terça-feira, 24 de março de 2009

Alunos do CEF sentem-se enganados pelo ME



Quando se inscreveram, há dois anos, nos cursos de Educação e Formação (CEF), os cerca de 50 mil alunos afirmam que receberam a garantia de que teriam as mesmas condições que os estudantes dos cursos regulares para fazerem o exame nacional de acesso à universidade. O problema é que os alunos do CEF descobriram que as matérias que dão, nada têm nada a ver com o exame nacional.

O número de alunos dos CEF que vão seguir para a universidade é ainda indefinido porque vão ser submetidos a exames nacionais com matérias que nunca deram e contrariando o que lhes foi dito inicialmente.
As queixas seguem para os Conselhos Executivos, que garantem que nunca deram essa informação.

«Vamos para os exames com matérias que nunca demos e vamos ter que estudar sozinhos», refere uma aluna do CEF.

Também os professores consideram que a escolha dos conteúdos programáticos não foram os mais acertados.

«Há uma falta de adequação dos conteúdos programáticos para alunos que queiram candidatar-se à universidade. Especificamente em relação à disciplina de Matemática não há compatibilidade entre o ensino do CEF e o que lhes vai ser exigido no exame» .

A professora sublinha ainda que dificilmente os alunos que se submeterem ao exame de acesso à universidade vão conseguir ter êxito.

No entanto, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desvaloriza esta preocupação referindo que «o professor não está lá para ser explicador dos alunos para os exames».
Valter Lemos recusa ainda responsabilidades e garante que as escolas sabiam que estes cursos tinham regras diferentes e deviam ter avisado os alunos.

«Um aluno que vai fazer por exemplo um CEF em hotelaria, que existe para formar um técnico de hotelaria, o que deve ser ensinado nesse curso é o que é preciso ser aprendido para ser um técnico de hotelaria», exemplificou.

«No final desse curso, o aluno quer candidatar-se ao ensino superior. Vê quais os requisitos que a universidade pede, tal e qual como outro aluno», concluiu.

Deste modo, as alternativas para estes alunos são arriscar fazer um exame com matérias que nunca leccionaram ou regressar ao 11º ano.
Autor Deconhecido, (recebido por E-mail)

segunda-feira, 23 de março de 2009

A robotização da educação: o escândalo pedagógico do “Magalhães”


Na época actual, o mundo da pedagogia continua mais do que nunca em busca de soluções adaptadas aos tempos. Após a onda de cientifismo que marcou o Século XIX, sobreveio uma educação dedicada ao hediondo culto da raça, algo que entre nós, durante o período totalitário fascista, encontrou expressão na famigerada “Mocidade Portuguesa” decalcada da Juventude Hitleriana da Alemanha nazi. Agora, apesar dos vastos conflitos puramente humanos que afligem a classe docente, tenta-se uma solução electrónica-totalitária: a distribuição em massa de 500.000 minicomputadores “Magalhães” para todo o ensino básico. O projecto é anunciado como uma “revolução para a educação em Portugal” e algo “sem igual no mundo”, sendo que a máquina é pomposamente apresentada como autêntica janela para o futuro e para a vida das novas gerações.

Continua a ler o excelente texto do Prof. Raul Guerreiro aqui

Algumas considerações sobre a reunião dos PCEs


Declaração aprovada pelos 180 PCEs

Os Presidentes dos Conselhos Executivos reunidos em Lisboa, continuam a manifestar a sua preocupação na defesa da Escola Pública.

A não suspensão do modelo em vigor, proposta em ocasiões anteriores é susceptível de inviabilizar, no espaço da actual legislatura, a construção de um sistema de avaliação de desempenho docente digno e justo.

Conforme assinalámos a seu tempo, a aplicação em curso do modelo de avaliação esgota-se num conjunto de procedimentos de natureza administrativa que não cumprem os princípios e finalidades da avaliação do desempenho dos docentes.

As objecções e as reservas anteriormente manifestadas em relação ao modelo de avaliação estão, assim, a ser confirmadas na prática.

Neste quadro de análise, a leitura da legislação no que respeita à entrega dos objectivos individuais, determina a recusa, pelos Presidentes dos Conselhos Executivos, da adopção de medidas arbitrárias que possam, de alguma forma, penalizar os docentes.

