sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Turmas com menos alunos


O MEP teve acesso a um estudo realizado nos Estados Unidos da América relacionado com o tamanho das turmas. O texto que se segue resultou de uma tradução livre do mesmo, com alguns acrescentos para fazer a adaptação à nossa realidade.

Pesquisa feita pela Michigan State University: Turmas reduzidas trazem benefícios, a longo prazo, para todos os alunos


Contacto: Spyros Konstantopoulos, Education, Office: (517) 432-0259, spyros@msu.edu
Publicado em Oct. 09, 2009 r

Spyros Konstantopoulos é um professor que se encontra ligado às Ciências da Educação, no seu estudo refere que integrar alunos em turmas pequenas, vários anos seguidos, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, beneficia o desempenho escolar, não só nesse período mas também nos restantes anos que fazem parte do seu percurso escolar.


Constituir classes pequenas, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade que compreendem, em Portugal, os anos que decorrem entre a pré-primária e o segundo ciclo de ensino básico, (elementary school, dos 4 aos 11 anos), dá aos alunos a possibilidades de alcançar um melhor sucesso escolar nos níveis de ensino mais avançados, (que correspondem em Portugal ao terceiro ciclo e secundário), de acordo com os primeiros estudos realizados por uma Universidade do Estado do Michigan.


Konstantopoulos, professor associado, ligado às Ciências da Educação, esteve à frente do primeiro estudo que avaliou os efeitos do tamanho das turmas, nos alunos, ao longo de um período de tempo significativo, de forma a poder observar as suas consequências na aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências por parte destes. Do seu estudo fizeram parte todo o tipo de alunos, desde os que apresentavam fracos desempenho escolar aos que obtinham os melhores resultados. O mesmo foi posteriormente publicado no American Journal of Education.


Konstantopoulos é membro do comité - The U.S. Department of Education’s Institute of Education Sciences – que faz recomendações oficiais no que respeita ao tamanho das turmas, em cada estado. Referiu que as suas recomendações reflectiriam as conclusões da sua pesquisa: o melhor plano de ataque passa por constituir turmas pequenas (13 a 17 alunos) nos anos escolares que vão desde o Jardim-de-infância ao primeiro grau de ensino, que nos estados Unidos corresponde ao nosso primeiro ano do primeiro ciclo, onde os alunos têm entre 6 a 7 anos).


“Por um largo período de tempo, nos Estados Unidos, pensou-se que bastava constituir turmas pequenas num único ano lectivo, sendo que poderia ser ou no Jardim de Infância ou no primeiro grau de ensino, (o nosso primeiro ano no ensino básico), e que esse ano bastava para tirar todos os benéficos. “ Konstantopoulos disse que não acreditava nisso, “Penso que só se conseguem obter resultados mais tarde se os alunos forem integrados em turmas com poucos alunos ao longo de vários anos lectivos e que estes deveriam ser consecutivos, em particular com crianças que apresentam mais dificuldades de aprendizagem”.


Para a sua pesquisa utilizou informações recolhidas no decorrer de um estudo intensivo, realizado no Tenessee, denominado Project Star, que analisou os efeitos do tamanho das turmas em mais de 11 mil alunos na elementary school, (que nos EU corresponde a crianças entre os 4 e os 11 anos de idade, que vai da pré-primária até ao 5ª ano de escolaridade) e middle school, (que na generalidade dos estados dos EU compreende aos 6ª, 7ª e 8 ª anos de escolaridade, onde os alunos têm entre 11 a 14 anos). Konstantopoulos descobriu que os alunos que tinham sido integrados em turmas pequenas desde o jardim-de-infância até ao 3 ano de escolaridade atingiram resultados escolares substancialmente mais elevados no 4º ano que os restantes alunos.


Pôde igualmente constatar que os alunos com diferentes capacidades de aprendizagem foram favorecidos pelo facto de terem pertencido a turmas pequenas mas os que mais beneficiaram com o facto foram os alunos com mais dificuldades: Registou-se uma menor disparidade de desempenhos escolares entre estes e os alunos que atingiram os melhores resultados, em áreas como as ciências, a leitura e a matemática.


