segunda-feira, 11 de maio de 2009

SPGL promove espectáculo musical


“No dia 2 de Maio, o SPGL fez 35 anos! Neste período já relativamente longo afirmou-se como o maior e o mais combativo sindicato dos docentes portugueses, como pilar das conquistas profissionais e laborais que os docentes portugueses inequivocamente foram ganhando através de porfiadas lutas, tendo sido sempre capaz de superar momentos mais adversos que sempre existem nos processos sociais.

Entre outras iniciativas, o SPGL comemorará este seu aniversário com um ESPECTÁCULO MUSICAL no próximo dia 14 de Maio, no Fórum Lisboa, às 21 horas. A primeira parte será preenchida por um concerto com a exímia guitarra de Pedro Caldeira Cabral e seus acompanhadores – um espectáculo de elevadíssima qualidade, como aliás já mostrou em outro aniversário do SPGL. A segunda parte contará com a qualidade garantida de Jorge Palma.

Os sócios do SPGL pagarão 10 Euros pela entrada neste espectáculo. Contacte já o SPGL, na sede, delegações ou através dos delegados sindicais da sua escola/agrupamento. Ou ainda através de direccao@spgl.pt. Não se esqueça que a lotação da sala é limitada!

A Direcção do SPGL”

domingo, 10 de maio de 2009




Para Pais & Educadores: Magalhães - Urgente Saber


Vários estudos demonstraram que a utilização de Computadores nas fases mais tenras da infância não só não trazem benefícios como comprometem em larga medida o desenvolvimento equilibrado e harmonioso das crianças. Não acrescentam nenhum benefício ao rendimento escolar dos alunos. Já existem vários estudos, com pelo menos 10 anos, que revelam isso. Seguem-se alguns excertos de um apanhado desses mesmos estudos.

“O que é que um colossal projecto industrial de montagem e exportação de minicomputadores tem a ver com a nossa atribulada educação infantil? Porque sobrecarregar professores com tarefas administrativas estranhas à profissão? Como é que servidores do Estado, colocados nas mais diversas posições, puderam transformar-se em verdadeiros agentes de vendas? Que autoridade humanística e pedagógica tem um consórcio industrial internacional para vir instruir os nossos pais e professores quanto ao tipo de ensino robotizado que se pretende implantar entre a nossa infância? Que negociatas gigantescas estarão em curso – sob a respeitosa máscara da "educação" – para realizar lucros de milhões com conexões de internet, manutenção e reparação de milhares de computadores, mais as vendas de softwares, impressoras, acessórios, etc.? Será justo acorrentar a próxima geração portuguesa ao potentado exclusivista do sistema operacional Microsoft? E será de admitir como legítima a invasão da esfera familiar e infantil pela publicidade magalhânica, que já começou a promover coisas como «Ganha um iPhone 3G» ou «Ganha um Nintendo DS Lite»?”

“…é constatar que se trata realmente de uma iniciativa perfeitamente caduca, esvaziada de fundamentos pedagógicos, e que há quase 10 anos já demonstrou resultados catastróficos na Europa e na América. O efeito dos minicomputadores para a deformação das personalidades infantis, bem como para o empobrecimento do contacto humano entre professores e alunos, é algo que já foi estudado em profundidade em inúmeras comunidades escolares e universidades em todo o mundo, revelando resultados assombrosos. “
“…não havia qualquer resultado que mostrasse um impacto positivo dos computadores sobre o rendimento escolar dos alunos.”
“…a exposição prematura de crianças a programas audiovisuais, computadores, vídeos, etc. só pode produzir o aparecimento de uma geração de crianças hiper-estimuladas e posteriormente deficitárias em termos de capacidade de concentração.”

E Se Passar Tudo Para as Autarquias?

Um Professor é afastado do seu cargo de Coordenador porque não esteve gente suficiente na inauguração de uma biblioteca escolar. Outro professor é suspenso porque o filho de um Autarca se magoou numa actividade escolar dinamizada por este. Coisa perfeitamente normal, acontece, e não teria tido quaisquer outras consequências se se tratasse do filho de um outro qualquer pai.

São episódios que permitem levantar um pouco o véu do que vai ser o futuro nas escolas, quando o ensino estiver totalmente entregue aos Directores Escolares e aos Dirigentes Políticos. Quer Autarcas quer Ministério, com poder para admitir e demitir Directores ao seu bel-prazer e interesses pessoais ou políticos.

