quarta-feira, 10 de março de 2010

Participa no protesto!


Quinta-feira, a partir das 17h, junto ao Ministério da Educação:

Lutar contra a precariedade, defender a qualidade da escola pública!

Mais informações no blogue dos profissionais das AECs, no site do SPGL e no blogue dos Precários Inflexíveis.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Educação e o ‘economês’


Afirmar a importância da educação no desenvolvimento das sociedades pareceria ser objecto de algum consenso social. Contudo, ao ouvir as posições de alguns conhecidos comentadores, presentes nalguma Comunicação Social, as coisas afiguram-se muito mais polémicas. Intervenções do prof. Nuno Crato, no programa ‘Plano Inclinado’ da SIC Notícias (08/02/2010 e 07/03/2010) e de Pedro Lomba no jornal ‘Público’ (02/03/2010), entre outros, procuram enquadrar as suas perspectivas educacionais em concepções de sociedade e em modelos económicos bem precisos, mas pouco explicitados.

Nuno Crato cita e elogia as posições de Eric Hanushek, um economista norte-americano, vertidas num recente relatório da OCDE, que considera que as políticas educativas só têm efeitos positivos na economia se incidirem sobre a qualidade do ensino e não tanto sobre a ‘quantidade’ da população abrangida. O critério da qualidade da educação seria, pois, o seu impacto na eficiência económica ou na tão apregoada competitividade.

Pedro Lomba, comentando outro relatório da OCDE sobre a (escassa) mobilidade social em Portugal, conclui que isso se deve à ‘uniformização’, ao ‘igualitarismo’ e à ‘irresponsabilidade’ nas escolas. Tanto um como o outro parecem opor-se fortemente a uma nebulosa de teorias pedagógicas que propuseram a unificação de percursos escolares na escola básica, que defendem a superação dos modelos de transmissão do saber baseados no papel central do professor e que pretendem teorizar e aplicar uma pedagogia que recentra o processo educativo no aluno.

Ao contrário, eles valorizam a selectividade como forma de criar elites intelectuais, científica e tecnicamente bem preparadas, sobre as quais assentaria o progresso das sociedades. A escola serviria para esse fim, reorientando ‘os tidos como incapazes’ para caminhos profissionais menos ambiciosos.

Não é de estranhar que este discurso ignore o longo e penoso caminho que, na generalidade dos países europeus, desde o século XVIII e sobretudo desde o século XIX, as populações percorreram até ao acesso generalizado à escola pública. Nem tão pouco que desvalorize o enorme esforço feito pelos estados, impulsionados por personalidades com intervenção cívica muito forte, na criação de cada vez melhores condições para o sucesso escolar e social das gentes menos favorecidas económica e culturalmente. Nem ainda que queira esconder o crescente impacto no desenvolvimento económico e social e na democratização das sociedades que aquele processo desencadeou.

O que espanta é que se evoque, aqui e ali, como modelo a repor, o ensino de há cinquenta anos, a segmentação, aos dez anos, do sistema escolar em duas vias divergentes – liceal e técnica – e ainda a instauração na escola duma autoridade de feição policial. Esquece-se, porventura, que, no início dos anos setenta, já a reforma Veiga Simão apontava caminhos no sentido duma escola pública básica unificada, de oito anos, a que as políticas pós-25 de Abril acrescentaram mais um ano, embora com áreas opcionais, que posteriormente vieram a ser abandonadas? E que dizer sobre a progressiva degradação da formação de professores, muito nítida desde o início dos anos oitenta? Quem deve ser responsabilizado pelas inflexões ‘facilistas’ do nosso sistema de ensino?