Apesar do estudo não ter avaliado as práticas pedagógicas em contexto sala de aula, Konstantopoulos refere que as razões do esbatimento da diferença de resultados escolares referida em cima se deveu, provavelmente, ao facto de os alunos com mais dificuldades terem recebido mais atenção por parte dos professores.


“Isto é especialmente importante em escolas situadas em meios desfavorecidos porque é lá que faz realmente diferença a eficiência da acção do professor, em escolas com uma população estudantil proveniente de famílias empobrecidas, onde, por norma, os alunos registam performances mais baixas. “


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Para uma escola inclusiva


"Pode simplesmente dizer-se que os culpados são os alunos, que não estudam, não se interessam, ou não merecem. Mas pode-se também questionar sobre o que se fez para contrariar esta aparente fatalidade."

Conferência “Percursos escolares e avaliação numa escola inclusiva”

Com Jorge Pinto, da Escola Superior de Educação de Setúbal

11 de Fevereiro de 2010 - 18h30 – 20h00

Instituto de Educação Anfiteatro
(Lisboa, Alameda da Universidade, vê como chegar)

Mais informações aqui.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um conto que não encanta

A história da “dívida” do Terceiro Mundo ao mundo desenvolvido é uma história que não encanta mas que tem de ser contada de outra forma. Aqui, em castelhano, podemos encontrar um recurso pedagógico simples, em forma de conto, que permite iniciar uma boa discussão sobre o tema: poucos viveram felizes, muitos apenas viveram.

Carlos Carujo, Rio Maior

Contratados e desempregados


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A situação é mais do que precária


Susana dá Inglês a alunos do primeiro e quarto anos do primeiro ciclo. Mas para dar estas actividades de enriquecimento curricular (AEC), a professora nunca assinou um contrato de trabalho normal. Foi contratada por uma empresa de trabalho temporário, numa garagem, e está a recibos verdes. A situação, denuncia ao DN, "é mais do que precária". E é semelhante à de muitos outros milhares de professores da AEC, acrescenta.

Lê a notícia do DN

Vê também o novo blogue dos professores das Aecs da Grande Lisboa

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal


No Público de 30 de Janeiro de 2010 consta uma entrevista com um especialista em Psicologia do Trabalho e da Acção, Christophe Dejours, professor no Conservatoire National dês Arts et Métiers, em Paris. Mereceu a nossa particular atenção precisamente por tudo o que se esteve e está a passar no ensino em Portugal no que se refere aos professores e ao sistema de avaliação que vimos reflectidos no referido artigo.

Este especialista pertence a “uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doenças mentais”. Verificou-se recentemente “a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho…o facto de as pessoas irem suicidar-se no local de trabalho tem obviamente um significado.” Deixa, efectivamente, uma mensagem inequívoca sobre as razões que estão por trás desse acto derradeiro, que nada teve a ver com razões de vida pessoal e segundo o mesmo especialista, quem o pratica, muitas vezes não teve no seu passado qualquer problema de ordem psicopatológica.

De acordo com o estudo, efectuado por este Psiquiatra, o fenómeno tende a afectar principalmente “… os que gostam do seu trabalho, …os mais envolvidos profissionalmente”. Na base está a forma como as empresas se organizaram: “ a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual de desempenho…A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho… as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas é agora uma ameaça… as pessoas aprendem a sonegar informações … aos poucos… a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe… ”

Se juntarmos a isto um sistema de cotas fomentador da competição por salários mais altos está montado um verdadeiro cocktail molotov.

Numa escola não cabe o individualismo. É essencial o trabalho de equipa, a solidariedade e o espírito de entreajuda. Estes valores são fundamentais para um bom ambiente, fomentador de boas práticas e de um ensino de qualidade.

