quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O burocrata louco


"(...)Há qualquer coisa de tremendamente errado quando um primeiro-ministro se orgulha de deixar uma Escola com, citando-o, 'menos professores, mais alunos e maior sucesso'. (Como aqui e aqui.) Só alguém que não pensa nada sobre a Escola e não sabe do que fala pode dizer uma coisa daquelas. Aquela resplandecente trindade nunca pode ser o fito de uma política escolar. Para além de ser apenas um estribilho vazio que nada diz (como Sócrates gosta), é uma pretensa descrição que passa completamente ao largo do que deve ser a Escola. Aquele entusiasmo despropositado do primeiro-ministro corresponde ao sonho de um burocrata louco.(...)"
Texto completo aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério não paga salários a professores de Aveiro


Dezenas de professores de Aveiro que este ano leccionaram Actividades de Enriquecimento Curricular nas escolas do 1.º Ciclo de seis freguesias ainda não receberam os ordenados de Maio e Junho e o subsídio de assiduidade. (...) Segundo os professores a média mensal auferida por cada docente ronda os 500 euros por mês, dinheiro ganho pelas 8 a 14 horas que trabalham semanalmente nas escolas. Alguns, nomeadamente os que continuam a estudar, têm neste vencimento a única forma de rendimento.

Vê aqui toda a notícia

Comentário:
Há dias noticiámos que 50 professores em Abrantes se tinham demitido por falta de pagamento. A empresa contratante e a Câmara Muncipal culpavam-se mutuamente. Desta vez, em Aveiro, é o Ministério da Educação que não procede à transferência de verbas, revelando um desprezo enorme pelos professores das Actividades de Enriquecimento Curricular. Quem achasse que as novas regras que o governo anunciou no sentido de para o ano acabar com a precariedade deste profissionais significavam uma mudança de atitude, parece que se enganou.

sábado, 1 de agosto de 2009

Trafulhice e topete


A edição impressa do jornal Público deste Sábado revela que o Tribunal Constitucional admitiu ilegalidades nos decretos que estabeleceram a avaliação de professores. Ou seja, o Simplex entra em contradição com o modelo inicial de avaliação e com o decreto que definiu o Estatuto da Carreira Docente. O Tribunal diz que não é inconstitucional mas que é no mínimo ilegal.

Mais curioso é o facto de José Sócrates ter reconhecido que havia “discrepâncias” entre os dois diplomas mas que tal não era grave porque o simplex era apenas transitório e terminava no final de 2009. Só que agora decidiu prolongar o simplex até 2010. Afinal, não passou a ser grave? É preciso muita lata e trafulhice, mas é nessas águas que o governo gosta de nadar.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Não há volta a dar!

Cartoon do Expresso.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Atirar a matar


Publicado, faz tempo, no Diário Económico

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A reforma de muitos e a precariedade de tantos


Mais de 5100 professores (5140) reformaram-se entre Setembro do ano passado e Julho de 2009, 1440 dos quais com penalizações na reforma. Os números foram avançados ao DN pelo secretário-geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep/Fenei) e resultam de um levantamento feito recentemente pelo sindicato junto da Caixa Geral de Aposentações. Para Carlos Chagas, o aumento significativo de pedidos de reforma resulta do descontentamento da classe com as políticas educativas do Governo.

Comentário:

É de facto um número impressionante e mostra bem a crueza (e crueldade) das políticas deste governo. Mas o que também é curioso é o número de professores que foram colocados nos quadros no último concurso: apenas 417 professores contratados/precários conseguiram passar para os quadros. Ou seja, menos de 10% das vagas deixadas pelos professores que se aposentaram foram preenchidas. Só mesmo um governo tecnocrata e insensível ao insucesso escolar é que pode proceder desta forma, como se tivéssemos professores a mais nas escolas. Uma vergonha.

Diferenciação entre professores


Desenho de Antero Valério, em Anterozóide

terça-feira, 28 de julho de 2009

O que vai acontecer no início do ano lectivo?


À saída da última ronda de negociações com o ministério, Anabela Sotaia, dirigente da Fenprof, afirmou que «adivinha-se um ano a abrir de muito contestação, mas se o quadro for tão negro, estará tudo em cima da mesa». «[José Sócrates] não terá certamente descanso, durante a campanha eleitoral, por parte dos professores», garantiu a sindicalista.

É preciso pensar bem que protestos podem os professores realizar no início do ano lectivo.