Os Presidentes dos Conselhos Executivos aqui presentes reafirmam a sua total disponibilidade para contribuir na construção de soluções de avaliação do desempenho docente sérias, credíveis e justas.

Por considerarem importante promover a uniformização de medidas – já de si ferida pela adopção diferenciada de procedimentos nos Açores e na Madeira – entendem ser indispensável divulgar e fazer subscrever junto de todas as escolas do País a posição aqui assumida.”

Algumas considerações:

1) Esta declaração, apesar de acrescentar pouco em relação às anteriores, é positiva e merece ser valorizada. Contesta o modelo de avaliação do governo e recusa aplicar medidas penalizadoras para os docentes.

2) A importância da declaração é redobrada pelo facto de vir de um grupo siginificativo de Presidentes de Conselhos Executivos. Na verdade, quer se queira quer não, este grupo está a conseguir ocupar mais espaço político e comunicacional do que o Conselho de Escolas que foi feito à medida das necessidades governo. Ou seja, a ideia de que os PCEs estão do lado do governo já se desvaneceu. E isto não pode ser desvalorizado. A última vez que se ouviu falar do Conselho de Escolas foi quando um grupo de PCEs decidiu demitir-se dele.

3) Acreditamos que a
mensagem que os movimentos entregaram aos PCEs antes da reunião de sábado teve efeito e de alguma forma se reflecte na declaração final, embora ela pudesse ser mais explícita e frontal.

4) Não nos parece útil que os professores optem por uma via excessivamente confrontacional com estes Conselhos Executivos. Obivamente que é salutar criticar muitas das suas opções, como também já o fizémos várias vezes. Mas é preciso perceber que eles estão do nosso lado da barricada e valorizar a importância do seu posicionamento.

5) É óbvio que, sendo uma ajuda de peso, não são estes Conselhos Executivos que derrubarão a política da ministra. É com o regresso às ruas e às lutas, ainda este ano lectivo, que se abrem novas esperanças. As soluções institucionais e jurídicas são importantes mas não resolvem: todos os recuos do governo se deram depois de grandes mobilizações de massas dos professores.

domingo, 22 de março de 2009

180 Executivos dizem que docentes não podem ser penalizados



A bold e com letra maior, as frases que consideramos mais importantes


Notícia da Agência Lusa:


Cerca de 180 presidentes de conselhos executivos debateram a avaliação dos professores e definiram princípios para criar uma associação de dirigentes de escolas públicas, reafirmando que a lei não os obriga a penalizar docentes que recusem entregar os objectivos.

Fernando Elias, um dos porta-vozes do grupo e professor do agrupamento de Escolas de Colmeia, em Leiria, disse à Lusa que o encontro em Lisboa reuniu 180 pessoas, de um conjunto de 1200 presidentes de conselhos executivos.

Desta reunião saiu o entendimento de que a legislação actual “não permite que os conselhos executivos possam praticar medidas que penalizem os docentes” caso estes não entreguem os objectivos.

“Nada na lei obriga à entrega de objectivos”, continuou o professor. Por isso, “não estamos obrigados a aplicar medidas” penalizadoras sobre os professores que não o façam, acrescentou.

Grupo vai estudar propostas de avaliação

Adiando para mais tarde a criação de uma associação nacional de dirigentes de escolas públicas, Fernando Elias disse que foram explicitados hoje os princípios dessa associação e que foi criada uma equipa para estudar propostas na área de um modelo de avaliação para a escola pública.

“Não representamos um movimento de rebelião, mas sim de disponibilidade” para criar uma melhor escola pública, afirmou o mesmo porta-voz, chamando a atenção para o facto de o grupo não representar “nenhum movimento político-partidário”.

“Continuamos a achar que a melhor solução teria sido suspender o modelo de avaliação”, afirmou, notando que “não se antevê que na actual legislatura se consiga implementar o modelo”.

Esse modelo é de cariz “meramente administrativa”, descuidando a componente pedagógica, frisou Fernando Elias.