À luz desta entrevista é importante fazer uma reflexão séria sobre as consequências a médio e longo prazo da aplicação do sistema de avaliação individual dos professores bem como do sistema de cotas. Trata-se da lógica empresarial aplicada onde nunca deveria ter posto o pé. Trata-se de encarar a escola como se encara uma linha de montagem – quem fabricou mais sucesso escolar!?

Além de ser obviamente fatal para a forma de funcionamento das escolas, este sistema tem tudo para levar à tragédia: conduzirá à degradação do ambiente entre os professores; comerá aos poucos os princípios por que se rege a vida escolar e no fim deixará apenas desolação, isolamento, frustração...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Conclusões do Encontro


O documento discutido no II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública já tem uma nova versão que integra vários contributos. Podes consultá-la aqui.

Foi também constituída a nova coordenadora nacional do Movimento Escola Pública, cuja composição é a seguinte:

José João Lucas (Coimbra)
Fernanda Queiroz (Lisboa)
Maria José Vitorino (Lisboa)
João Madeira (Sines)
Miguel Reis (Lisboa)
Cecília Honório (Lisboa)
Jaime Pinho (Setúbal)
Beatriz Dias (Lisboa)
Carlos Carujo (Rio Maior)
Vítor Sarmento (Lisboa)
Helena Dias (Lisboa)
Silvana Paulino (Setúbal)
Maria da Graça Pinto (Viseu)
Manuel Grilo (Lisboa)
José Manuel do Carmo (Algarve)
Artemisa Coimbra (Porto)
João Vasconcelos (Algarve)

A pílula do sucesso escolar

O conceito é utilizado, como tantos outros, como se fosse absolutamente evidente, como se não tivesse um contexto. Só que, obviamente, o insucesso escolar tem uma história. Não tendo existido desde sempre, tornou-se problema. E o problema vai sendo “medicalizado”.

Nas escolas há cada vez mais alunos medicamentados ou “psicologizados” devido à sua “performance" escolar. E, claro, cada vez mais professores na mesma situação. Ao fracasso escolar dos alunos parece corresponder a desmotivação e o sentimento de fracasso dos professores, uma lose/lose situation.

Para além das práticas e a par delas, o discurso “medicalizado” dos fenómenos escolares torna-se também hegemónico face a retóricas anteriores sobre a responsabilidade social (a escola como mecanismo reprodutor do sistema económico, por exemplo, ou o efeito de uma sociedade que vende a facilidade), responsabilidade individual (da parte do mau professor, do aluno preguiçoso ou dos pais displicentes), ou a responsabilidade institucional no insucesso escolar (neste último ponto de vista seria a instituição “escola” e/ou a sua crise que provocaria tal insucesso).

Medicalização e psicologização não são exclusivos da escola mas ao pensá-la hoje deve-se também pensar nestes dispositivos. Os doutores “Phil wannabe” enchem os ecrãs de programas de entretenimento e os telejornais com verdades fáceis e autorizadas pelo seu diploma. Receitas para o sucesso na vida.

Com os termos medicalização e psicologização não se quer dizer que não haja problemas de saúde física ou mental nos espaços escolares, antes pelo contrário. Os termos referem-se a dispositivos que ocupam um campo de poder no interior da escola com os seus devidos efeitos. Quer-se dizer que se impõe uma definição normativa de saúde em que parece que toda a diferença será medicada ou terá de cair nos consultórios de Psicologia. E, claro, cada vez mais pais na mesma situação. Ao fracasso escolar dos alunos parece corresponder o cansaço e a frustração dos pais. Também medicamentados, psicologizados ou então apanhados nas redes das ideologias culpabilizantes do chamado “pensamento positivo”.

A performance escolar é a escola da competição. E se nos primeiros graus de ensino se trata da intervenção do adulto para normalizar uma criança que tem um “rendimento” abaixo do esperado, no final do ensino secundário e do ensino superior trata-se da auto-medicação para ir mais longe na memória e na concentração, para diminuir a ansiedade dos exames, para ter mais uma décima na pauta.

