segunda-feira, 22 de junho de 2009

O rumo com pó de arroz


O rumo, a direcção, o ângulo da quilha do governo, não vai mudar até às legislativas. Sócrates é outro timoneiro de convicções, e naufrágios. Mas os berloques retóricos das últimas entrevistas e os retoques de pó de arroz nos ministros que mais água meteram são evidentes.

E poderá a "humildade democrática" abafar a palavra que mais consenso gerou o absolutismo da maioria, a arrogância? Se a arrogância não tivesse números e nomes, os do desemprego, da precariedade, do medo que se instalou nas relações laborais, das clientelas, dos apetites privatistas e gerencialistas dos serviços públicos, seria tudo mais fácil.

Humilde, porventura, Sócrates diz que errou na avaliação demasiado burocrática dos professores. Maria de Lurdes Rodrigues reaparece no palco. O governo abre-se para a manutenção do simplex dos simplex. Razão para perguntar: deixaram de querer ser desesperadamente modernos à conta da avaliação dos professores ou aceitam que, farsa por farsa, o melhor é deixar andar?

Estas são questões menores, e por o serem é que estes políticos são tão pouco credíveis, e tanto menos credíveis quanto mais maquilham as absolutas convicções de ontem. As razões de Sócrates são muitas: precisa dos "votozinhos" para as próximas eleições, precisa de segurar Maria de Lurdes Rodrigues, se o futuro o permitir, e precisa de fazer da avaliação de desempenho o único fundamento da indignação de todos/as os/as professores/as, convencido que em política a memória é curta.

E enquanto o governo assobiar com o simplexíssimo não precisa de levar a sério o que até o Conselho Científico para a Avaliação dos Professores conseguiu concluir: que as escolas vivem climas de intimidação e de medo, que as relações entre pares se deterioraram, que nada disto fez bem à escola pública.

E enquanto armadilharem com pó de arroz o que fizeram à escola pública, e àqueles e aquelas que são o seu rosto, podem branquear as questões de fundo: a autocracia da nova gestão, a divisão arbitrária e incompetente entre professores de primeira e de segunda, a precariedade humilhante de milhares de profissionais, etc. Dá-lhes jeito, portanto, mas nem à escola pública nem aos alunos/as, nem às famílias, nem aos profissionais de educação "deu jeito" a política educativa deste governo. E porque nada disto se pode esquecer, estará tudo em cima da mesa no arranque do próximo ano lectivo.

Artigo de Cecília Honório, no Esquerda.net

domingo, 21 de junho de 2009

Parece que o ME ainda não compreendeu...



Professores portugueses perdem muito tempo a manter disciplina na aula - Bárbara Wong

Os professores portugueses perdem muito tempo na sala de aula até conseguir o ambiente de aprendizagem ideal, confessam num inquérito feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), realizado no ano lectivo de 2007/2008. O estudo Criar Ambientes Eficazes de Ensino e Aprendizagem feito em 23 países através de questionários a docentes do 3.º ciclo do ensino básico foi divulgado ontem, no México.

Segundo o relatório, três em cada cinco escolas dizem que o mau comportamento dos alunos perturba o bom funcionamento da aula. Portugal não é excepção e os docentes confessam que 25 por cento do tempo lectivo é para manter a disciplina ou é gasto em questões administrativas. É o quinto valor mais baixo entre os países analisados, no entanto, a média geral é de 20 por cento. Este é um problema com que os professores, todos, se debatem.

Em Portugal, os professores são cumpridores, não chegam atrasados, faltam pouco e têm boa preparação pedagógica, declaram os 200 conselhos executivos que responderam. O problema são os alunos, dizem os professores. Quatro em cada dez admite que as interrupções dos alunos quebram o ritmo da aula.

É o comportamento dos estudantes que prejudica a aprendizagem, sublinham. Para 69,1 por cento dos professores o problema são os distúrbios na sala de aula (a média internacional é de 60,2 por cento); o absentismo e o chegar atrasado corresponde a 50,8 e a 40,8 por cento das respostas. Os profissionais preocupam-se ainda com o facto de os alunos dizerem asneiras (42,8 por cento) ou intimidarem os colegas (28,4 por cento). Os roubos (23,3), vandalismo (20,5) e agressões (19,2) também fazem parte das suas preocupações.