Os representantes deste grupo de professores, que promoveram outros dois encontros nos últimos meses, já foram recebidos pela ministra da Educação, a quem pediram a suspensão da avaliação docente.

sábado, 21 de março de 2009

Professores indignados com desprezo de dirigentes da UGT


Notícia da Agência Lusa:

A Resolução Programática, com “100 propostas para mudar Portugal”, não perece ter despertado grande interesse na maioria dos congressistas, que deixaram a Aula Magna da Universidade de Lisboa quase vazia durante os trabalhos da manhã.

Os que se mantiveram na sala, maioritariamente representantes de sindicatos de professores, foram, no entanto, suficientes para animar a reunião magna.

Uma delegada ao congresso em representação do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Teresa Rosa, criticou a actuação da UGT, a quem acusou de falta de acompanhamento dos locais de trabalho e questionou sobre o acompanhamento dos delegados sindicais no terreno.

“Os gabinetes não vão aos locais de trabalho por isso é que há quebra de sindicalização”, disse a sindicalista, que integra o Movimento de Unidade e Democracia e Acção Reivindicativa (MUDAR), que tem assumido uma posição critica relativamente a actuação da UGT.

Teresa Rosa lançou a polémica lembrando as moções de solidariedade para com a luta dos professores que o MUDAR – composto pelas correntes minoritárias do SBSI - tem apresentando e que têm sido rejeitadas sucessivamente.

O presidente do SBSI, Delmiro Carreira, respondeu com comentários depreciativos sobre a posição dos professores, afirmou que o congresso não deveria servir para discutir questões internas dos sindicatos e foi fortemente apupado e assobiado.

“Os que estão a apupar são responsáveis pela má criação e é esta má criação que leva muita gente a um beco sem saída. A responsabilidade é vossa”, acusou.

João Proença teve de intervir para lembrar que a discussão era sobre os documentos orientadores da UGT e acusou ”alguns intervenientes de procurar dividir o congresso e de o conseguir”.

O secretário-geral da UGT contestou ainda que o Programa de Acção, em discussão na parte final da manhã, seja apenas um documento de concertação e não de acção.

À margem do congresso, João Proença desvalorizou à agência Lusa, os protestos dos professores no final dos trabalhos da manhã.

“As questões foram marginais e colocadas por um número extremamente reduzido de delegados mas tentou-se colocar aqui alguma divisão nomeadamente relativa aos professores”, disse.

O líder da UGT lembrou que o caderno reivindicativo da UGT, hoje aprovado, “é muito claro na questão da avaliação dos professores”.

As hostes acalmaram durante alguma tempo mas os ânimos voltaram a exaltar-se com a intervenção do dirigente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Educação, Carlos Miguel, que considerou grave que o congresso passasse a mensagem de que “os professores são guardadores de alunos”.

Fortes aplausos fizeram-se ouvir mas, de seguida, perante acusações de má educação da parte de um dirigente da Federação dos Engenheiros, Augusto Guedes, foram os apupos e os assobios que entoaram na sala.

Os trabalhos, já atrasados, foram interrompidos para o almoço, por falta de condições para continuar a discussão.

Descartar responsabilidades é de pouca coerência


Na recente entrevista da Ministra das Educação ao JN (16/03/2009) a questão das eventuais penalizações aos docentes que não entregaram os seus Objectivos Individuais, ajudou a mostrar a verdadeira realidade da força actual de Maria de Lurdes Rodrigues, quando se descarta de responsabilidades e coloca de forma pouco coerente (ou talvez não) a decisão difícil e inaceitável nas mãos dos presidentes dos conselhos executivos ou dos directores já em funções.

É que desta forma, a Ministra procura escapar a mais um embate de consequências imprevisíveis, incluindo jurídicas, que só contribuiria para agravar ainda mais o difícil ambiente em meio escolar. Ao mesmo tempo, com tal “poder” dado aos PCE para castigarem os seus colegas nas escolas, a opção foi mais uma vez, simplificar e atenuar a polémica em torno da Avaliação, porque sabe que só mesmo os mais seguidistas e carreirista se vão atrever, talvez para um protagonismo promissor de fidelidade ao líder partidário, a exercer qualquer poder disciplinar a quem resistiu com coragem a toda a pressão exercida neste processo da Avaliação que a Ministra insiste de que é um dado adquirido.