A pílula do sucesso é o santo graal da escola competitiva.

Reflexão motivada por um enquadramento teórico de parte desta questão e uma forma de lhe responder encontrada no artigo de Paula González-Vallinas e de Juan Gérvas Camacho na página do Rebelión. Ler (em castelhano) aqui.

Carlos Carujo, Rio Maior

AECs: vêm aí acções de protesto


Depois dum primeiro plenário na semana passada, uma nova reunião juntou ontem professores das Actividades de Enriquecimento Curricular (ACEs) e activistas, nas instalações do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), novamente convocado pelo sindicato, em conjunto com os Precários Inflexíveis, o Movimento Escola Pública e todos os profissionais que se juntaram na assembleia anterior.

O encontro de ontem renovou a decisão de levar a cabo uma intervenção sobre esta situação, contactando os muitos professores das AECs da Grande Lisboa e mobilizando para o esclarecimento, a troca de experiências, apoio e acção concreta que possam inverter o ciclo de precariedade e injustiças de que são alvo estes profissionais.

Decidiu-se criar formas de comunicação públicas e desenvolver acções de mobilização nas escolas, apontando para um momento de acção concreta. Muito em breve, serão divulgados mais pormenores e novidades.

Lê mais aqui

Um “brinquedo” caro


A investigação, intitulada «A Literacia informacional no Espaço Europeu do Ensino Superior (EEES): estudo da situação das competências da informação em Portugal» de uma equipa da Faculdade de Letras do Porto, é preocupantemente actual, já que alerta para uma realidade, que é bem mais acentuada no 1.º, 2.º e 3.º ciclo em que o computador portátil se “vulgarizou” e transformou num “brinquedo” caro em qualquer recreio ou espaço escolar.

Tendo por base o inquérito sobre o perfil dos utilizadores, as respostas sobre o uso dos recursos da net, é bem elucidativo, quando mais de 60% (alunos do ensino secundário) recorre para fins de lazer, enquanto ao nível do alunos do ensino superior ficam acima dos 50%, em contraponto às pesquisas para fins de estudo, neste caso ambos os tipos de alunos não chegam aos 5%. Uma inquietante constatação que transpondo para os níveis de ensino dos ciclos do ensino básico, podem ser ainda mais preocupantes, tal é a relação com esta nova ferramenta de trabalho ao nível escolar.

Não podemos voltar às lousas de xisto e já não podemos viver sem o potencial extraordinária da era digital. Mas não podemos continuar a ignorar algumas das conclusões desta investigação, como a falta de competências aos vários níveis de pesquisa, de selecção, tratamento e transformação da informação dos alunos que vão engrossando a “Geração copy/paste” como é referido na NM n.º 923 em que é reconhecido, que “ao excelente apetrechamento e manuseamento tecnológico dos jovens, não se alia um bom desempenho das competências e capacidade na busca e uso da informação (…)”. Uma lacuna em dotar os indivíduos de autonomia e desenvolvimento de capacidades criticas que a escola em si simplificou nos últimos tempos de desvalorização da escola pública e agora se reflecte também negativamente perante os desafios colocados pelas novas tecnologias em meio escolar. É tempo pois de os responsáveis da educação não se limitarem a ler relatórios inflacionados de sucesso, e saibam interpretar as conclusões que apontam para a determinante aprendizagem de regras mínimas do tratamento dos conteúdos que recebem de várias fontes, a partir dos primeiros anos de escola.