Não é possível reflectir produtivamente sobre os difíceis momentos que a escola hoje atravessa e desenvolver estratégias para os superar, se os notáveis comentadores da educação que temos continuarem a isolar e, por isso, a ‘ficcionar’ os contextos educativos em que trabalhamos, sem se preocuparem com as múltiplas interacções que se produzem, quotidianamente, dentro da escola, entre esta e a sociedade em que ela se insere e até dentro da própria sociedade que a envolve; se continuarem a tomar a ‘nuvem por Juno’ no que diz respeito aos motivos dos fracos resultados escolares [e educativos], que todos reconhecemos que existem, esquecendo as responsabilidades dos que governaram e geriram a educação ao longo destes mais de trinta anos; se, enfim, persistirem em encarar o sucesso dos jovens e da escola como questão meramente instrumental relativamente às políticas, aos objectivos económicos e aos modelos de organização da sociedade que defendem. A acreditar neles, estaríamos intelectual e civilmente bem mais seguros e perante uma realidade muito mais simples e linear. Havendo quem pensasse por nós, circularíamos tranquilos no grande reino do ‘economês’…

José João Lucas
Escola Básica 2 3 de Mealhada

A precariedade é um atentado


O dossier deste número do E.I. aborda uma questão que deve ser analisada a partir de diferentes pontos de vista. As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC's) surgiram como justificada tentativa de possibilitar gratuitamente a todos os pais a ocupação dos seus filhos mais pequenos depois o horário escolar, prática até então restringida a quem pagasse por tal serviço. Nasce pois com uma intenção louvável. Mas rapidamente se tornou claro que o modo como foi posta em prática frustou boa parte desta generosa intenção. Um certo cais se instalou onde a prática de algumas associações de pais e outras instituições tinham conseguido - embora com algum peso económico para os pais - obter bons resultados. A indefinição quanto ao que se pretendia com estas AEC's, associada ao facto de boa parte dos seus executores serem professores sem colocação e as actividades se desenvolverem nos espaços escolares, conduziu rapidamente a que se tornassem em práticas lectivas para as crianças, ao mesmo tempo que, em muitas escolas, se amputavam ao currículo do 1º ciclo as áreas de que as AEC's tratavam.

Linearmente: se essas actividades são curriculares, devem manter-se normalmente no curículo. E fora desse currículo, o que deve haver são actividades lúdicas de ocupação dos tempos livres. Insisto: actividades lúdicas e nunca actvidades de currículo ou de enriquecimento curricular.

Mas uma outra perspectiva de abordar esta realidade é a extrema precariedade laboral e a indifinição e variedade de pagamento a estes trabalhadores - na sua maioria docentes. Contratados por empresas - algumas delas criadas expressamente para esse fim, outras francamente incipientes - ou directamente por autarquias, pagos à hora - e com valores relativamente diferenciados - estes trabalhadores são um bom exemplo do que é o recurso a falsos recibos verdes e do que é a precariedade extrema.

Infelizmente, a precariedade alastra na docência e ameaça tornar-se a "norma" se não formos capazes de derrotar a lógica da poupança a qualquer preço. No último concurso entraram apenas 396 professores e educadores para os quadros de onde saíram mais de 20.000 docentes - numa corrida às aposentações que só não preocupa quem não se interessa pelas escolas e pela qualidade da educação, corrida que se acentuou nos últimos dias com as medidas que agravam ainda mais as condições para a aposentação. É imperioso evitar que no próximo concurso de 2011 se repita este cenário: a precariedade é um atentado à felicidade. Por isso é desumana. A precariedade não é a solução nem serve o interesse das escolas.

António Avelãs, editorial da revista “Escola Informação”

sábado, 6 de março de 2010

Fácil e vingativo


A propósito do caso da criança vítima de bullying que cometeu suicídio, não faltaram as vozes fáceis e vingativas. O Ramiro Marques concorda com a proposta da Confap de retirar apoios sociais às famílias “negligentes”, uma rotação de 180º relativamente ao que esta organização defendia há uns meses atrás, como bem lembrou Paulo Guinote.

É que o assunto não é novo. A mesma histeria propagou-se quando um professor decidiu lançar uma petição polémica com os mesmos objectivos. Já nessa altura, mostrámos em poucas palavras por que motivo não escolhemos esse caminho. E mantemos o que dissemos.

AECs com protesto marcado para 11 de Março


Na passada quinta-feira realizou-se mais uma reunião dos profissionais das Actividades de Enriquecimento Curricular, na sede do SPGL, com o apoio dos Movimento Escola Pública e dos Precários Inflexíveis.

Foram constituídos dois grupos de trabalho para preparar a acção de protesto marcada para 11 de Março, quinta-feira, a partir das 17h, junto ao Ministério da Educação.