O MUP sugere uma manifestação a 12 de Setembro. Mas a as aulas só começam a 14 de Setembro. Bem sabemos que o trabalho dos professores nas escolas começa mais cedo...mas é necessário mais tempo de mobilização para conseguirmos uma manifestação expressiva.

Seria óptimo uma nova manifestação gigante antes das eleições legislativas. Não há nenhum impedimento legal para fazê-la em período de campanha eleitoral como aliás aconteceu com a manifestação de 31 de Maio. Aliás, é uma das formas que os professores têm de se expressar nessa campanha, lembrando o poder político e os diversos partidos que a sua luta é longa, justa, dura e que estaremos dispostos a continuá-la e a ganhá-la.

Assim, por que não realizar a dita manifestação a 19 de Setembro? E será que uma greve nacional na primeira ou segunda semana de aulas constitui uma alternativa melhor? Ou será que os sindicatos preferem guardar as grandes energias para o período seguinte, aguardando as novidades que trará um novo governo?

São questões importantes e para as quais começa a ser urgente uma resposta. E que um debate sério e franco permita chegar a uma posição conjunta entre sindicatos e movimentos porque já vimos que é dessa forma que os professores ganham mais força.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Professores sujeitos à lei da selva


O Grupo GPS Educação e Formação, com mais de 20 escolas, exige aos professores cartas de despedimento no início de cada ano lectivo. Docentes falam de um 'polvo' de ilegalidades e terror. Director desmente tudo, mas PJ confirma investigações.

A 31 de Agosto, muitos serão os professores das mais de 20 escolas e colégios do Grupo GPS Educação e Formação, com sede no Louriçal, concelho de Pombal, que poderão cessar o contrato. Não por serem dispensados, mas porque os próprios foram obrigados a assinar uma carta de despedimento no início do ano lectivo, ao mesmo tempo que assinavam ou renovavam contrato, mesmo quando já lá leccionam há anos suficientes para fazerem parte dos quadros das escolas.

Lê aqui toda a notícia do JN

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lembram-se dele?


João Rendeiro foi constituído arguido no caso BPP. Abuso de confiança, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, burla e fraude fiscal qualificadas, são os crimes de que Rendeiro é suspeito. A medida de coação que lhe foi aplicada foi a de Termo de Identidade e Residência.

Lembram-se de quem é João Rendeiro?

Rendeiro é também o porta-voz da EPIS (Empresários Pela Inclusão Social), estrutura que em concertação com o Ministério da Educação desenvolve actividades nas escolas, de carácter mais do que duvidoso. Para perceber lê o post:
A escola empresa dos banqueiros e da ministra

Homofobia na escola no Brasil e em Portugal ou mais uma razão para uma Educação Sexual que respeite as diferenças


Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Vê aqui

Quando assumiu sua homossexualidade, Hernanny Queiroz tinha 16 anos e cursava o 2° ano do ensino médio. As piadas e xingamentos que ele ouvia frequentemente acabaram fazendo com que fosse reprovado aquele ano. "Eu comecei a não ir mais para o colégio, faltei tanto que repeti. Quando eu ia as pessoas falavam mal de mim e sempre acabava dando confusão", lembra. Vê aqui

E em Portugal....
Pelo menos seis jovens agredidos por causa da sua orientação sexual abandonaram precocemente a escola, segundo o relatório de 2008 da Rede Ex Aequo - Associação de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Simpatizantes. A associação recebeu um total de 92 denúncias de discriminação - 19 das quais relatam agressões físicas - e exige do governo medidas urgentes para mudar esta realidade. Vê aqui

A luta não acabou


Vamos considerar, como hipótese académica, que o governo renasce das cinzas depois das férias. Que o ME abre um novo concurso para professores titulares e que passa para a opinião pública a ideia de que com este “nova” medida os professores foram reconquistados. Serão utilizados os números, previsivelmente elevados, de candidatos ao concurso para demonstrar essa reconciliação. E que até os opinadores mais consagrados acreditam na propaganda. Será que a plataforma sindical tem a sua máquina oleada? Será que é possível montar a tenda em Lisboa em apenas duas semanas? Há trabalho de casa para as férias? Os delegados e os activistas estão a ser preparados para o que der e vier?…

Excerto do Post de Miguel Pinto em OutrÒÓlhar

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A histeria das nove


No meio da crise, dos escândalos da economia de casino, do desemprego, a transição do 8.º para o 9.º ano de um aluno com 9 negativas ganhou honras de escândalo nacional. E a direita baba-se com estas histórias.