A Democracia está a escapar-se-nos por entre os dedos. Com uma agravante de que não é facto assumido explicitamente, como o era antes do 25 de Abril.

Cidadãos, professores e não professores, urge abrir os olhos e lutar contra este sistema que nos afasta cada vez mais de uma sociedade igualitária e justa.

Na rua, em manifestações, nas eleições, nas lutas sindicais, pois isso ainda não nos roubaram. Na denúncia de acontecimentos como estes. De outra qualquer forma aceitável.

A cantiga é uma arma, canta José Mário Branco…não resisti a deixar aqui os versos de uma outra, escrita há muito tempo. Infelizmente muito actual.

Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
Tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
Ai rios do meu país
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
Quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
Direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
Vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
Só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
Se notícias vou pedindo
Nas mãos vazias do povo
Vi minha pátria florindo.
Manuel Alegre


Silvana Paulino do MEP

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um modelo de gestão à medida da ministra


Dá para acreditar? Ainda ontem aqui postámos “A vocação inquisitória do Partido Socialista” e hoje fomos brindados com mais um belo exemplo dessa vocação.

Então não é que um professor coordenador da Escola de Serrinha, em Quinchães, Fafe, foi demitido pelo director da escola porque o Presidente da Câmara se queixou que estava pouca gente na inauguração da biblioteca escolar?

E o Director, já nomeado de acordo com o novo modelo de gestão, justifica assim a decisão: “Nomeio pessoas da minha confiança e decidi trocar aquele coordenador”. Pois, dantes os coordenadores eram eleitos pelos professores.

A denúncia foi feita pelo Bloco de Esquerda. Para Ana Drago, “o que está em causa é a aplicação do novo modelo de gestão das escolas que dá poderes totalitários ao director, de nomear e destituir coordenadores a seu bel-prazer”. E esclarece: “Percebemos agora que as escolas vão ser instrumentalizadas para as diferentes inaugurações e que os directores não devem zelar pela qualidade educativa mas têm de arregimentar pessoas para inaugurações de bibliotecas escolares.

Igualdade nas escolas


Das 28 escolas a nível nacional que aderiram ao projecto “Agir para a Igualdade nas Escolas”, entre os anos lectivos de 2007/08 e 2008/09, sete são madeirenses. A iniciativa, integrada no projecto Equal, promovido pela CGTP-In, foi ontem abordada no workshop regional do referido projecto nas escolas. Tem por fim promover a igualdade de géneros nos estabelecimentos de ensino e, na Madeira, participam seis escolas do 2º e 3º ciclos do ensino básico e uma do ensino secundário. Vê a notícia no Jornal da Madeira

Na Secundária José Macedo Fragateiro, Ovar


(foto de José fragateiro)

O saudoso pedagogo, humanista e democrata, combatente das liberdades, politico honesto e tolerante, como foi, José Macedo Fragateiro, falecido em 1991, que já alguns anos viria a ser justamente homenageado como Patrono da Escola Secundária N.º1 em Ovar, em que foi professor e presidente do Conselho Directivo durante onze anos. Não merecia que o Dia do Patrono da Secundária José Macedo Fragateiro, assinalado no dia 7 de Maio, se transformasse num palco de protagonismo para personagens de governantes tão intolerantes para com as gerações actuais de professores, sujeitos às infâmias e arrogâncias dos responsáveis pela Educação neste país, que o viu nascer a 7 de Maio de 1918 em Portel, Alentejo.

Considerado “um idealista e um sonhador” Fragateiro, foi preso pelo regime salazarista e partilhou a cela em Caxias, com figuras, como, Mário Soares e Salgado Zenha. Em Ovar em que se viria a radicar, fundou a primeira célula do Partido Socialista local, e apesar de socialista, ainda que incompreendido até á sua morte, a dignidade do homem íntegro que marcou várias gerações de alunos, exigia que ao seu nome, como Patrono da Secundária, não ficasse associado à imagem de marca da governação Sócrates, como são as propagandeadas Novas Oportunidades, que a Ministra da Educação, veio entregar uns certificados aos alunos.

Felizmente que há quem não se cale e resista, como os professores que junto à escola, com peças de roupa preta, fizeram um simbólico cordão humano, bem como a leitura de um texto feita por uma docente desta Secundária, em que era lembrada a figura do pedagogo, José Macedo Fragateiro, que, não terão dúvidas, estaria ao lado dos seus colegas nos momentos difíceis que estão a viver no quadro actual, e se manifestaria certamente contra a politica de ataque à escola pública que vem sendo desferida, de que resulta o fantasma do medo.