José Lopes (Ovar)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Planos de recuperação: omolete sem ovos


O ministério prepara alterações ao Estatuto do Aluno. Uma das questões mais comentadas pelos profissionais é a dos testes de recuperação, obrigatórios para os alunos que excedam o limite de faltas. Os professores serão obrigados a realizar para cada aluno um teste com as matérias a que faltou. Multiplique-se cada turma por 10 alunos que em média podem incorrer na situação descrita, multiplique-se cada um destes alunos por 13 disciplinas.
Mas se o aluno voltar a faltar a seguir, repetir-se-á a dose.
Os testes seriam teoricamente feitos nas próprias aulas: imagine-se ter de parar as aulas cada vez que há um aluno que excede o limite de faltas…

Mas este é o padrão das pseudo-,medidas de recuperação para travar o insucesso e abandono escolar. A equipa de Maria Lurdes Rodrigues superou-se nesta estratégia burocrática.

Ao mesmo tempo que estes testes extraordinários e sistemáticos vão encalhando contra a realidade, convirá que nos interroguemos sobre o sentido de tudo isto. Porque o governo de Sócrates se especializou, e na educação em particular, na manipulação das aparências. O que se pretende é pura e simplesmente parecer que se está a atacar os graves problemas, com o lançamento constante de normas legais para as escolas, isto é, para cima dos professores.

Tal estratégia visa diminuir a autonomia dos professores. Mais grave do que isso: pretende-se enredá-los sempre mais na teia, paralisando-os através do desperdício de energias e da consequente frustração. Porque ao descarregar sobre eles os graves problemas que estão por detrás de um número impressionante de alunos que faltam sistemática ou frequentemente às aulas, sabendo que eles não podem resolver esses problemas, o governo empurra-os para a impotência.( Neste ponto referimo-nos especialmente aos alunos que faltam por razões alheias a doenças comprovadas, pois neste caso o que é preciso é simplesmente cuidados médicos).

E não vale a pena fazer demagogia ou passar a culpa para os alunos e as suas famílias. A maior parte dos alunos "grandes-faltosos" carece de condições mínimas que geralmente são ignoradas. Há quem falte gravemente à escola porque não tem livros ou material. Ou passe fome. Há quem se sinta completamente desmotivado e arrastado para um beco sem saída. Quem não tem em casa quem saiba ou o possa ajudar. Há quem viva com avós ou outros familiares porque os pais não existem, de facto ou na prática. Há quem, aos 12 e 13 anos, se sinta só e abandonado. Quem sinta na pele o desemprego dos pais. Há quem não tenha papéis de legalização, no caso de filhos de imigrantes. Há quem atravesse crises no fio da navalha na adolescência, num ambiente social degradado.

E qual o papel dos planos de recuperação? Geralmente nenhum. Não passam de papéis e mais papéis. Porque as escolas públicas não têm pessoal com condições para ir saber o que se passa. Técnicos de apoio capazes de agarrar os problemas e trabalhar a sério para encontrar soluções. Práticas agilizadas de promover apoio imediato, a nível de apoio social, psicológico ou de ensino especial.

Ou seja, os nomes dos planos até podem tocar nas feridas do sistema. O problema é que o governo não quer curá-las. Aparentemente dá-lhe mais resultado fazer acreditar que quem está a falhar são os profissionais. O governo aposta no ataque e na pseudo-exigência aos trabalhadores, quando o que falta é a sociedade, e os professores e sindicatos em primeiro lugar, exigirem ao governo (!) meios e recursos humanos em qualidade e quantidade proporcionais à crise gravíssima que afecta perigosamente esses alunos.

Dizer que esses alunos estão a beneficiar com a infração, ou que o ministério os está a premiar, demonstra que não se está a perceber o essencial do que se passa, para além de ser geralmente falso: nunca esses alunos grandes-faltosos por razões não esclarecidas passarão de ano!

Importa por isso exigir meios e apoios imediatos, humanos e sociais, eficazes, para os resgatar do buraco em que estão metidos e que mina toda a sociedade.

Jaime Pinho

Sobre este assunto lê também o post de Helena Dias no blogue “Inverno em Lisboa”.

Lê também a notícia do DN: 16 mil alunos fora da Educação Especial

domingo, 31 de janeiro de 2010

Outra Escola é Possível


Na Biblioteca da Escola Secundária Camões, em Lisboa, teve lugar o II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública. Uma tarde de Sábado que decerto não foi perdida por nenhum dos participantes. É que a discussão foi rica, plural e até empolgante.