Toda uma encenação, quando é também de bom senso, os actuais PCE e futuros candidatos a directores, por razões mais do que obvias na captação dos necessários apoios, não se meterem em tais alhadas, nem na “fogueira” que aos olhos da opinião pública parecem terem sido metidos por tais declarações, em que o tom de firmeza e profunda convicção da justeza das politicas seguidas já lá vai. Pelo menos até uma nova conjuntura politica resultante de um ano eleitoral, com que sonham ver renovado o ambicionado poder de legitimar a lógica governativa com que vêm fustigando quem cinicamente olham como tendo memória curta.

José Lopes (Ovar)

Plenário de Professores Contratados


Mensagem dos movimentos de professores aos PCEs


Caros colegas
Presidentes de Conselhos Executivos/Directores,

Os docentes reunidos no Encontro Nacional de Professores em Luta, que decorreu em Leiria no passado dia 14 de Março, aprovaram um voto de reconhecimento aos Presidentes dos Conselhos Executivos que têm demonstrado, nas suas escolas e em reuniões públicas, dignidade e firmeza na rejeição do modelo de avaliação do desempenho e que têm apoiado os professores que se recusaram a entregar os objectivos individuais.

Apesar de todas as manobras de desinformação e de medo, apesar de todas as pressões que o Ministério da Educação tem exercido sobre os professores em geral e, em particular, sobre os órgãos directivos das escolas, é de louvar o facto de haver ainda um número tão significativo de Presidentes de Conselhos Executivos que não receiam manifestar o seu descontentamento perante a forma como a tutela tem tratado os professores deste país e que não hesitam em estar solidariamente ao lado dos colegas que lutam por uma Escola Pública assente em critérios de justiça, de democracia interna, de qualidade e de exigência no desenvolvimento das aprendizagens.

Consideramos, por isso, importante a reafirmação das posições já assumidas quanto à suspensão deste modelo de avaliação do desempenho, dado que essa é uma condição fundamental para a coesão de todo o corpo docente, para a revalorização da sua actividade profissional e para que regresse aos estabelecimentos de ensino um clima de trabalho consentâneo com as exigências a que a Escola Pública tem de responder.

A vossa resistência permanece, para muitos professores deste país, um exemplo de como a consciência daquilo que é justo não está à venda e fala mais alto do que todas as chantagens e todas as tentativas de aliciamento.

Bem hajam por isso.
Em representação dos participantes no Encontro Nacional de Professores em Luta,
APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino)
CDEP (Comissão de Defesa da Escola Pública)
MEP (Movimento Escola Pública)
MUP (Movimento de Mobilização e Unidade dos Professores)
PROmova (Movimento de Valorização dos Professores)

Estamos de luto!


O sentimento generalizado junto de muitos professores é o de estarmos a viver momentos muito tristes. Constantemente perturbados no desempenho da sua actividade, vivemos a insegurança perante um ME de uma insensibilidade que impressiona.

Nunca como agora os professores foram tão desrespeitados e enxovalhados. Olhar à nossa volta e ver as políticas economicistas, a falsidade das estatísticas, o vivermos uma grande mentira. Sabemos que tudo vai mal mas para a tutela basta fazer de conta que está tudo bem.

É enorme a desmotivação, o desalento e a frustração dos professores perante a prepotência, a arrogância, o autoritarismo, a incompetência dos responsáveis pela política educativa do País. Essas cabeças pensantes que têm concebido teorias pedagógicas e impõem leis em catadupa, numa total ausência de sentido democrático e que visam tão-somente a destruição da escola pública e a escola democrática tal como a conhecemos.

O estado da Educação em Portugal é absolutamente preocupante pelo que podemos afirmar que a ESCOLA ESTÁ DE LUTO.

Relembrando a causa que defendemos em 1999, onde milhares de panos brancos enfeitaram as fachadas de prédios e casas por todo Portugal, numa acção simbólica de luta pela paz e pela libertação do povo de Timor-Leste, também devemos assumir uma acção semelhante pela escola
pública.