Faltam incentivos

A nível internacional, três em cada quatro professores sente que não têm incentivos suficientes para melhorar a qualidade do seu ensino. Os portugueses, ao lado dos espanhóis e dos húngaros, estão entre os que admitem que não conseguem ser bem sucedidos com os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem ou pouco motivados. Ao passo que nove em cada dez italianos, noruegueses ou eslovacos declaram que, com persistência, conseguem o sucesso dos alunos.

Um ambiente positivo está associado a mais aquisições e a mais aprendizagem, reconhecem os docentes. "O êxito das políticas de educação depende fortemente da existência de professores de elevada qualidade", defende Angel Gurría, secretário-geral da OCDE. Por isso, o relatório recomenda que se aposte na formação contínua; aliás, os inquiridos admitem que quanto mais formação têm, melhor sabem gerir os problemas na aula e na escola. Nove em cada dez professores, a nível internacional, apostam na sua formação, nem que seja um dia, por ano lectivo. Contudo, a grande maioria, professores portugueses incluídos, não se sente reconhecido. Aliás, os nacionais fazem parte dos poucos profissionais que declaram que nos últimos cinco anos, anteriores ao inquérito, não foram avaliados externamente.

A OCDE defende que "a principal lição política" a retirar deste estudo é que os ministérios têm que prever incentivos "mais eficazes" para os professores, recompensando-os e reconhecendo o seu trabalho. Além disso, devem olhar menos para o controlo dos recursos e conteúdos educativos e mais para os resultados da aprendizagem. Em comunicado, o Ministério da Educação congratula-se com a avaliação do desempenho dos professores e a gestão escolar e considera que as recomendações da OCDE confirmam "a centralidade e a premência das reformas introduzidas".
Fonte: Público


Esta equipa ministerial foi uma anedota completa... e ainda não pararam. Tudo o que fizeram nestes 4 anos contraria precisamente as recomendações da OCDE... mais palavras para que? Só eles ainda não perceberam ou não quiseram perceber.


Retirou a autoridade aos professores, foi fonte de grandes perturbações e desmotivação. Denegriu a sua imagem, tendo por base factos que não correspondiam sequer à verdade, entre muitas outras coisas negativas. Todas elas nos afastaram do caminho de um bom ensino público e...destas recomendações.


Preservar os escombros


A Ministra não tem força para defender o seu modelo de avaliação. Admite manter a versão simplificada até 2011. O Conselho Científico para a Avaliação admite inúmeras fragilidades no modelo do governo e na sua implementação, apesar de o continuar a defender. O desastre é tão grande que até um órgão domesticado pelo governo não conseguiu deixar escapar cá para fora tantos erros graves.

Na verdade, provavelmente a casa já veio mesmo abaixo e do que se trata agora é apenas de manter os escombros. O governo prefere manter a farsa – uma avaliação baseada na assiduidade e totalmente desligada da pedagogia e da formação – do que esquecer o seu modelo e partir para a construção dialogada de algo novo, sério e capaz de servir a escola pública. Disso, há muito que desistiu.

A burocracia autoritária outra vez


"São 9h e o cenário ocorre numa escola secundária da influência DREN. Os exames começam, sendo um deles de uma lingua estrangeira. Está presente o inspector para confirmar os procedimentos correctos que devem ser adoptados.
São 9h30m e numa das salas de exame de lingua estrangeira, um dos vigilantes passeia pela sala 'apinhada' com 3 alunos, folheando o enunciado da prova. O inspector que no momento passava, entra na sala e questiona que documento transporta na mão; o professor mostra o enunciado. O inspector, ainda dentro da sala e á frente dos alunos, admoesta o docente por ter a prova na mão; o docente questiona sobre qual o erro cometido e obtém a resposta de que está a quebrar o sigilo da prova...!

A gravidade da situação reside na falta de sensibilidade do inspector em não perceber que estava a transtornar os alunos num momento critico da sua vida escolar, com minudências burocráticas que em nada afectavam o normal funcionamento do sistema, e que se queria admoestar deveria fazê-lo fora da sala ou no fim do exame. Ou seja, deu mais importância a uma acção repressiva do que à criação de um ambiente tranquilo para os alunos.Será que o estilo socrático autoritário também já chegou à inspecção da educação?"