Numa sala que ameaçou ser demasiado pequena para a meia centena de pessoas que ali se juntaram, não faltou debate. O documento escrito para o Encontro foi um ponto de partida sólido mas aberto para a discussão que se seguiu. Não se tendo arrumado em nenhuma gaveta a espantosa luta dos professores pela dignidade da sua carreira e da escola pública, abriram-se muitas portas para novos combates sobre o modelo de escola que queremos: menos alunos por turma e por professor, a democracia vivida na escola por todos os seus actores, equipas multiprofissionais, alunos e pais a participar, um currículo integrador de saberes e promotor da reflexão crítica e cidadã, uma escola que não desiste de nenhum/a aluno/a.

O Encontro foi também enriquecido pela presença do Ricardo Silva da APEDE, do Ilídio Trindade do MUP, da Carmelinda Pereira da CDEP, do Joaquim Sarmento (do Movimento Escola Moderna), de vários dirigentes do SPGL, do Sérgio e da Ana (da Associação de Estudantes do Camões) e do blogger e activista Francisco Santos que já postou no (Re)Flexões uma análise pertinente.

Mais de metade das pessoas presentes usaram da palavra tornando o debate construtivo e vivo. Falou-se do “Acordo”. E do que é isso do “Eduquês” e da “Autoridade dos Professores”. Dos chumbos, das retenções, e de como é preciso acabar com eles mas garantindo condições de aprendizagem para todos/as. De como a democracia deve ultrapassar qualquer modelo de gestão. De como o governo está mais interessado nas aparências do que na mudança. De como os estudantes devem ter voz activa na escola sem paternalismos. Da igualdade de oportunidades como missão da escola. E de muito mais.

O documento está agora a ser alterado de acordo com várias sugestões e em breve divulgaremos aqui a sua “versão final”. (Entre aspas, claro, porque é uma discussão sempre em aberto).

Deste encontro o Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia saiu muito mais forte para enfrentar os novos desafios. Não só nós, mas todos os participantes e, sem falsa modéstia, a própria escola pública. É que os novos desafios vão exigir o empenho de muitos/as e é com isso que contamos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Cá estamos!






Gente dando tempo seu (sábado à tarde) a debater e construir caminhos para mais acções pela Escola Pública em Portugal, que garante a qualidade do tempo de todos e de todas.
Bela, a sala da antiga biblioteca da Escola Secundária Camões. Larga, a mesa, a permitir a fala aberta entre pares... educadores, estudantes, pais, mães, professores, professoras, activos na Cidade Comum.
Viva a Escola Pública! Viva!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cá estaremos


II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública

30 de Janeiro, 14h30
Biblioteca da Escola Secundária Camões, Lisboa

(Metro Picoas, entrada pela porta principal da escola)

Vê o
documento, aberto a alterações e contributos.

AECS: próxima reunião é segunda-feira

Eis o comunicado que condensa as reivindicações dos professores das AECs e que anuncia a próxima reunião:

Exigimos respeito!

Desde o início que a implementação das AEC's não corresponde a uma resposta de qualidade devido à irresponsabilidade do ME ao lançar medidas sem ter em conta as situações e as condições em que estas decorreriam;

A forma como estas actividades estão organizadas significa muita escolarização, em espaços que por vezes não são os mais adequados;

Desde o início que o ME colocou uma venda nos olhos e teima em não querer ver a situação caótica estabelecida;

A indignação dos profissionais que trabalham nestas actividades é cada vez maior uma vez que não existem regras, nem na contratação do pessoal que assegura estas actividades, na maior parte docentes, nem nos pagamentos, ou na falta deles, nem tão pouco nas condições de trabalho;

Estes docentes e técnicos estão sujeitos ao despotismo e autoritarismo de empresas criadas à pressa para o efeito, sem o mínimo de preparação nem de preocupação com a qualidade da oferta;

Uma responsabilidade primeira que deveria ser a do ME é delegada nas Câmaras Municipais que, por sua vez, delegam em empresas ou associações de pais. De mão em mão é muito pouco o que chega a quem realmente assegura o funcionamento das AEC`s.