O Movimento Escola Pública está desde a primeira hora na defesa dos direitos destes profissionais e da qualidade da escola pública.

Exigimos a contratação directa dos profissionais das AECs pelo Ministério da Educação, terminando com a arbitrariedade de autarquias, associações várias e empresas de vão de escada, que exploram estes profissionais e assim contribuem para degradar a qualidade do seu trabalho com os alunos. E não esquecemos a necessidade de integração de algumas destas áreas (como o Inglês, a Música e outras) no currículo, libertando a parte da tarde para actividades fora da sala de aula.

Consulta o blogue dos professores das AECs de Lisboa e vem lutar pela escola pública dia 11 de Março em frente ao Ministério da Educação.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Violência escondida


Ontem fomos surpreendidos em todos os órgãos de comunicação social, com a trágica notícia da morte do Leandro Filipe, uma criança de 12 anos, aluno do 6.º ano de uma escola básica do Norte. A situação é tão chocante, que só agora consegui o discernimento necessário para olhar, ainda sem distanciamento, mas já com mais serenidade, para as circunstâncias que as notícias nos dão a conhecer:

- há relatos de agressões sistemáticas de jovens mais velhos às crianças mais novas da escola que o Leandro frequentava;

- há notas sobre um internamento do Leandro, há cerca de um ano, no hospital de Mirandela, em resultado de uma agressão, sendo este internamento do conhecimento da escola e da associação de pais da mesma;

- há manifestações continuadas de desespero da parte do Leandro;

- há conhecimento público de que um grupo de alunos mais velhos o perseguia, fora da escola, em lugares como a central de camionagem;

- os amigos do Leandro, obviamente, conheciam a situação;

no entanto, ninguém agiu, ninguém ajudou o Leandro, que só encontrou como remédio para o seu sofrimento matar-se. E agora, todos os que não deveriam nunca desresponsabilizar-se desta lamentável situação o fazem.

Na verdade eu nunca conseguirei qualquer espécie de dsitanciamento em relação a esta notícia. É uma daquelas coisas que ficam a magoar-nos para sempre. Podia ter sido um filho ou filha minha? Impossível não seria, mas dificilmente poderia ter acontecido, porque eu fui uma mãe atenta a todos os sinais de alarme, porque tive e tenho as competências suficientes para adquirir informação. E eu tinha a informação necessária sobre os sinais de alarme que deveria valorizar durante a infância e a adolescência dos meus filhos. Mas isso não foi, obviamente, pelo que resulta das notícias, o que se passou com a família do Leandro. (*) Por isso, teriam que ser as instituições que o acolhiam a agir.

A escola, a dar-se conta de que não chega ter um relatório a dizer que naquela escola não existem casos de violência - as crianças não são números em relatórios compostos para o bom retrato das instituições.

O hospital a contactar, como era seu dever, a Comissão de Proteção de crianças e Jovens local.

A associação de pais, a pedir ajuda técnica para defender os filhos dos que a compunham e de todos os outros, que é uma das suas elementares competências.

Mas nada disto aconteceu.

Ontem, em completo estado de choque, deixei uma nota no mural da minha página do facebook, que transcrevo, com os comentários respectivos, depois de pedida autorização às suas subscritoras:

A trágica diferença entre os relatórios oficiais e a verdade. A trágica incapacidade de órgãos de direcção da escola, professores, e outros trabalhadores perceberem que este tipo de violência se passa escondido pelos violentadores e pelos violentados, havendo que procurar outros sinais. Toda uma angustiante indiferença ao sofrimento de uma criança.
Sou mãe - uma coisa assim poderia ter acontecido com os meus filhos, se não tivesse estado sempre tão presente e atenta.
Sou avó e tenho medo pelos meus netos.
Hoje estou de luto.”