Vale a pena lembrar que, diversamente dos ex-governantes na barra dos tribunais, os professores e a escola que avaliaram este aluno não cometeram nenhuma ilegalidade.

No frenesim, e porque é fraca e preconceituosa a relação entre práticas nas escolas e investigação, de pouco serve o que a segunda tem trazido à luz do dia sobre a retenção: na maioria das vezes, um prejuízo para todos, a começar pelos próprios alunos e alunas. As razões são simples: o que a escola oferece ao “chumbado” é mais do mesmo. Aliás, mente-se, o aluno foi transitado para ser enfiado num Curso de Educação e Formação. Calam-se as bocas, esquece-se o aluno.

Por que é que não se discute esta forma airosa de resolver as dificuldades de aprendizagem quando, mais uma vez, a situação se reporta a um caso “sociofamiliar grave”? Não os escandaliza abrir os olhos e ver para o que serve, e a quem serve, a oferta profissionalizante da Sra. Ministra? Escândalo é os filhos e filhas dos graves casos sociofamiliares, e outros tantos quadros graves, serem despachados para uma oferta de ensino de segunda, perdendo a igualdade de sucesso a que têm, pela lei, direito.

No entanto, de toda a verborreia escrita sobre o assunto justifica-se algum respeito pela que vem de professores e professoras, do canto da solidão. Falam e escrevem sabendo muito bem que o sistema de ensino está dividido em ciclos e a sua base de sustentação não é anual, é plurianual. Sabem muito bem que prestam contas pelos seus alunos e alunas na base de um perfil de desempenho de ciclo, e não de ano. Porém também sabem que falta o psicólogo ou a assistente social ou o tutor ou o mediador ou tempo, ou meios e condições para a flexibilização do currículo, ou… Sabem, bem demais, que estão demasiado sós e muitas vezes impotentes.

É esta angústia que merece respeito. Porque a demais verborreia salazarenta que continua a associar insucesso a chumbo não vale nada, menos ainda face às exigências de qualidade da escola pública.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Teimosia reprovada passa para novo ano


A nova preparação do novo ano lectivo em marcha, tal como vem sendo prática usual na educação, é feita sem que se faça uma verdadeira e indispensável reflexão sobre o trabalho desenvolvido no ano transacto, que permita retirar conclusões muito para além das meras e burocráticas estatísticas.

Trabalho de que resultou mais uma vez, e pese embora todos os meios informáticos disponíveis, toneladas de papel imprimido com relatórios e mais relatórios, que se acumulam nas escolas a uma velocidade vertiginosa nos últimos anos, derivada deste tipo de produção de escrita, resultante da política seguida, que parece de forma cínica, “castigar” os docentes, obrigando-os a fazer uma espécie de TPC antes do seu direito ao gozo de férias, retemperadoras de energias para mais um ano, que se adivinha começar a ser ainda marcado pela teimosia da actual Ministra da Educação no que toca, nomeadamente ao modelo de avaliação, que apesar de reprovada pelos professores passa para novo ano.

Também neste capítulo da avaliação, que mais ensombrou o último ano lectivo, os responsáveis pela educação em Portugal, negam-se a retirar lições de um processo que provocou a maior e gigantesca indignação dos docentes. Politica que humilhou e desmoralizou grande parte deste grupo profissional, que era muito da alma da escola portuguesa, em que só a sua postura responsável, empenhada e de aprofundamento pedagógico através da investigação, tantas vezes por conta própria, por amor à arte de ensinar, tornou possível atrasar o cenário deprimente que os governantes foram traçando para a escola pública.

Neste quadro não será de estranhar que as diferentes organizações sindicais de professores, manifestem inquietação e contestação às intenções do Ministério da Educação, que insiste no caminho do afrontamento através da continuação do actual modelo de avaliação simplex, através da prorrogação do regime simplificado. Modelo que de forma significativa os docentes contestaram por diferentes formas até ao final do ano lectivo e só deve ter um destino, a suspensão. Decisão que o Ministério e o Governo de Sócrates, insiste em não querer compreender, mesmo vindo reconhecer o adiamento para a próxima legislatura, da aprovação de alterações ao modelo que viu ser na prática derrotado pelas extraordinárias e inovadoras formas de protesto dos professores, dos seus sindicatos e movimentos que proporcionaram um novo colorido e estimulo à luta dos docentes em Portugal.