Coloquemos, desta vez, panos pretos a esvoaçar nas varandas e janelas das nossas casa, simbolizando o luto que vivemos na Educação. E sendo a Educação um dos pilares de qualquer País, então "quase" todos os cidadãos deste Portugal estão de luto. Todos devemos espalhar
esta iniciativa, inspirada numa necessidade repentina e urgente de fazer algo tão simples mas que mostre claramente aos nossos governantes que não queremos fazer de conta que está tudo bem.

Assim, apelamos a todos os receptores desta mensagem que adiram e divulguem, entre todos os amigos e conhecidos, professores ou não, a esta iniciativa, tomando o simples gesto de prender panos pretos ou peças de roupa escuras nas fachadas das nossas casas.

Vamos todos esclarecer aqueles que nos rodeiam, demonstrar que, ao contrário de sermos passivos e submissos, vale a pena sermos cidadãos interventivos. Vamos todos espalhar esta onda!

Helena Goulart e Rosário Cunha
Professoras na EB 2/3 de Olival

sexta-feira, 20 de março de 2009

Esta Avaliação não pode contar para os concursos!


Onze deputados e deputadas (oito do Bloco de Esquerda e mais três independentes - Luísa Mesquita, Pedro Quartin Graça e José Paulo Carvalho) pediram esta sexta-feira a apreciação parlamentar do decreto dos concursos.

No fundamental pretende-se extirpar do decreto dos concursos a contagem da avaliação de desempenho, e portanto, adiar por 4 anos a ameaça da avaliação para efeitos de colocação em concurso.

Lê aqui o pedido formulado pelos 11 deputados

Ciganopositivo


Cartoon de Antero Valério

Um retrato de Margarida Moreira


Entrevista a Fernando Charrua, publicada na revista Visão (19/03/09):

«Após um período de silêncio, Fernando Charrua fala da direcção de Margarida Moreira. Ex-deputado independente pelo PSD, o País conheceu-o por causa de uma alegada ofensa ao primeiro-ministro. Mas o processo disciplinar que Margarida Moreira lhe moveu, em 2007, foi arquivado. Após 19 anos na DREN, regressou ao liceu Carolina Michaëlis onde, há quase dois anos, dá aulas de Inglês. E não cala a revolta.

Como caracteriza a gestão de Margarida Moreira?
Para ela, le pouvoir c´est moi, la loi c´est moi. É repentista e nada ponderada. Acima de tudo, é uma comissária política. E há ilegalidades absolutas, no seu mandato.

De que tipo?
Violando um despacho do secretário de Estado, autorizou, entre 2005 e 2007, requisições de professores para actividade não lectiva no ensino superior. Violou a lei, destacando para uma instituição privada, a Fundação Eça de Queirós, um professor, familiar de uma ex-governante socialista.
Destacou dois professores para a Associação para a Educação de Segunda Oportunidade, em Matosinhos, e outros para a Associação para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos, ambas privadas. Transferiu um estagiário, familiar dela, de uma escola de Coimbra para outra, onde ele não deu aulas. Tudo isto pago por nós.

Porque a acusa de ser uma comissária política?
Ela montou um quartel-general do PS na DREN, onde faz reuniões do partido a propósito de tudo e de nada. Elementos das estruturas do PS no Porto reúnem-se ali, habitualmente. E até as secretárias servem cafés. Uma celebre reunião ocorreu no dia 24 de Maio de 2007, entre as 20 e 30 e as 22 e 30, durante a qual Margarida Moreira abriu um dossiê o meu com tudo o que estava no meu computador, incluindo mails pessoais, que mostrou a um conjunto de gente do PS. Eu estava à porta, mas sei o que se passou.
E tomei nota das matrículas dos automóveis.

Porque só agora faz essas denúncias?
Não o fiz antes, porque estava sujeito ao dever de sigilo.

Considera-a permeável aos interesses partidários?
Qualquer interesse mesquinho de alguém do PS está à partida resolvido. Mesmo que isso signifique ilegalidade. Aliás, ela tem tão pouco cuidado em relação às solicitações que recebe que um dos pedidos de requisição que eu vi, ilegal, era assinado por uma digna representante do grupo parlamentar do PS.
Se for preciso, a seu tempo direi nomes.