Nesta nota, a Mariana Avelãs e a Universina Coutinho, amiga e antiga companheira do movimento associativo de pais, na federação regional de lisboa e na concelhia da Amadora, colocaram os seguintes comentários:

fez-me impressão a declaração do senhor da associação de pais, a dizer peremptoriamente que não havia casos de bullying na escola, apesar de tudo indicar o contrário. é como se estivessem mais preocupados a garantir o prestígio da escola do que em prevenir o problema. fica um sabor amargo a uma espécie de encobrimento que alimenta a ideia de que só os fracos são bullyed, e que essa é uma vergonha que interessa a todos esconder. também tenho medo.

(Mariana Avelãs)

“É muito preocupante. E pensar que há instituições com capacidade para desenvolver projectos de prevenção da violência sobre as crianças que poderiam ser incorporados nos projectos educativos de escola. Já houve uma experiência interessante e com bons resultados aqui na Amadora. Os professores, gabinetes de psicologia e funcionários das escolas aderiram em massa à formação destinada a detectar os sinais de violência, e lidar com os casos e a encaminhar para as entidades competentes. Outras escolas pediram formação neste domínio... mas como todas as expeiências piloto, ficou-se por aí. Falta vontade política e sobram razões economicistas para que as crianças tornem-se realmente a prioridade das políticas, a todos os níveis.

(...)

Mas o bullying envolve as crianças de 3 formas: como vítimas, como agressores e como testemunhas. Isso tem que ser tratado no seu conjunto. Mudar a criança de escola, expulsar os agressores, não quebra o ciclo da violência, não ensina a lidar com o facto, a defender-se.
Normalmente a vítima de bullying possui características (não quero dizer que sejam negativas) que atraem os agressores onde quer que ela esteja.
Ser diferente (ou por ser "melhor", ou por ter outra cultura, ou por ser mais sensível, pelas características físicas etc) é um bom "petisco" para o exercício da violência.
Na realidade, todos precisam de serem confrontados com os factos, no meio onde ele ocorre e receberem o apoio necessário, quer para sair da situação de vítimas, ou de agressores ou para lidar com a situação de terem testemunhado.
Isso é muito complexo para se tratar em duas pinceladas, mas em suma, exige uma posição firme, esclarecida, aberta, sem rotulações, que promova o clima de respeito pelo outro, por parte de todos os adultos envolvidos, nomeadamente por parte dos responsáveis pelas instituições
.

(Universina Coutinho)

A Universina Coutinho, que lidou com os projectos que refere, comprometeu-se a fazer um texto mais aprofundado sobre esta matéria para publicação aqui no blog do MEP.

Entretanto, podem, sobre esat matéria, ser consultados vários sítios, com informação. A título de exemplo, deixo estes links:

http://www.amcv.org.pt/

http://www.bullyingescola.com/en/

http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2231/

(*) – E é por saber das incapacidades parentais nestas matérias que acolho com espanto a proposta que a Confap terá entregue ao ME. O imediatismo normalmente é mau conselheiro...


HELENA DIAS

quinta-feira, 4 de março de 2010

Muitas escolas encerradas


O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, considerou que a greve desta quinta-feira está a ter uma adesão «extraordinária» entre os professores e o pessoal auxiliar das escolas e lamentou que alguns estabelecimentos se encontrem abertos «irresponsavelmente». (notícia aqui)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ensino privado: algum merece repulsa


(A propósito das notícias informando que o ensino está em expansão e o público em retracção)

No ensino privado há realidades muito distintas. Há colégios e instituições que prestam inequivocamente um serviço público superando assim algumas debilidades do sistema público. É o caso de numerosas IPSS com as suas creches e infantários, é o caso de colégios em zonas onde não foram construídas escolas públicas, algumas escolas profissionais e algumas universidades. Cumprem um papel social, há que agradecer-lhes por isso, sem deixar de exigir ao sector público que assuma futuramente o seu dever.

Mas esta minha compreensão não a estendo às centenas de grandes colégios, boa parte dos quais ligados á igreja católica. Jesuítas, salesianos, inacistas, do Sagrado Coração, S.João de Deus, Opus Dei, enfim, um rol de casas quase sempre luxuosas, destinadas a uma elite (financeira), através da qual a igreja católica pretende construir os quadros que venham a assegurar, no governo do país, os benefícios e privilégios não só da própria igreja, mas também da oligarquia que nela se apoia. Os ricos alimentam a igreja pagando os seus colégios; a igreja paga aos ricos procurando garantir-lhes o controlo do país para que os seus dinheiros se multipliquem…mutuamente.

