nos seus artigos 15º, 16º e 18º ; confira-se ainda o Decreto Regulamentar n.º1/2009, de 5 de Janeiro, nos artigos 3º e 7º).
Para além disto, não se encontra fundamentado o facto de este (não) acto ter efeitos retroactivos em relação a Janeiro de 2009.
Com os melhores cumprimentos,
Alcabideche, _________ de Fevereiro de 2009

Escola Secundária Padre António Macedo


Os Professores da Escola Secundária Padre António Macedo, em Reunião Geral de Professores no dia 28 de Janeiro de 2009, e atendendo ao Decreto Regulamentar nº 1-A/2009, consideram que as alterações introduzidas, em relação ao Decreto Regulamentar nº 2/2008, se podem resumir da seguinte forma:

1. Abdicou-se do que antes se consideravam princípios, como sejam por exemplo, os resultados escolares, o abandono dos alunos ou a assistência a aulas obrigatória, alterações essas que são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses aspectos seriam posteriormente retomados para efeitos de avaliação;

2. Concentrou-se todo o processo de avaliação e, em última análise, também a função de avaliador, na pessoa do Presidente do Conselho Executivo (Director);

3. Responsabilizaram-se os avaliados por serem eles a requerer eventuais reuniões e observação de aulas, apesar de esta observação continuar a ser condição necessária para atribuição de classificações de Muito Bom e Excelente;

4. Dispensaram-se de avaliação alguns professores ou por estarem próximo da aposentação ou por serem contratados em algumas áreas específicas.

5. Os Coordenadores dos Departamentos Curriculares, bem como os Professores Titulares, em que os primeiros tenham delegado competências de avaliação são, exclusivamente, sujeitos a avaliação a cargo da Direcção Executiva.

Em suma: A “simplificação” que o Ministério introduziu, não altera nenhuma das questões de fundo e mostra que o importante não eram os princípios mas apenas as quotas. Com este Decreto, o Ministério não faz mais do que institucionalizar a “avaliação de faz de conta” que agudizará ainda mais as injustiças criadas com a divisão da carreira em titulares e não titulares.

Por estas razões, os professores presentes na RGP, na sua qualidade de avaliados, decidiram:
Assumir, colectiva e individualmente, a posição tomada em 12 de Novembro de 2008 continuando a não realizar qualquer acção relacionada com este processo de avaliação de professores.

Apelar ao Ministério de Educação, para que:
A. Reconheça a impossibilidade de levar para a frente este modelo de avaliação, suspendendo-o.
B. Proceda a uma revisão do Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente à alteração de um dos seus pontos mais polémicos que é a divisão da carreira em professores titulares e não titulares e, num processo participado, encontre um novo modelo de avaliação, que respeite os direitos dos professores, que conduza à valorização das práticas docentes com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e que contribua para a construção de uma Escola Pública de qualidade.

Escola Secundária Padre António Macedo
Vila Nova de Santo André, 28 de Janeiro de 2009
(Votado por um total de 89 professores, com 79 votos a favor, 2 contra e 8 abstenções)

Um alerta de Mário Machaqueiro


Reitero aqui uma perguntinha inocente que tenho andado a fazer em vários lados, na minha modesta qualidade de professor que se recusou a entregar os objectivos individuais: onde está a grande firmeza e a grande coerência de não entregar esses objectivos se, mais tarde, se aceitar proceder à auto-avaliação?

Posso estar a ver mal o filme, mas… essa auto-avaliação não é, em termos formais, o momento decisivo deste modelo de avaliação? Então nós dizemos que rejeitamos o modelo e depois vamos, como cordeirinhos, caucioná-lo com a entrega da ficha de auto-avaliação? Nesse caso para que serviu a recusa de entrega dos objectivos individuais? Foi só para mostrar que essa entrega era absolutamente desnecessária para que o processo de avaliação pudesse funcionar em pleno?

É que, não sei se já repararam, mas se, no final deste ano lectivo, todos os professores procederem à sua auto-avaliação, o Ministério da Educação poderá proclamar, em triunfo, que TODOS os professores foram avaliados. E, se assim for, a única coisa que será demonstrada é que os colegas que entregaram os objectivos foram uns tansos porque, afinal, todos os professores terão consentido na avaliação, com entrega ou não dos objectivos, e todos terão direito a progredir na carreira.

MAS É ISTO QUE NÓS QUEREMOS? FOI PARA ISTO QUE ANDÁMOS A LUTAR E A SACRIFICAR HORAS E HORAS DO NOSSO PRECIOSO TEMPO? Meus amigos, a única posição coerente e digna é LEVAR A RECUSA ATÉ AO FIM. E levar a recusa até ao fim pressupõe NÃO ENTREGARMOS A FICHA DE AUTO-AVALIAÇÃO.