Do “programa” fez ainda parte a actuação do Grupo Coral da própria Secundária José Macedo Fragateiro, Canto Décimo, formado essencialmente por professores, que começou por receber a Ministra com “Conta-me um conto…” de João Lóio, em que fala da “bruxa malvada”, terminando de forma empolgante, com a força musical de, a “Jornada” de Lopes Graça, que fez cantar em coro, “unidos como os dedos da mão…, havemos de chegar ao fim da estrada…”. Uma marcante jornada, que a Ministra não vai esquecer na sua passagem por Ovar, onde foi recebida com “letras” de indignação, em memória do Patrono, José Macedo Fragateiro.

José Lopes (Ovar)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sessão Pública “Escola e Exclusão"


16 de Maio, 15h, Setúbal
(Auditório do IPJ, Largo Zeca Afonso)

Oradores
Isabel Guerra
Professora catedrática de sociologia (ISCTE)
Maria José Simas
Professora na Escola D.João II
Diogo Fazenda
Psicólogo
Cecília Honório
Professora, Movimento Escola Pública


A escola inclusiva é uma aquisição da linguagem, que resulta de um consenso e tende à banalização. Sob a banalização, porém, é cada vez mais urgente perceber e saber:- quem são os “incluídos” e os “excluídos”?- que velhas e novas formas de exclusão perduram sob o silêncio do dado adquirido de que a escola pública não exclui?

Esquecidos, os “outros”, numa cultura escolar dominantemente orientada para um aluno-padrão.

E o que faz a escola com as crianças e jovens cujo contexto familiar e social diverge totalmente da linguagem escolar? Com aqueles que não encaixam nos modelos e estereótipos que a escola espera? Os que não têm livros nas prateleiras, mães escolarizadas e pais bem sucedidos; os que, cada vez mais, não têm de comer, não têm transporte, não têm livros. Ou aqueles/as que, oriundos/as de países de língua oficial portuguesa, ou filhos de pais daí oriundos, são penalizados/as pelo português que não é o padrão da cultura escolar… ~

E tantos outros/as sobre os quais a escola pública e democrática não só não pode esquecer como deve lembrar todos os dias para se poder reclamar destes atributos.

Com poderemos agir para contrariar esta situação? Para impedir que se percam todas estas crianças e jovens? Que formas teremos de encontrar para actuar sobre, de maneira a alterar este estado de coisas?

Esta forma de discriminação, a mais difícil de combater, não é óbvia e a resolução deste problema implica o seu reconhecimento e investimento em várias áreas. Implica a mobilização de recursos humanos e materiais e não apenas os presentes nas escolas. Porque não é só um problema escolar e sim da sociedade no geral.

Questões que poderão ser abordadas:

- Ensino Profissionalizante (ex: CEF´s): oferta escolar alternativa ou oferta de refugo que reduz a igualdade de oportunidades?

- Os mecanismos de apoio (acção social, por exemplo) e o papel da escola: a centralidade da resolução dos problemas está na escola ou na sociedade?

- Os níveis de proficiência de língua e a relação com o sucesso; Multiculturalismo e multilinguismo?

- Os/as profissionais da educação estão preparados para lidar com os/alunos que fogem ao padrão?- As escolas podem/devem seleccionar os/as alunos/as, nomeadamente criando turmas de nível?
- Quais os custos da retenção? É ela uma solução?

A vocação inquisitória do Partido Socialista


O governo do PS usa descaradamente a manipulação das estatísticas e a propaganda como armas de arremesso. Fê-lo com os números do insucesso escolar e com os relatórios da OCDE que afinal não eram da OCDE. Depois, veio dizer que os alunos andavam a faltar menos graças ao novo Estatuto do Aluno. Cozinham-se os dados e distribuem-se os méritos pelos mesmos: o que corre bem é sempre graças ao governo, do que corre mal não se fala.

Mas eis que alguém tem a coragem de dizer que não é bem assim. Foi o que fez Rosário Gama: “os alunos não estão a faltar menos" porque "há maior tolerância dos professores em relação à marcação de faltas" para evitarem levar os alunos à prova de recuperação.

Tamanha ousadia! Declarações perigosíssimas! E uma equipa da Inspecção Geral da Educação vai à escola de Rosário Gama saber se os professores estão mesmo a facilitar na marcação de faltas. Reparem bem, é que o procedimento é bizarro. Se fulano tal disser que há por aí muitas lojas a serem assaltadas, será que a polícia o vai investigar para saber se ele anda a assaltar lojas no seu bairro?