Agora explique isto...

Kandinsky

Este ano houve mais negativas nas Provas de Aferição que no ano passado, com excepção para a Língua Portuguesa do 4º ano, onde se verificou uma percentagem inferio de níveis negativos.

Recordo agora os comentários da Sra Ministra da Educação, face aos resultados das provas de aferição do ano passado, onde se tinha registado melhorias significativas em relação a anos anteriores. Segundo esta, tinham havido melhorias nos resultados devido às medidas do seu Ministério.

Pois então, Sra. Ministra, justifique estes agora…

Para reflectir:

Mais de metade das escolas (56 por cento) acompanhadas pelo CCAP reportaram clima de perturbação e tensão provocado pelo processo de avaliação de desempenho docente, enquanto outras acrescentaram "um clima geral de medo", provocado pela tutela ou colegas.

Esta é uma das "implicações" do processo de avaliação no clima dos estabelecimentos de ensino, constante no relatório de acompanhamento e monitorização do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), realizado através de visitas e estudos a 30 escolas.

Também metade das escolas aponta os conflitos internos, nomeadamente a "deterioração da relação entre colegas" ou a divisão entre avaliadores e avaliados, o que provocou situações de "animosidade". Em vários relatórios é apontada a indignação dos professores face às decisões da tutela e em metade é referido o "desgaste" provocado pelo processo.

Fonte: Lusa
Provas de Aferição dos anos 2008 e 2009.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um dia a casa vai abaixo


Na recta final do ano lectivo, o Ministério informou as escolas que vai dar formação aos avaliadores e enviar novas fichas de auto-avaliação para os professores. Há estabalecimentos onde a auto-avaliação já esta feita, e os sindicatos estão "estupefactos". Mas o Ministério diz que está a cumprir prazos e que avaliação não terá "qualquer efeito" no próximo ano. Vê a notícia aqui.

A notícia de primeira página do Diário de Notícias desta sexta-feira mostra bem a aberração que constitui o actual modelo de avaliação docente. Os materias para construir a casa são de péssima qualidade e, ainda por cima, a casa começou a ser feita pelo telhado. Mais grave ainda, muda-se a qualidade de alguns materias já no final da obra e em apenas metade da casa. Quem acredita que ela se manterá de pé?

Um dia a casa vai abaixo e esperemos que seja mais cedo do que tarde. A divisão arbitrária da carreira nunca podia garantir um corpo de avaliadores preparados. O objectivo, também, nunca foi esse. De facto, o objectivo nunca foi sequer construir um modelo de avaliação sério, eficaz, e capaz de melhorar a qualidade pedagógica e científica dos professores. O objectivo foi apenas criar uma fractura para poupar dinheiro e estabelecer hierarquias.

Construir uma casa barata e com fundamentos débeis foi a opção do governo. Um sistema de avaliação rasteiro, superficial, baseado em reuniões, grelhas, fichas e parâmetros. Na verdade, ele é uma casarão de papel construído à borla e à custa do trabalho burocrático dos professores. Para quê? Para no futuro dificultar a progressão na carreira e assim poupar ainda mais nos salários. Ou seja, com um sistema barato se pretende tornar ainda mais barato o sistema global. A pedagogia e a qualidade do ensino ficam fora destas contas, porque, para este governo, elas simplesmente não existem.

Um dia a casa de papel vai abaixo. Somos muitos para soprar. Continuemos, pois, a encher esses pulmões, porque não falta muito para chegar o dia.

Níveis de literacia no Mundo


Fonte: United Nations Human Development Report 2007/2008

(Para ver em tamanho grande clique sobre a imagem)

Postado por
Pérola de Cultura

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Assumir erros para que tudo fique na mesma


Excertos da entrevista de Sócrates à SIC:

«Um dos erros que cometemos foi deixar instalar a ideia que, quando faziamos as reformas ao serviços do interesse geral, que agimos contra classes profissionais», apontou.

«O governo não age contra classes profisionais», sublinhou, assumindo depois o «erro» da avaliação de professores.

«Errámos ao propôr uma avaliação tão exigente, tão complexa e tão burocrática», admitiu, não garantindo a continuidade de Maria de Lurdes Rodrigues no executivo em caso de reeleição.