Áh, já sei, mas ela é obrigatória por lei. Para essa objecção há, pelo menos, duas respostas. Em primeiro lugar, neste momento não é líquido que a não entrega dos objectivos individuais obrigue quem assumiu essa posição a proceder à auto-avaliação no final do ano lectivo, pois se a avaliação é um direito e se o professor prescindir do mesmo, fica desobrigado em relação aos deveres cujo cumprimento seria necessário para o concretizar.

Sei que esta interpretação é controversa, mas palpita-me que o Ministério não estará interessado em abrir uma guerra com os professores que a perfilharem. Mas há outra resposta, um bocadinho mais radical: se estamos em luta contra uma lei injusta, não podemos estar preocupados em agir dentro do estrito cumprimento dela. Lamento muito, mas este combate não pode ser feito sem riscos. Sob pena de, no final deste ano lectivo, os professores terem cedido no essencial, mostrando firmeza apenas no acessório.

Já agora, deixo aqui uma declaração de interesses:

- Não entreguei nem vou entregar os objectivos individuais;
- Tenciono não proceder à auto-avaliação no final do ano lectivo;
- Tenho, neste momento, a perspectiva (ainda por confirmar) de deixar, por cinco anos, o ensino para encetar uma carreira de investigador;
- Não sei se o Ministério da Educação me poderá penalizar pela minha reiterada "desobediência", criando entraves para essa transição.

Mário Machaqueiro

Ministério quer voluntariar professores que enxovalhou...


A mais recente afronta aos professores, como é a questão do voluntariado no sector da educação, não deixa de ser irónico, quando a “brilhante” ideia saída da equipa do M.E. é divulgada no preciso momento em que os professores, cansados de tanta ingratidão e incompreensão perante quem dedicou várias décadas à escola pública, ao ensino. Manifesta-se sim “voluntário”, mas para escapar ao pesadelo e à amargura em que estão a transformar o papel destes profissionais ultimamente humilhados e desrespeitados, acusados na praça pública como os principais responsáveis pelo estado degradante da educação no país.

Como se propõem estes governantes incentivar os docentes a regressarem como voluntários, se objectivamente os afastam a um ritmo deveras preocupante, por meras teimosias, como a que persiste de um modelo de avaliação do desempenho que para tentar segurar e sustentar a equipa ministerial até final de mandato, se transformou em algo aparentemente inofensivo (simplex), mas com o sofisma de no próximo ano lectivo, caso tenha as necessárias condições politicas, voltar a ser factor de instabilidade das escolas, que desgasta, que desmotiva e que fundamentalmente desvia o docente do seu verdadeiro e principal papel na escola para com os alunos.

Quer o Ministério criar condições para as escolas poderem recrutar professores reformados, para em regime de voluntariado colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas, através de programas de voluntariado, que prevê até incluir o apoio à formação.

Uma ideia mais uma vez assente no descarado economicismo, já que no fundo o que pretende é reduzir custos, mas à custa do desemprego e do aumento da precariedade dos jovens docentes que correriam o risco de se verem substituídos e preteridos, caso os professores mais velhos tivessem saudades de regressar à escola de hoje, o que não é o caso, até porque algumas destas áreas previstas para intervenção do voluntariado, estão já a ser asseguradas pelos docentes em espera da hora de partirem para fora do modelo angustiante e de pressão psicológica em que se transforma cada vez o meio escolar.

José Lopes (Ovar)

Será assim tão importante?


Serei insensível, mas não estou nada preocupado com os OI. Entregar ou não entregar pouco me afecta. Mas já me afecta o silêncio da negociação e a falta de estratégia conhecida. Se em Junho tudo estiver na mesma quanto ao ECD então o ME cantará vitória. Se não, mesmo com OIs, saem eles com o rabo entre as pernas. Portanto, o que temos sobre negociação do ECD? Como a estratégia do ME será, muito previsivelmente, prolongar a discussão até Junho qual é a nossa? Ouvi falar em greve ilimitada frente à Presidência da República. Depois caíu o silêncio. Mas uma greve por tempo indeterminado carece de estudo prévio, auscultação da classe e até criação de bolsas de emergência para casos urgentes. Isto é que me peocupa. O resto são cantigas e estamos a ser bem embalados. Tenho um mau pressentimento.

Luís Ladeira

Escola Secundária Sá de Miranda, Braga


Caros colegas,
junto envio o texto que formalizou, a posteriori, a pública afirmação de alguns princípios de todos quantos, na Escola Secundária Sá de Miranda, Braga, não entregaram quaisquer OI (Obviamente Inúteis?...) e fizeram questão de o dizer, porque necessário. Num universo de cerca de 150 professores, 76 já assinaram e, cremos, faltam ainda alguns.
'Aquele abraço'
(que, e salutarmente, começou a circular pelos professores deste país de há uns tempos a esta parte...)
Maria José Tinoco

Os professores signatários, da Escola Secundária Sá de Miranda, na sequência de posições por si tomadas e formalizadas em moções de conhecimento público em que contestam o actual modelo de avaliação do desempenho e que se anexam a este documento, não entregaram quaisquer “Objectivos Individuais” referentes aos últimos 5 meses do ano lectivo de 2008/09.