Mas eis que a Inspecção Geral da Educação não encontra nenhuma irregularidade na Escola Infanta Dona Maria. Nenhuma. (Mas há forma de provar uma maior tolerância na marcação de faltas? Quer o governo pôr um polícia em cada sala de aula, atrás de cada professor e de cada aluno?). Palavra que isso deve ter enfurecido o PS e os seus muchachos. Então, agora que tinham uma oportunidade de ouro para descredibilizar uma das figuras mais críticas das políticas do governo na educação, logo agora, a IGE não encontra irregularidades?

Não pode ser! As coisas não podiam ficar assim. E por isso, mesmo sabendo que não existiam irregularidades, um grupo de deputados do PS decidiu massacrar Rosário Gama com perguntas intimidatórias. Com um único objectivo: “já que na tua escola os professores marcam as faltas que têm de marcar, por que motivo vieste dizer que em geral os professores não marcam as faltas que têm que marcar? Tu vê lá se desmentes o que andaste a dizer à comunicação social!”

Não foi só Rosário Gama o alvo, mas também Isabel Le Gué, e provavelmente muitos outros.

A vocação inquisitória do Partido Socialista tem vindo demasiadas vezes à tona. Ontem, também foi a vez dos deputados do PS impedirem a audição da ministra da Educação sobre interrogatórios feitos pela Inspecção-Geral da Educação a alunos da Escola Secundária de Fafe que se manifestaram contra Maria de Lurdes Rodrigues. Nestes interrogatórios, contam pais e alunos, os jovens terão sido apertados para denunciarem professores.

A estratégia do PS é simples e bruta: chateia quem se te opõe, protege quem te faz o serviço.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Manifestação é no Marquês de Pombal às 15h


A onda vai crescer até ao dia 30. O local escolhido para ponto de encontro mostra a confiança necessária para mais uma grande mobilização dos professores.

Vale a pena continuar a lutar, e ora vejam porquê:

Duas grandes manifestações, duas greve sem igual, forçaram o governo ao Simplex 1 e ao Simplex 2...

Este é o ano em que este modelo de avaliação está em fase de experimentação.
É preciso continuar a lutar, para que no próximo ano lectivo este modelo de avaliação já não esteja em vigor e o Estatuto da Carreira Docente seja alterado.

As dezenas de milhares de docentes que não entregaram os objectivos individuais e os professores que os entregaram (muitas vezes no limite do tempo, com amargura e sentido-se acossados), não mudaram de opinião em relação ao que é essencial:Esta avaliação e este Estatuto da Carreira Docente não servem o interesse dos docentes, da escola pública, dos alunos e da educação.

No que importa estamos unidos: Todos à Manifestação dia 30 de Maio!

A batalha jurídica não assusta o governo, a manifestação sim!


Já aqui o tínhamos dito: a batalha jurídica é importante mas não é determinante para vencer esta luta.

Há decisões de tribunais que favorecem os professores, há outras que agradam ao governo. O último episódio foi a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, que considera ilegais as orientações que o Ministério envia para as escolas mas que, no meio do acórdão, reconhece que a entrega dos objectivos individuais é obrigatória. A Fenprof esclarece a confusão e realça que o que tem validade é o objectivo incial da providência cautelar.

Mas a verdade é esta: o governo tem a faca e o queijo na mão quando se trata de recorrer à justiça. Ou se muda a lei, ou se alega interesse público, ele há mil formas de tornar irrelevantes as decisão de um tribunal contra o governo.

Obviamente, a razão pela qual o governo não vai penalizar os professores que não entregaram os objectivos individuais é outra: são muitos os professores que resistiram e o governo não tem força política nem se quer meter na alhada de desatar a penalizar os professores desobedientes.

No meio disto tudo, o governo já só quer salvar a face e dizer que alguma coisa que dá vagamente pelo nome de avaliação foi feita, independentemente de os mais informados saberem que ela é uma farsa.

E o governo sabe que não pode mais, porque ficou realmente assustado com as espantosa capacidade de mobilização dos professores. É disso que eles têm medo. Porque é isso que os enfraquece a sério e que fortalece os professores.