Ninguém fiscaliza nem regula este trabalho de grande precariedade, mão-de-obra barata, e coma aqual o ME, sem escrúpulos, apregoa a sua escola a tempo inteiro.

Porque este modleo nãos erve às famílias, não serve ao país, nem serve a quem em primeira mão deveria servir, às crianças;

Exigimos:

- O fim ao recurso aos recibos verdes

- A melhoria das condições de trabalho - materias pedagógicos, espaços adequados.

- O fim dos atrasos nos pagamentos

- A fiscalização das condições de trabalho e salariais por parte das entidades competentes


- A colcoação dos cocentes das AEC?s através de procedimentos concursais.

Ficou agendada a próxima reunião para o dia 1 de Fevereiro, 19h, na sede do SPGL, para organizar a acção reivindicativa face às exigências apresentadas.

Plenário de professores contratados


Infelizmente, realiza-se à mesma hora e no mesmo dia do II Encontro Nacional do MEP. Uma coincidência muito infeliz e que podia ter sido evitada. Fica o alívio de que ninguém fez de propósito.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Venha esse debate!


Num post publicado esta quinta-feira, o Ramiro Marques transpira a sua aversão pela escola que defende "os direitos dos alunos" e "a educação sexual". E reforça a sua visão passadista e conservadora de uma escola assente apenas na "transmissão de conhecimentos". Tudo isto a propósito do documento que vai estar em discussão aberta no II Encontro Nacional do MEP, este Sábado. Como o próprio afirma, trata-se da sua modesta opinião, que acolhemos com atenção. Naturalmente, discordamos. O Ramiro conclui que não podemos contar com ele para uma “escola faz-de-conta”, mas desde já respondemos que ele pode contar connosco para uma escola inclusiva “a sério”. Na verdade, o Ramiro é uma das pessoas que gostaríamos que participasse com os seus pontos de vista num debate a organizar em breve e que vem referido no nosso documento:

A organização de uma Conferência/Fórum sobre o modelo de escola que se pretende para o futuro, colocando vários pontos de vista em confronto, seja das ciências da educação, do mundo sindical, dos movimentos de professores, de outras áreas sociais, ou de “fazedores de opinião” na Internet. Com este debate pretendemos contribuir para clarificar as ambiguidades em torno do termo “Eduquês”, e ainda desmistificar uma certa visão saudosista do ensino como mera transmissão de conhecimentos, à maneira antiga do “mestre-escola”.

Venha então de cá e de lá esse debate, com o Ramiro e muitos/as mais.

Como dar aulas em Inglaterra


Um novo blogue, uma causa que merece apoio:

A todos os interessados que por ai caminham sem saberem nem muito bem porquê nem como, que passaram por uma licenciatura e anseiam por algo mais, sem saberem bem o quê, mas mais, mais do que esta vida que não nos basta e não nos chega, porque quisemos mais e queremos mais para lá dos recibos brancos ou verdes, dos "cole-centeres" (como diria o nosso amigo Mário Zambujal) e dos centros de explicações, onde não somos senão carne para canhão, e tantas vezes nem isso, apenas números para apagar da lista conforme o patrão se vira para a direita ou para a esquerda enquanto a noite dorme, apenas e somente números sem nome ou letras, numerais, algarismos, unidades, dezenas, milhares de desempregados, quarenta mil professores, a todos quantos estejam dispostos a uma partida feita de sete mares, este blogue é para vocês, um instrumento de trabalho que eu quero de igual modo como instrumento de esperançaa, de acesso gratuito assim como gratuita e a promessa de que amanhã não é longe demais, e já aqui e agora, assim queira a tua mão.

http://www.daraulaseminglaterra.blogspot.com/