«Quanto ao futuro governo não quero comprometer-me com nada. O futuro governo será um novo governo com novas responsabilidades», declarou.

Contudo, o primeiro-ministro defendeu a obra da ministra da Educação. «As reformas na educação tornaram o país francamente melhor», sustentou, indicando o prolongamento dos horários das escolas, a colocação de professores por três anos e o Inglês, o estudo acompanhado, a música e o desporto no ensino básico: «Hoje todas as nossas crianças falam Inglês e todas as nossas crianças têm computadores Magalhães».

«Hoje aprendem-se profissões na escola. Corrigimos um erro histórico e recuperámos o ensino profissional», recordou.

Comentário:

1) Sócrates mudou a estratégia e está à defesa. Bem se vê que caso vença as eleições dificilmente manterá Maria de Lurdes Rodrigues como Ministra da Educação. Mas, ao nível das políticas concretas, parece determinado em nada mudar.

2) O único erro reconhecido já o tinha sido há muito tempo. Sócrates admitiu que “errámos ao propôr uma avaliação tão exigente, tão complexa e tão burocrática”. Mas desenganem-se os mais eufóricos por tal demonstração de humildade: esse reconhecimento já havia sido feito aquando da introdução do simplex 1 e do simplex 2. Na entrevista, Sócrates apressou-se a dizer que o erro foi corrigido “logo a seguir”. Para Sócrates, o actual modelo de avaliação, baseado na divisão artificial da carreira, continua a ser valioso. Apenas para continuar a dizer que conseguiu fazer uma reforma, mesmo que saiba que se trata de uma verdadeira farsa que em nada contribui para a melhoria concreta da qualidade pedagógica e científica do ensino ministrado nas escolas.

3) O Inglês, a música, o desporto....as famosas actividades de enriquecimento curricular, todas garantidas através da precariedade de centenas de professores...é a escola barata com o currículo privatizado e os professores explorados. Uma das maiores vergonhas deste governo sempre afirmadas com um sorriso nos lábios.

4) O investimento no ensino profissional e nos CEFs foi tão só mais uma forma de propagandear avanços no combate ao abandono escolar e ajudar ao adornamento das estatísticas. Na verdade, é o reconhecimento de que este governo desistiu da escola pública como garante de igualdade de oportunidades, preferindo dividir os alunos por gavetas que lhes toldam o futuro.

5) Hoje, o país tem menos escola pública. Menos motivação, menos qualidade, menos igualdade. Por mais que tente camuflar, Sócrates fez triunfar o mercado e a tecnocracia sobre a solidariedade e a emancipação. Os professores e os cidadãos não se deixam enganar.

Contra os Canhões Marchar....Marchar


Como profissionais do ensino não podemos, nem devemos ficar inebriados pelos “pseudo-avanços” alcançados com a definição de objectivos individuais por alguns PCE e acantonados logo a seguir, mas sim prosseguir a luta; pois só reforçando e enfrentando as situações de frente é que elas podem ser ultrapassadas e resolvidas. Dar tréguas é reconhecer o fracasso de ideias e convicções de quem nelas acredita.

Maria de Lurdes Rodrigues e restante comitiva é fria e insensível como a ‘pedra’ e não cede aos argumentos apresentados pelos intervenientes no processo educativo (professores e alunos) e distancia-se, só admitindo mesmo fazer parte do problema e nunca parte da solução! Com um governo cúmplice que lhes dá cobertura e trata aliás os seus professores como professorzecos, ratos, coitadinhos… nunca e em tempo algum pode ser credível e estar de boa-fé.

Não é adoptando um regime de avaliação meramente economicista; não é mantendo um ECD inconstitucional (porque não negociado); não é tentando precarizar a profissão docente com uma lei suspensa mas não revogada (Lei 12-A/2008); não é com um novo modelo de gestão imposto às escolas com a figura do Director que se conseguem resultados. Por muito esforço que faça, não consigo compreender a visão tecnocrática dos que se convencem que fazendo despachos as coisas avançam.

As coisas avançam mudando a realidade das escolas. É nesse sentido que devemos estar prontos e continuar a exigir em consciência e determinação a mudança radical nas políticas levadas a cabo pela actual equipa ministerial; bem como continuar a luta pela suspensão deste processo estapafúrdio chileno de ADD.