Pretendem, contudo, esclarecer o seguinte:
1. No início deste ano lectivo, renovaram o compromisso, pessoal e profissional, que assumiram no início da sua carreira: o de cumprir, com o máximo empenho e qualidade, todas as funções inerentes à sua profissão.
2. Em Setembro de 2008, ao aceitarem o serviço lectivo que lhes foi atribuído bem como as propostas individuais de trabalho referentes ao Plano Anual de Actividades ou decorrentes do Projecto Educativo - feitas pelo Presidente do Conselho Executivo ou por si sugeridas - comprometeram-se a concretizar os seus objectivos de trabalho, então definidos em função do colectivo da escola, com o máximo de profissionalismo. Como sempre fizeram.
3. Face às últimas directrizes emanadas pela tutela, forçosamente operacionalizadas de forma diferente em cada escola, questionam, cada vez mais, a finalidade e a fiabilidade de uma avaliação que, e estranhamente, parece agora tomar a parte pelo todo, ao considerar 5 meses do ano lectivo em curso como elemento que basta para certificar a qualidade de um trabalho efectivamente desenvolvido em dois anos lectivos.
4. Contudo, cientes da importância da auto-avaliação das suas práticas enquanto garante das melhorias das aprendizagens dos seus alunos bem como da cultura escolar envolvente, comprometem-se a considerar a totalidade do tempo e serviço por si cumpridos no ano lectivo de 2008/09 aquando da realização do seu relatório final de auto-avaliação que encaram como um dever e um direito.
5. Não obstante o clima de forte intranquilidade vivido, irão procurar a serenidade necessária ao normal (?) funcionamento da escola.

Braga, 28 de Janeiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dados a nível nacional


ESCOLAS A NÍVEL NACIONAL
Escolas contabilizadas: 37
Número de Professores que entregaram os OI's: 1967
Número de Professores que não entregaram os OI's: 2864
Percentagem de Professores que não entregaram os OI's: 59,28%
(dados de 04.Fevereiro.09)

Informação retirada de blogue concebido para esta contagem

Ministério está a enganar escolas e professores!


A Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação (DGRHE/ME) está a enganar as escolas e os professores, ao informar, na sua página electrónica, que a primeira fase do processo de avaliação é a "Fixação dos objectivos individuais, por acordo entre o avaliado e o avaliador da Direcção Executiva".

Vê tudo no site da Fenprof

Agrupamento de Santo António, Barreiro: 50 não entregaram


Número de professores da Escola: 140
Número de professores que não entregaram os objectivos: 50

Vê aqui mais informação sobre esta escola

As resistências acumulam-se!


Desta vez na Escola Secundária D. João II, em Setúbal

Setenta não entregaram!


O prazo para a entrega do documento do OI expirou no passado dia 30 de Janeiro. Na véspera, o pessoal tinha feito uma Reunião ao abrigo da lei sindical, onde 50 dos 61 presentes se comprometeram por votação a manter-se solidários, não recuar, e discutir o assunto com colegas indecisos.
Pois hoje podemos confirmar que, no dia seguinte, mais 20 colegas resolveram juntar-se ao “grupo da recusa”, perfazendo assim, na totalidade, 70!
Os que entregaram o documento foram 45.

Em percentagens, foi assim:

Total de professores: 115

Não entregaram OI: 70 (61%)
Entregaram OI : 45 (39%)



Escola Sec. D. João II – Setúbal
4 de Fevereiro de 2009
Jaime Pinho

Agrupamento Professora Diamantina Negrão: 80% não entregou objectivos


Olá,

Sou docente no Agrupamento Vertical Professora Diamantina Negrão, situado nos Brejos em Montechoro (Algarve). Assinei um papel em que tomei conhecimento que estava em falta, pois não entreguei os meus Objectivos individuais (o prazo terminou a 31 de janeiro), e como tal, deveria fazê-lo até ao dia 13 do mês corrente e que se não o fizesse sofreria consequências, ou seja, paragem da contagem de tempo de serviço!!

Soube que cerca de 80% dos docentes deste agrupamento não entregaram os objectivos e parecem manter a discordância sobre este tipo de avaliação recusando-se a pactuar com esta exigência do M.E..

A Educadora de Infância em Q.Z.P., (...)

Conmentário:
Mais uma ameaça infundada do Conselho Executivo da escola. Eles há mais papistas que o papa...Parabéns aos 80% e que ninguém ceda!

14 professores resistem na Secundária Gil Eanes de Lagos


Escola Secundária C/3º CEB Gil Eanes de Lagos
Número de professores: 105/106
Prazo de entrega dos objectivos - dia 30/01/09
Entregaram objectivos: 91/92 professores
Não entregaram objectivos: 14 professores

Duas iniciativas a não perder


(clica nas imagens para ampliar)