
Lutar contra a precariedade, defender a qualidade da escola pública!
Mais informações no blogue dos profissionais das AECs, no site do SPGL e no blogue dos Precários Inflexíveis.
Somos um movimento de professores e cidadãos que se juntam para defender e reinventar a escola pública, porque queremos combater a reprodução das desigualdades sociais e criar uma cultura inovadora, democrática e de participação, tendo como primeiro compromisso o sucesso e a emancipação dos alunos.





Na passada quinta-feira realizou-se mais uma reunião dos profissionais das Actividades de Enriquecimento Curricular, na sede do SPGL, com o apoio dos Movimento Escola Pública e dos Precários Inflexíveis.
Foram constituídos dois grupos de trabalho para preparar a acção de protesto marcada para 11 de Março, quinta-feira, a partir das 17h, junto ao Ministério da Educação.
O Movimento Escola Pública está desde a primeira hora na defesa dos direitos destes profissionais e da qualidade da escola pública.
Exigimos a contratação directa dos profissionais das AECs pelo Ministério da Educação, terminando com a arbitrariedade de autarquias, associações várias e empresas de vão de escada, que exploram estes profissionais e assim contribuem para degradar a qualidade do seu trabalho com os alunos. E não esquecemos a necessidade de integração de algumas destas áreas (como o Inglês, a Música e outras) no currículo, libertando a parte da tarde para actividades fora da sala de aula.
Consulta o blogue dos professores das AECs de Lisboa e vem lutar pela escola pública dia 11 de Março em frente ao Ministério da Educação.
Ontem fomos surpreendidos em todos os órgãos de comunicação social, com a trágica notícia da morte do Leandro Filipe, uma criança de 12 anos, aluno do 6.º ano de uma escola básica do Norte. A situação é tão chocante, que só agora consegui o discernimento necessário para olhar, ainda sem distanciamento, mas já com mais serenidade, para as circunstâncias que as notícias nos dão a conhecer:
- há relatos de agressões sistemáticas de jovens mais velhos às crianças mais novas da escola que o Leandro frequentava;
- há notas sobre um internamento do Leandro, há cerca de um ano, no hospital de Mirandela, em resultado de uma agressão, sendo este internamento do conhecimento da escola e da associação de pais da mesma;
- há manifestações continuadas de desespero da parte do Leandro;
- há conhecimento público de que um grupo de alunos mais velhos o perseguia, fora da escola, em lugares como a central de camionagem;
- os amigos do Leandro, obviamente, conheciam a situação;
no entanto, ninguém agiu, ninguém ajudou o Leandro, que só encontrou como remédio para o seu sofrimento matar-se. E agora, todos os que não deveriam nunca desresponsabilizar-se desta lamentável situação o fazem.
Na verdade eu nunca conseguirei qualquer espécie de dsitanciamento em relação a esta notícia. É uma daquelas coisas que ficam a magoar-nos para sempre. Podia ter sido um filho ou filha minha? Impossível não seria, mas dificilmente poderia ter acontecido, porque eu fui uma mãe atenta a todos os sinais de alarme, porque tive e tenho as competências suficientes para adquirir informação. E eu tinha a informação necessária sobre os sinais de alarme que deveria valorizar durante a infância e a adolescência dos meus filhos. Mas isso não foi, obviamente, pelo que resulta das notícias, o que se passou com a família do Leandro. (*) Por isso, teriam que ser as instituições que o acolhiam a agir.
A escola, a dar-se conta de que não chega ter um relatório a dizer que naquela escola não existem casos de violência - as crianças não são números em relatórios compostos para o bom retrato das instituições.
O hospital a contactar, como era seu dever, a Comissão de Proteção de crianças e Jovens local.
A associação de pais, a pedir ajuda técnica para defender os filhos dos que a compunham e de todos os outros, que é uma das suas elementares competências.
Mas nada disto aconteceu.
Ontem, em completo estado de choque, deixei uma nota no mural da minha página do facebook, que transcrevo, com os comentários respectivos, depois de pedida autorização às suas subscritoras:
“fez-me impressão a declaração do senhor da associação de pais, a dizer peremptoriamente que não havia casos de bullying na escola, apesar de tudo indicar o contrário. é como se estivessem mais preocupados a garantir o prestígio da escola do que em prevenir o problema. fica um sabor amargo a uma espécie de encobrimento que alimenta a ideia de que só os fracos são bullyed, e que essa é uma vergonha que interessa a todos esconder. também tenho medo.
(Mariana Avelãs)