Foi preciso continuar o espírito da jornada com nova manifestação a 30 de Maio e certamente serão precisos muitos mais dias já no início do próximo ano lectivo, a cair em cima das autárquicas ou das legislativas! Sejamos pois participantes, participativos e coerentes nas nossas tomadas de posição.

Esta avaliação e este ECD não serviram, nem nunca podem servir o interesse dos docentes, da escola pública, dos alunos e da educação. Citando Brecht: “ temos de ser nós todos, o povo baixo, a dar a volta a esta trampa. Leve o tempo que levar”.

Nenhum docente que se preze e nos seus valores poderá/deverá votar nas próximas eleições legislativas (neste) PS; que envergonha os portugueses em geral e os professores em particular!

José Carlos Jacinto (zeca.abt@hotmail.com)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Professores portugueses são os mais precários


O primeiro estudo realizado pela OCDE sobre as condições de trabalho dos docentes indica que os professores portugueses são os mais precários: 32,4% não têm contratato permanente, o dobro da média dos 23 países analisados. O estudo revela também que 17,4% dos professores portugueses têm contratos inferiores a um ano. A Fenprof confirma que muitos docentes estão há mais de 15 anos em situação precária.

Portugal é o campeão da precariedade docente, mesmo atrás de países como a Eslováquia, Turquia, Estónia, Brasil, Malásia e Polónia, sendo o único com valores inferiores aos 70% de estabilidade contratual (67,6%), contrastando com a média dos restantes países, que é de 84,5%. A tabela comparativa encontra-se na página 42 do
relatório da OCDE.

Confrontado pelo Diário Económico com estes números, o secretário de Estado da Educação Jorge Pedreira afirmou que se o estudo tivesse sido feito depois dos resultados do actual concurso de professores os indicadores seriam diferentes. "Como os concursos de professores são feitos de três em três anos, nos interregnos desses concursos só podemos contratar professores através de contratos a prazo" acrescentou Pedreira.

Uma tese contestada por Manuel Grilo. Em declarações ao Esquerda.net, o dirigente do SPGL sublinha que praticamente só conseguem colocação efectiva nos concursos nacionais os professores que já são efectivos noutras escolas. Como tal, a quase totalidade dos professores precários ou continua nessa situação ("há alguns há mais de 15 anos a saltar de escola em escola") ou pura e simplesmente "vão para o desemprego".

Além disso, as vagas de quadro abertas são sempre poucas, o que implica que imediatamente a seguir aos concursos, haja necessidade de recorrer à contratação precária. Manuel Grilo esclarece ainda que a única forma que o governo encontra para diminuir o número de professores precários é "através do aumento do desemprego docente".

O dirigente sindical adianta também que existem áreas disciplinares onde a totalidade dos professores se encontra numa situação precária, nomeadamente nas áreas artísticas, ou de electricidade e mecânica. A Fenprof defende que ao fim de seis anos de contratos a termo os professores tenham direito ao vínculo permanente.

O estudo da OCDE indica também que Portugal é dos piores países em matéria de equipamentos e recursos humanos para apoio educativo nas escolas (página 43).

Notícia do
Esquerda.net

terça-feira, 16 de junho de 2009

Este sábado debate-se a escola pública a Norte


Algumas notas sobre o Relatório da OCDE


A OCDE produziu um relatório sobre as escolas e os professores. O relatório é extenso e confuso. Sobre as questões da avaliação e gestão é uma salganhada que dificulta conclusões consistentes, desafiamos qualquer um a tentar tirá-las, o relatório pode ser esmioçado aqui.

Sobre outros pontos, destacamos as seguintes conclusões:

- As aulas com um número reduzido de alunos são os melhores instrumentos para combater o mau comportamento ou a falta de interesses dos alunos

- A formação dos professores é fundamental para a qualidade do ensino, mas os profissionais que optaram por fazer mais cursos de foprmação são os que mais pagam por isso, pois em nenhum dos países pesquisados essas formações são totalmente gratuitas.

- A OCDE considera que a situação laboral é um importante factor de estabilidade. Em Portugal mais de 30% dos docentes têm um contrato a termo.

- As escolas portuguesas são das poiores nos apoios em recursos humanos e materiais

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Já em Setembro, rebentar com estas políticas!