Está a falar de "cunhas"?
Não há outra palavra. É completamente permeável a cunhas. Desde que sejam do PS. Ou sirvam para prejudicar quem não pensa como ela.

A DREN está partidarizada?
Ela fez uma purga na DREN. Encheu-a de gente com cartão partidário e influência nas estruturas do PS. Mais: passou os professores requisitados na direcção-regional a técnicos superiores, pertencentes ao quadro da secretaria-geral do Ministério e que não podem ser retirados de lá. A DREN é hoje uma instituição de pensamento único.
Onde ela puser o pé, não cresce relva. Mas está a ser contestada pela grande maioria dos professores do Norte do País. A DREN não é respeitada. Ela decide tudo de forma repentista, em cima do joelho, sem consultar técnicos nem juristas. E aplica duplas penas em processos disciplinares, uma aberração jurídica. Investiguem os papéis e documentos para confirmar o que digo [...]».

Publicado em “O Estado da Educação

Avaliação dos professores e escola pública discutidas no parlamento

O Bloco de Esquerda agendou para esta sexta-feira um debate de actualidade no Parlamento sobre a avaliação dos professores, face à falta de esclarecimentos do ministério da Educação sobre os procedimentos a adoptar neste processo. Eis os vídeos da intervenção da deputada Ana Drago:








Os prós e os contras dos Conselhos Executivos críticos da Ministra


Eis a notícia do JN, comentada por nós no final:

Um grupo de presidentes de conselhos executivos foi esta quinta-feira recebido pelo presidente do Conselho Nacional de Educação. Júlio Pedrosa, garantem, está "preocupado e empenhado" em desbloquear o impasse no sector.

A ministra da Educação admitiu em entrevista ao JN, publicada segunda-feira, que a entrega dos Objectivos Individuais (OI) é determinante para o processo de avaliação e que os conselhos executivos "devem ter margem para decidir sobre a sua escola". A afirmação não foi bem aceite por muitos PCE. Os docentes consideram que Lurdes Rodrigues está a remeter para os conselhos executivos a decisão de instauração ou não de processos disciplinares aos docentes que não entregaram os OI e isso criará disparidades no país, alertam.

"Que a avaliação vai avançar já é um dado adquirido", reconheceu ao JN Isabel Guê, PCE da Secundária rainha Dona Amélia, de Lisboa e uma das organizadoras da reunião de hoje, em Lisboa, no Teatro Aberto, de PCE's de todo o país. "Apesar de não ser o modelo que precisamos, já abrimos mão disso, vamos ser pragmáticos e não vamos incorrer em algum incumprimento", defendeu.

O grupo ontem recebido por Júlio Pedrosa, defendeu ao presidente do CNE e ex-ministro da Educação, não compreender a insistência do ME de uma obrigatoriedade que não existe em nenhum diploma legal e que no ano passado - aquando da aplicação do primeiro modelo simplificado - nem sequer foi "requerida", frisou Isabel Guê. Júlio Pedrosa, garantiu, foi "receptivo". Mais, "não só acolheu bem as preocupações" expressas pelos professores, como estes sentiram que essas inquietações "são partilhadas" pelo presidente do CNE.

"Foi grato sentir que fomos ouvidos com essa credibilidade e dignidade", afirmou Isabel Guê. O pedido de audiência a Júlio Pedrosa foi feito depois de os PCE terem sido ouvidos pelos deputados da Comissão de Educação, há menos de duas semanas, e a resposta e marcação "foi muito rápido".

Rosário Gama, presidente do conselho executivo da Secundária Dona Maria, de Coimbra, garantiu ao JN que irá receber as fichas de auto-avaliação dos seus docentes e avaliá-los "porque estão a cumprir o plano de actividades, mas o PCE de uma escola ao lado poderá não fazer o mesmo", sublinha.

Mais de 150 presidentes de conselhos executivos devem reunir-se amanhã em Lisboa, no Teatro Aberto, para aprovarem uma proposta de modelo de avaliação a entregar ao Ministério de Educação. Os docentes criaram um endereço de email para receberem propostas. "Por estarmos no terreno sentimos o dever de também apresentar propostas e não só fazer críticas", defendeu a professora da secundária de Lisboa.