Se os vários intervenientes na educação se debruçassem seriamente sobre as consequências nefastas que resultaram para as comunidade escolares da politica seguida pelo Ministério no que toca ao tipo de avaliação imposta, certamente que nesta altura, se estaria a negociar responsavelmente um modelo de avaliação adequado, coerente e eficaz, que não tivesse como objectivo dividir este grupo profissional e sobretudo reduzir custos com congelamento de carreiras, cuja progressão está completamente limitada, com evidentes sacrifícios para os jovens professores cada vez mais proletarizados.

Assim na mesma linha da arrogância que tem caracterizado a governação, às comunidades educativas resta partilhar e vivenciar naturais focos de indignação que tal politica fomenta, transportando para o novo ano, os problemas e as razões que deram origem a grandiosas manifestações, que podem ter sido decisivas para as mudanças que todos anseiam nas próximas legislativas. Uma oportunidade que as principais vitimas de tanta humilhação não deixaram de perder a oportunidade de ter uma palavra a dizer, neste caso através do voto.

José Lopes (Ovar)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Educação sexual: dados e opiniões


“Um conhecimento superficial patente num estudo levado a cabo pela Associação Portuguesa para o Planeamento da Família, no ano passado, em 63 escolas de todo o país, como milhares de alunos. Numa escala de 27 itens, a maior parte dos discentes respondeu bem. O problema foi quando se aprofundaram as coisas. Fatalmente, no que dizia respeito a métodos contraceptivos e às infecções sexualmente transmissíveis, a percentagem de respostas correctas caiu imenso. Basicamente, pouco sabem em profundidade sobre como evitar uma gravidez ou uma infecção sexualmente transmissível.”
Excerto de um artigo do JN sobre a Educação Sexual, que merece ser lido.

Leia também outros posts do MEP sobre este assunto:
Abaixo o Obscurantismo
O país do “Faz de Conta”

Morreu Adriano Teixeira de Sousa

“O Adriano morreu. Todos sabíamos que esta notícia nos cairia em cima: a atroz doença que dia a dia o minava não nos deixava qualquer esperança. E apesar disso, as palavras magoam.

Ao Adriano, que conheci no secretariado nacional da Fenprof, chamava eu “o homem mais bonito do Norte” : o homem do sorriso verdadeiro, o homem a quem recorríamos quando era necessário fazer as pontes entre opiniões ou propostas contraditórias. O homem calmo mas de convicções fortes.

A morte é sempre um absurdo necessário. Mas não é justo que os deuses, certamente por ciúmes, nos tenham levado tão cedo um dos melhores de entre nós: o Adriano – o homem mais bonito do norte.

António Avelãs”

Adriano Teixeira de Sousa era Membro do Secretariado e do Conselho Nacional da FENPROF e da Direcção do Sindicato dos Professores do Norte (SPN).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Avaliação: quatro anos de farsa


A Ministra da Educação diz que vai manter o Simplex 2. Quanto muito, admite um Simplex 3, através de alguns retoques ao Simplex 2. E é isto: quatro anos deste governo resumem-se a esta farsa: um modelo tão burocrático que para ser aplicado teve que se desfazer em cacos, não significando absolutamente nada do ponto de vista da melhoria pedagógica das aulas. Quatro anos a dizer que ia avaliar os professores e o máximo que conseguiu Maria de Lurdes Rodrigues foi uma ficha administrativa e de assiduidade.

E é em nome desta farsa que alguns Directores, paus-mandados, cães de fila, ou outros nomes piores, querem prejudicar os colegas, não aceitando a ficha de avaliação dos que não entregaram objectivos individuais. É a fuga para a frente dos que enchem a barriga com novos poderes...mas tanta altivez vai concerteza estatelar-se no chão mais cedo do que tarde.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Santo Onofre: a arrogância burocrática não funcionou


“Segundo informações que vou recebendo a comissão administrativa provisória (CAP) do agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou em bloco a sua demissão. Não consegui confirmar se se demitiram ou se foram demitidos.

Comecei a receber esta informação ontem e o facto foi hoje renovado. Informaram-me que foi o próprio coordenador da CAP que o divulgou hoje numa reunião realizada numa das escolas do agrupamento.”

Paulo Prudêncio, in Correntes

Comentário:

O governo quis impor uma Comissão Administrativa contra os professores e contra os alunos, quando o anterior Conselho Executivo vinha fazendo uma gestão de sucesso que fez do Agrupamento de Santo Onofre uma escola modelo. Pelos vistos, a Comissão Administrativa não aguentou a pressão ou não foi capaz de fazer frente à decência de quem exigia justiça. A confirmar-se esta notícia, é a arrogância e a burocracia que saem derrotadas. E ganham a escola e a democracia