O Movimento Escola Pública promoveu um inquérito sobre as próximas acções de luta a serem levadas a cabo pelos professores no início do próximo ano lectivo. Participaram 176 pessoas, eis os resultados:

1) Outra greve nacional 15 votos (8%)
2) Outra manifestação nacional 71 votos (40%)
3) Uma greve nacional de vários dias 74 votos (42%)
4) Manifestações regionais/locais 16 votos (9%)

Vê aqui outras opções referidas pelos votantes

Apesar da reduzida dimensão da amostra, arriscamos tirar algumas ilações:

1) A realização de outra greve nacional de apenas um dia ou de manifestações locais/regionais não entusiasma os professores. E não é de admirar: quase todos querem subir o patamar da luta e sabemos que estas duas alternativas não são as que mais impacto produzem. As manifestações regionais, mesmo todas somadas, nunca são tão mobilizadoras quanto uma manifestação nacional. E as greves nacionais de um dia, só por si, já não acrescentam muita coisa porque não têm a mesma visibilidade e força pública e colectiva que uma grande manifestação pode alcançar.

2) As duas opções mais votadas foram a realização de uma nova grande manifestação nacional e uma greve de vários dias. Isto significa que os professores querem endurecer a luta contra este governo. E existem aqui duas percepções a considerar: por um lado, muitos acreditam que será preciso uma nova grande manifestação nacional no início de Setembro, que, mesmo antes das eleições legislativas e numa altura em que é possível mobiliizar muitos mais professores que em Maio, terá um impacto enorme. Por outro lado, existe também a percepção que isto já não vai lá só com manifestações e que é urgente enveredar por um caminho mais radical, com uma greve de vários dias.

3) Começam assim a ganhar força várias boas hipóteses para uma grande acção de mobilização dos professores no início do próximo ano lectivo e antes das eleições legislativas, por exemplo: ou uma grande manifestação a um sábado, ou uma greve de dois dias, ou mesmo uma greve de dois dias com manifestação no segundo dia de greve, ou uma greve à quinta e à sexta terminando numa manifestação ao sábado. Todas as soluções devem voltar a ser discutidas com todos os professores em reuniões nas escolas, a realizar no início do próximo ano lectivo. Para rebentar de vez com as políticas deste governo que tão mal têm feito à escola pública

Ficha de auto-avaliação: coerência, coragem e estratégia


Um grupo de professores fez publicar uma posição assumindo que não vão entregar a ficha de auto-avaliação no final deste ano lectivo. As razões e o artigo podem ser lidas aqui. Esta iniciativa merece-nos os seguintes comentários:

1) É de facto uma atitude corajosa e coerente. E possivelmente será seguida por muitos mais professores. Levar às últimas consequências a rejeição deste modelo de avaliação injusto implica, além da não entrega dos objectivos individuais, a recusa em preencher a ficha de auto-avaliação “nos moldes pré-determinados pelo Ministério da Educação”. A não entrega desta ficha de auto-avaliação não significa uma recusa da auto-avaliação mas sim o repúdio por um modelo de avaliação catastrófico e prejudicial à escola pública. Estes professores merecem pois todo o respeito e apoio, pela coerência e determinação que demonstram.

2) Os próprios subscritores do artigo em causa, deixam bem expresso que ele não se trata de um apelo. Ou seja, não constitui um repto ou uma proposta de medida de luta a ser assumida por todos os professores. E, em nosso entender, fazem muito bem em frisar esse ponto. Isto porque, depois da divisão provocada pela entrega ou não entrega dos objectivos individuais, depois de mais de metade dos professores terem cedido ao medo de desobedecer quando nem sequer é muito claro que se tratava de uma desobediência, não seria muito lógico tentar impulsionar uma medida de luta que concerteza terá ainda menos seguidores. E daria ânimo ao governo, sempre pronto para se congratular com o estrondoso número dos que vão entregar a dita ficha, mesmo sob protesto.

3) A não entrega da ficha de auto-avaliação é uma posição que deve ser ponderada por cada professor avaliando os prós e os contras da sua decisão. Os que forem capazes de enfrentar as consequências merecem um respeito redobrado, os que não fortem capazes não merecem críticas. Isto sabendo que, estrategicamente, a saída para a luta dos professores passa por uma ou várias grandes acções de mobilização no início do próximo ano lectivo, ainda antes das eleições legislativas. Daquelas acções que podem juntar toda a gente e não apenas alguns resistentes. É isso que vai contar e é isso que fará tremer o governo.