A possível formalização do "movimento de PCE's, até agora, espontâneo" em Associação Nacional de Directores também irá ser votada pelos docentes.

Os PCE não irão debater medidas de luta, garantiu Rosário Gama. "Não somos sindicatos. Não estamos em luta, temos uma situação para resolver".

Algumas considerações:

1) É importante e salutar que estes Conselhos Executivos, como diz Rosário Gama, não prejudiquem nenhum professor que se tenha recusado a entregar os objectivos individuais. E que exijam que assim seja em todas as escolas.

2) Já não se compreende por que motivo, segundo Isabel Le Guê, estes Conselhos Executivos “abriram mão” de pedir a suspensão deste modelo de avaliação e considerem “um dado adquirido” que a avaliação vai avançar. Com estas afirmações desvalorizam o capital de luta que ainda existe até ao final deste ano lectivo. Na verdade, apesar de não serem sindicatos (como frisa Rosário Gama) nada ganham em desvalorizar o papel que estes, bem como os movimentos, podem ter na contestação a este processo. Aliás, foi graças à luta que a ministra recuou para um modelo simplificado.

3) Compreende-se até que seja difícil, por mais manifestações e greves que se façam este ano lectivo, que o governo venha a recuar mais no seu modelo de avaliação durante este ano. Mas o sucesso de grandes mobilizações até ao final do ano lectivo condicionará o que este ou o próximo governo vieram a fazer no próximo ano lectivo. Ou seja, se acreditamos na suspensão deste modelo de avaliação do futuro, não o podemos deixar de exigir no presente. Não fazê-lo é ingenuidade.

Vê aqui local e logística do encontro de PCEs deste sábado, em Lisboa.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Parabéns aos blogues!


Sem eles, a luta pela escola pública não teria mobilizado tantos professores e cidadãos. Movimentos e blogues foram, são e serão essenciais para gerar activismos, discussão, debate, medidas de luta, propostas e combatividade. Uma riqueza extraordinária que eclodiu com muita força há cerca de um ano.

Foi por altura da grande Manifestação de 8 de Março de 2008, que juntou 100 mil professores em Lisboa, que muitos destes blogues surgiram ou começaram a ganhar grande vivavidade e importância.

Além dos recentes aniversários do Movimento Escola Pública e do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, aproveitamos para dar os parabéns a mais dois blogues, que completaram também agora um ano de existência:

Escola do Presente

O Estado da Educação

Plataforma sindical admite intensificar luta de professores


Os professores ponderam voltar às greves e às manifestações no terceiro período do ano lectivo. Ouve aqui as declarações de Mário Nogueira à RTP.

Pais exigem ao governo mais professores de apoio


Os pais dos alunos da Escola EB1 de Figueira de Lorvão, Penacova, protestaram, esta quarta-feira, contra a falta de professores de apoio. Um abaixo-assinado é entregue na terça-feira na Delegação Regional de Educação do Centro.

O abaixo-assinado, promovido pela Associação de Pais, foi distribuído ontem ao final da tarde à porta da escola, e recolheu cerca de 40 assinaturas. A associação exige a colocação de uma professora de apoio a tempo inteiro, bem como uma tarefeira e uma animadora, considerando que a situação actual não é suficiente. "Foi colocada uma professora de apoio a dar 16 horas, mas por necessidade de serviço está a substituir uma colega por cinco horas, sobrando 11 para apoios", conta o presidente da Associação de Pais, Eduardo Ferreira. Afirma ainda que, para o caso da EB1 de Figueira de Lorvão, seriam necessárias 20 horas semanais, equivalente a duas horas por cada um dos cerca de 10 alunos que precisam de apoio.

Eduardo Ferreira critica o que considera ser "critérios economicistas" do Ministério da Educação. "As mães das crianças dizem que 10 precisam de apoio, mas o Ministério diz que não é nada disso. As mães tratam dos filhos, o Ministério trata dos números", acusa.