Se dúvidas houvesse, ora veja-se as declarações do Secretário de Estado Jorge Pedreira. Está indignado por os professores marcarem uma manifestação, ainda por cima muito perto das eleições. Pois é. Dói. E vai doer muito mais se a manifestação for um sucesso. Está nas mãos dos professores, tenham ou não entregue os objectivos individuais.

A manifestação é de tod@s, isso é que os assusta!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Unir os professores, voltar à rua com toda a força


Em breve o Movimento Escola Pública disponibilizará vários materiais para ajudar à convocação da manifestação do dia 30 de Maio. Este novo protesto de rua traz inegáveis vantagens:

- pode e deve voltar a unir os professores, tenham ou não entregue os objectivos individuais
- encosta o governo à parede numa altura sensível, em plena campanha eleitoral
- mantem viva a luta dos professores pela escola pública
- se a sua dimensão for razoável, poderá obrigar a um recuo deste ou do próximo governo, em relação ao modelo de avaliação de desempenho ou mesmo a questões mais de fundo. Não esquercer que as manifestações anteriores obrigaram o governo a desenrascar-se com dois simplexs.

O Movimento Escola Pública apela a todos os professores e professoras que iniciem desde já a mobilização de colegas para este protesto crucial. Ficar em casa é deixar tudo na mesma, ir à manifestação, mesmo que não garanta uma vitória na mão, é arriscar um destino diferente e melhor.

A este respeito, reproduzimos aqui, dois posts da blogosfera a ler com atenção:

Do ProfAvaliação:

(...) Os 5 meses que se avizinham vão ser determinantes para o sucesso da luta dos professores. Esse sucesso depende dos resultados das eleições legislativas. Mas os resultados das legislativas começam a desenhar-se já em Junho. Os professores podem dar um contributro para aprofundar a dinâmica de derrota do PS. Só uma derrota do PS pode conduzir ao fim da divisão da carreira em duas categorias e a um modelo de avaliação de desempenho simples, justo e não burocrático. A melhor forma de os professores darem esse contributo é através da unidade entre sindicatos, movimentos e bloggers com influência nos professores. Se os professores mostrarem que estão divididos, a máquina de propaganda do Governo saberá explorar essa situação a favor do PS. É por isso que é estrategicamente importante a união da Plataforma Sindical. E a opção pela realização de um dia de luto nacional e de uma manifestação em Lisboa, no dia 30 de Maio, teve que ver com a necessidade de manter a Plataforma unida. Uma Plataforma Sindical desavinda seria, de imediato, explorada por Jorge Pedreira e pelo PS. Sindicatos, movimentos e bloggers têm uma responsabilidade social: unir e não dividir. Pode-se usar o direito à crítica e à divergência sem utilizar uma linguagem agressiva para com as forças que apostam na unidade. É isso que se espera de pessoas responsáveis e eu estou em crer que todos percebemos isso e vamos dar o nosso melhor para que tal suceda. Como desejo contribuir da melhor forma para o desgaste do PS e para o fim da maioria absoluta do partido que quis esmagar e domesticar os professores, vou participar com o meu habitual entusiasmo na manifestação do dia 30 de Maio e apelar à maior mobilização possível de docentes.

Do ProfsLusos:

Agora a sério, eu sei que estas iniciativas da Plataforma, «souberam a pouco», mas não podemos desistir agora. Se pensarem bem, a esta altura do «campeonato», não daria para fazer muito mais. Tudo (ou quase tudo) o que fugisse do que foi anunciado, estaria condenado ao insucesso ou então a um sucesso insignificante. Bem me apetecia «radicalizar», mas olhem bem à vossa volta e tirem conclusões... Acham mesmo que uma greve por tempo indeterminado teria adesão por parte da maioria dos colegas? Pensem nisso.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Marcada manifestação para 30 de Maio




Notícia Lusa/Diário Digital:

A Plataforma Sindical de Professores agendou hoje uma manifestação nacional para dia 30 e paralisações de dois tempos lectivos (90 minutos) para dia 26 para protestar contra as políticas educativas do Governo.

Em conferência de imprensa, o porta-voz da plataforma que reúne 11 sindicatos do sector revelou que das 1400 reuniões realizadas nas escolas nas duas semanas de consulta aos docentes, no final do mês passado, “destacou-se um clima de grande insatisfação e profunda indignação dos professores”.

“Os professores e educadores portugueses mantêm um profundo desacordo face às políticas educativas do actual Governo, ao desrespeito que a equipa do Ministério continua a manifestar pelos professores e pela escola pública, e desejam uma mudança profunda do rumo dessas politicas, pretendendo deixar desde já um forte sinal nesse sentido também ao próximo Governo”, afirmou Mário Nogueira.