Mil alunos de Abrantes sem AEC


Cerca de mil alunos do ensino básico do concelho de Abrantes estão desde o início do mês sem duas das várias actividades de enriquecimento curricular (AEC), por alegadamente falta de “ pagamento aos professores”, disse fonte da autarquia. A vereadora Isilda Jana explicou que a situação se deve ao facto de a empresa responsável pelas AEC, a Lúdico Ideias, “ não pagar aos professores, mas o seu gerente garantiu que a Câmara Municipal não transferiu as verbas relativas aos meses de Abril e Maio”. Em causa estão as Actividades Física e Desportiva e Expressão Musical, mas segundo a autarca os agrupamentos adaptaram a situação aos horários dos alunos de forma a estes irem para casa mais cedo.

Fonte. DN

Comentário:

Aqui não bate bem a bota com a perdigota!
Então não há quem os supervisione? Quem pagará aos professores o tempo em falta? Então os alunos andaram por lá amontoados com as outras turmas dos professores que vinham? Isto é legal? Então, mas os alunos não se inscreveram para poderem frequentar essas mesmas actividades? Se havia anormalidade tinha que ser reposta quanto antes a normalidade. Ou não interessava a alguém? Essa verba não foi previamente disponibilizada pelo ME para a realização desses tempos?
E ainda querem a escola aberta 12 horas! Pobres criancinhas que são piores do que cobaias. Os pais têm de abrir os olhos e ver que os seus filhos têm direito a ter direitos:
Direito aos seus tempos livres;
Direito a correrem, a saltarem… a brincarem livremente;
Direito a serem crianças e não homúnculos;
Direito a serem felizes.
ATL; OTL… ainda existem e deverão proporcionar essas situações; pagas pelo Estado evidentemente, pois é também para isso que deverão servir o dinheiro dos nossos impostos. Exijam-no!

José Carlos Jacinto
( zeca.abt@hotmail.com)

Livros produzidos por docentes como ferramentas de trabalho


Num ano lectivo (2008/2009) marcado pela maior instabilidade nas comunidades educativas, nomeadamente, pelas manifestações mais representativas dos docentes em resposta ás politicas governativas e do Ministério da Educação, como o polémico modelo de avaliação que veio dividir os professores e mereceu uma gigantesca onda de indignação. Ainda foi possível conciliar a angustia de profissionais acossados por tanta afronta indigna, entre a componente lectiva e a produção de obras literárias auxiliares ao próprio trabalho pedagógico, como guias auxiliares na sala de aula, resultantes de várias vivências profissionais e de exemplares exercícios de cidadania activa.

Um destes exemplos, de dedicação e contributo para o enriquecimento e valorização da relação com o meio envolvente e sobretudo, despertando a comunidade escolar para causas, muitas causas, foi deixado pela passagem da professora Ana Mafalda Damião, destacada na Educação Especial no Agrupamento de Escolas de Ovar.

Promotora e animadora de vários projectos de educação para a cidadania, como Comércio Justo entre vários outros, esta docente natural do Alentejo e licenciada em História pela Universidade Nova de Lisboa, que no próximo ano lectivo continuará certamente noutra comunidade educativa o seu percurso, não só pedagógico, mas cívico e solidário, envolvendo colegas docentes, alunos e restantes elementos das comunidades escolares, deixou na sua breve passagem por Ovar, contributos, como os seus mais recentes livros publicados, “Educar para uma sexualidade harmoniosa” e “Ana Gotinha de Água – Carta de Zaragosa”.

Entre tantos outros trabalhos produzidos por profissionais da educação que representam recursos pedagógicos fundamentais na escola pública, a comunidade escolar de Ovar, teve o privilégio de poder partilhar um diferente modo de estar nesta profissão, em que a professora Ana Mafalda, mostrou o resultado em livros, da sua própria procura de meios de apoio, num caso, para a abordagem da temática da sexualidade no meio escolar, e no outro, para a temática ambiental, no caso concreto, a importância da água para a sobrevivência do ser humano e do planeta.