Rui Marques tem uma filha de 10 anos na escola, com necessidades educativas especiais, e sublinha que estas não estão a ser suficientes. "Ela tem tido muito pouco apoio, era preciso mais", assegura. A única professora de apoio na escola, prossegue, "dedica-lhe pouco tempo durante a semana, e segundo os especialistas, ela precisava de estar um ou dois dias inteiros com a professora".
Segundo o encarregado de educação, "falta um professor que trabalhe a tempo inteiro com estas crianças", garantindo não ter visto desenvolvimento nenhum na filha ao longo deste ano lectivo. "Ela não sabe ler, e só escreve se copiar", explica.

Situação semelhante vive Graça Costa, mãe de um menino na segunda classe. "Fiquei viúva há dois anos e os psicólogos estão fartos de mandar cartas para a escola a dizer que ele precisa de apoio", conta. Graça refere que o filho "tem dificuldades a Português" e espera que entre uma professora de apoio que dedique mais tempo à escola.

O JN não conseguiu, em tempo útil, obter reacções da DREC.

Notícia daqui

Pedagogia e liberdade


Os desafios que hoje se colocam aos educadores e professores, face às mutações sociais em curso, foi o actualíssimo tema abordado por Philippe Meirieu, na Conferência que teve lugar no dia 17 de Fevereiro na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. Um tema dissecado pelo pedagogo francês, que pôs a tónica na possibilidade de transformar a crise que hoje se vive na educação numa nova oportunidade.

Regressar aos fundamentos da pedagogia, ao “trabalho autenticamente pedagógico” é de algum modo a “receita” (num domínio onde naturalmente não há receitas) de Meirieu, num mundo em que, como é sintetizado na apresentação da conferência, “o desaparecimento de referências comuns e a emergência do individualismo social, a aceleração vertiginosa das evoluções tecnológicas e a ascensão em força das economias pulsionais em todos os domínios colocam os educadores perante desafios totalmente inéditos”.

Em causa está, nas palavras de Meirieu, partir de dois princípios fundamentais: todos podem aprender e crescer; ninguém pode obrigar ninguém a aprender e a crescer.

Agir entre estas duas polaridades – o princípio da educabilidade e o princípio da liberdade - é o trabalho de “bricolage” que se coloca à pedagogia. A pedagogia afirma-se assim como um domínio de complexidade que, ao arrepio de todos os esquematismos, não é nem fatalismo nem voluntarismo, e simultaneamente implica transmissão de conhecimentos e emancipação do sujeito.

Repensar conceitos e práticas

Repensar conceitos (demasiado) genéricos surge aqui como uma necessidade fundamental. Trata-se de redefinir o que são verdadeiramente “os métodos activos”, “o interesse do aluno”, “a personalização das aprendizagens”, “a construção dos saberes”, “a pedagogia da descoberta”, “a avaliação formativa”, “a formação em autonomia”.

Passo a passo, Meirieu alerta para uma abordagem em que “métodos activos” deve pressupor que sejam intelectualmente activos. Em que partir do “interesse do aluno” significa também abrir portas a novos interesses. Mobilizar em torno de tarefas tem como real conteúdo o “fazer ao serviço do compreender”. A diferenciação pedagógica deve corresponder a “abrir o leque de possibilidades”. A aprendizagem não se deve resumir à aquisição de competências. O “aprender a aprender” se deve processar “aprendendo alguma coisa”. Ou ainda a “avaliação formativa” não implica abandonar a exigência.

Num momento em que alguma confusão marca as próprias funções da escola, o pedagogo francês sublinha que a necessária resposta a questões sociais precisas não deve levar a escola a abandonar a perspectiva universalista, ligando o particular ao universal. Na perspectiva de que a cultura é “deitar abaixo os muros”.

Dom, ciência, arte?

Recusando, à partida, definir a pedagogia como um dom, Meirieu considera também não se tratar de uma ciência. Porque pedagogia é “trabalhar com pessoas”, o que envolve “fazer diferente do previsto”, improvisar, o que põe em causa o rigor do método científico.
Tão pouco será uma arte. Antes uma “arte de fazer”. É, de certo modo, na “bricolage” que se opera entre os dois pólos – o princípio da educabilidade e o princípio da liberdade -, no ligar e diferenciar, na transmissão de cultura, que a pedagogia se afirma.

Artigo da Revista do SPGL “
Escola Informação