Assim, os professores exigem “uma verdadeira revisão do Estatuto da Carreira Docente” que elimine a divisão da carreira em duas categorias (professore e professor titular), que revogue a prova de ingresso e que acabe com as quotas para a atribuição das classificações mais elevadas da avaliação de desempenho.

Vê aqui por inteiro o comunicado da Plataforma Sindical

Comentário:

O Movimento Escola Pública congratula-se com esta decisão que uniu toda a Plataforma Sindical. Agora é hora de começar a mobilização e vamos empenhar-nos a fundo nela. Nenhum professor pode baixar os braços, tenha ou não entregue os objectivos individuais. Todos juntos temos força para fazer frente a este governo. Faltam 25 dias para o dia 30: começa a contagem decrescente para os professores provarem que vale a pena lutar pela escola pública.

Plataforma sindical anuncia hoje calendário de luta


A conferência de imprensa está marcada para as 15h. Serão anunciadas as medidas de luta a desenvolver ainda este ano lectivo.

O Movimento Escola Pública tem defendido a importância de uma nova manifestação nacional, sendo que a data de 30 de Maio nos parece a mais adequada (ver os posts aqui e aqui)

Seja qual for a decisão dos sindicatos, a verdade é que os professores estão prestes a voltar à luta, e é preciso que o façam com todas a suas forças, sem ressentimentos, e voltando a unir todos e todas, os que entregaram e os que não entregaram os objectivos individuais. Encostemos, pois, o governo à parede.

Esta luta é de
todos e todas, braços bem levantados!

O Partido e o Estado


Cartoon de Antero Valério

sábado, 2 de maio de 2009

Desobediência pedagógica: uma luta inovadora


Com a gigantesca onda de indignação que foi atingida entre os professores em Portugal a ter tendência para se transformar numa doentia frustração, de quem não se sente, ter sido levado muito a sério, mesmo tendo atingido na prática e em grande parte dos objectivos iniciais do Governo e do Ministério da Educação, o fiasco quase total da tentativa de imposição do modelo de avaliação do desempenho dos docentes, segundo os critérios burocráticos e atrofiantes da vida da escola. Entre as perspectivas de resposta e reacção ao estilo de politica, que faz de conta que nada se passa de anormal das escolas, uma luta inovadora parece chegar de França, em que os professores recorrem à desobediência pedagógica.

Afinal as razões dos profissionais da educação franceses, sobre a redução de apoios especializados aos alunos com dificuldades, que por decreto ministerial viram acrescentar duas horas por semana aos “maus alunos” na primária, não deixa de ser apenas mais um dos factores do mau estar que se vive na escola pública, que também por cá o Ministério recorre e intensifica a proletarização dos docentes e a sua precariedade, para além das consequências ao nível da estigmatização dos alunos a quem lhes é retirado o devido direito a apoio especializado numa lógica economicista.

Tal como acontece para lá dos Pirenéus, quando por cá os professores se derem conta, de que para alem de todas as acções e tipos de iniciativas já desenvolvidas, de resistência às políticas que pouco dignificam a educação, ainda podem experimentar a desobediência pedagógica. Certamente, que uma nova fase de indignação será estimulada, fazendo acreditar, que apesar de todas artimanhas, com medidas legislativas aplicadas cirurgicamente, ainda há imaginação suficiente para contrariar tal ofensiva neoliberal. Assim haja coragem, como começaram por fazer os colegas franceses, de se negarem, mesmo individualmente, a aplicarem um decreto ministerial, porque a repressão só fez crescer o movimento insubmisso.

José Lopes (Ovar)

Alunos também se manifestaram em Santo Onofre


“Se tivermos um problema, a quem nos queixamos?” Esta foi uma das perguntas que os estudantes da Escola Básica 1,2,3 de Santo Onofre fizeram na manifestação que levaram a cabo no passado dia 22 de Abril em frente à escola. Pergunta que ficou sem resposta, pois mais uma vez a recentemente empossada Comissão Administrativa Provisória (CAP) não apareceu.

Vê a notícia na Gazeta das Caldas

Objectivos individuais: Tribunal volta a dar razão aos professores


O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decretou a suspensão das orientações do Ministério da Educação para os Conselhos Executivos das Escolas, relativamente às consequências da não entrega dos objectivos individuais.

Vê a nota do secretariado da Fenprof