Através da ilustração de Diana Lérias, a autora do livro “Ana Gotinha de Água – Carta de Zaragosa” encontrou uma história acessível para as crianças e os alunos lerem, sensibilizando-os para os grandes desafios colocados à humanidade através da aprovação da Carta de Zaragosa em Setembro de 2008 sobre a imperiosa urgência de preservar a água do planeta.

Um verdadeiro apelo à necessidade de todos, desde tenra idade, estarem despertos para a importância do desenvolvimento das sociedades com base em critérios de sustentabilidade e com respeito pela natureza, bem como a ideia, de que os cidadãos participem como co-responsáveis na gestão integrada da água e da sustentabilidade. São algumas das linhas orientadoras da Carta de Zaragosa, que através de livro, Ana Mafalda, realça conclusões como a que aponta, que “a educação, cultura, comunicação e participação devem ser eixos de transformação da gestão da água em todo o mundo, ou “que o investimento em infra-estruturas da água, nos países em desenvolvimento, é essencial para a redução da pobreza e o crescimento económico” mas também, que “os investimentos actuais são insuficientes para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”.

Estes livros produzidos por professores como ferramentas de trabalho na educação, são alguns dos contributos através da escrita, que ajudam a contrariar a tendência para não pensar, ou para o imediatismo consumista.

José Lopes (Ovar)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Escola Pública levanta-se!


Estamos de parabéns. As políticas de Sócrates, Maria de Lurdes e Companhia foram derrotadas em toda a linha nestas eleições. Os professores e as professoras, e todos e todas os que defendem a escola pública pela igualdade e contra a discriminação, ganharam um alento valioso. Agora, temos tudo para vencer. Não se brinca nem com os professores nem com as escolas. A luta valeu e vale a pena.

O arco do “centrão”, daqueles que há muito desistiram de construir uma escola emancipadora e que a reduziram a um instrumento da sua burocracia ou do mercado, foi o mais penalizado nestas eleições. Nunca PS e PSD somados tiveram um resultado tão baixo. Paralelamente, os partidos à esquerda do PS obtiveram uma votação memorável, somando mais de 21%, um resultado único na Europa. A ideia de uma escola capaz de corrigir as desigualdades de partida sai reforçada nestas eleições.

Mas, por essa Europa fora, nem tudo são rosas: forças reaccionárias, conservadoras e neoliberais tiveram votações elevadas. Porque o todo conta mais que cada canto, importa cada vez mais defender a escola pública e mais ainda reinventá-la. Para que os valores da solidariedade vençam os do mercado.

Por cá, fica a esperança. Com estes resultados, a escola pública levanta-se.

sábado, 6 de junho de 2009

Votar pela escola pública de qualidade e para todos


Este Domingo vota-se. Nunca é demais lembrar que a abstenção não muda nada. Nunca é demais lembrar que o voto em branco ou o voto nulo também nada mudam, porque a percentagem de cada partido é calculada a partir dos votos expressos, ou seja, a partir das cruzinhas correctamente colocadas em cada partido.

Na votação deste Domingo é também a educação em Portugal e na Europa que está em jogo. Não votamos apenas contra uma ideia de escola e de sociedade, votamos a favor de outra ideia de escola e de sociedade.

Votamos contra a divisão da carreira de professor, contra um modelo de avaliação absurdo, contra a gestão autoritária e clientelar das escolas, contra a infestação burocrática do ensino. Por siso, é fundamental começar já a evitar uma maioria absoluta do Partido Socialista.

Tão fundamental como isso é apostar em alternativas que garantam uma escola inclusiva, sem discriminações, com meios materiais e humanos, que promova o sucesso de todos e todas, e que não seja engolida pelas políticas neoliberais que dela querem fazer um negócio ou um simples instrumento do mercado.

Logo, cuidado com todos os que se aproveitam da indignação dos professores de uma forma oportunista, apelando ao voto dos docentes mas escondendo o seu verdadeiro projecto de escola.

Por isso, é importante que, servindo para penalizar quem tão mal fez à escola pública, o voto de Domingo possa também ser um voto consciente sobre o tipo de escola que queremos. E, para ser consciente, há pelo menos que ler os programas nos respectivos sites partidários. E, claro, as entrelinhas também.