Mais do que formação religiosa, o que estas escolas procuram é criar elites políticas, ideologicamente formatadas, formalmente democráticas quando tal convier, mas de facto profundamente aristocráticas e antipopulares. E antidemocráticas se for necessário.

E não se argumente que também há a igreja para os pobres – a igreja dos centros paroquiais, das misericórdias, do apoio aos mais pobres. Há e essa gente merece ser respeitada. Mas esta arte de mexer bem os cordelinhos que movem a sociedade, de modo a tê-la sempre sob controlo é bem a marca desta triste igreja católica portuguesa. Tenho 37 anos de serviço sempre em escolas públicas, por opção. É aí que estão os “iguais”. É nessa escola que temos de investir – essa é a batalha que vamos ganhar. Contra as oligarquias financeiras e religiosas.

Publicado por António Avelãs, no blogue Circo lusitano

terça-feira, 2 de março de 2010

Ensino público e ensino privado


É notícia hoje em todos os meios de comunicação social, a constatação da perda de alunos nas nossas escolas, nos últimos dez anos, devida à quebra da natalidade. Porém, e ao que resulta dos números hoje publicados, nos últimos anos ter-se-a verificado uma muito mais acentuada perda de alunos no ensino público do que no privado, parecendo até verificar-se, muito recentemente, uma inflexão dessa perda no que respeita às escolas particulares.

Não havendo dados que nos permitam perceber como se manifestou a quebra da natalidade entre as classes sociais que habitualmente procuram o ensino privado para os seus filhos, poder-se-á apenas procurar explicações para a diminuição da procura das escolas públicas, em circunstâncias comumente conhecidas, como, nomeadamente, a oferta de projectos educativos específicos, a sensação de maior segurança oferecida pelas escolas privadas, mas também a sensação que as famílias terão desenvolvido, de que o ensino privado oferece maior estabilidade que o ensino público. Nem sempre a qualidade percebida é idêntica à qualidade real e, nisso, o Ministério da Educação tem fortes responsabilidades, pela forma como transmitiu sistematicamente uma ideia de menor qualidade do trabalho dos professores da escola pública e da efectiva instabilidade que as suas políticas instalaram nas escolas.

Curioso é também ler a notícia de que o estado financia 44 por cento dos alunos do particular, através de contratos variados, entre os quais serão de maior importância os de associação. Este elemento deverá então também ser tido em linha de conta nas explicações atrás ensaiadas. Ora esse é um elemento que nos deve causar alguma perplexidade. É que, sendo os contratos de associação necessários para suprir a falta de oferta pública, não se entende este número tão elevado de financiamento e, muito menos a reivindicação da Associação de Estabelecimento do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) de completa gratuitidade.Uma análise mais fina desta situação terá que ser feita, para que se possa entender toda a actual complexidade da transferência de verbas públicas para estabelecimento de ensino privados e o que se planeia fazer no futuro. Voltaremos ainda a esta questão.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Assim vai a escola: diário do dia


Hoje ficámos a saber que no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues o Ministério gastou ilegalmente mais de cinco milhões em salários de professores que deviam ter sido pagos por outros. Agora, no tempo do congelamento dos salários e de Isabel Alçada, a Parque Escolar - a quem o governo entregou o edificado das escolas - atribuiu um ajuste directo aos escritórios de advogados do líder do grupo parlamentar do PSD.

No dinheiro mal gasto, na austeridade contra os de sempre, e na educação como negócio, não há como bater o Bloco Central.Quem perde é a escola. Para políticas de inclusão, como o investimento no ensino especial, sobra quase nada.

Quem deve a quem?


Sobre o post de CCarujo “um conto que não encanta” (7 de Fevereiro) – uma narrativa sobre a dívida externo do designado terceiro mundo, dívida tão cara aos Bretton Wood e a todo o capitalismo internacional, e a propósito da campanha “Quien debe a quien?”, seria complementar recordar o discurso do antigo embaixador mexicano Cuatemoc, num encontro de chefes de estado, em Madrid, no ano de 2002.

No seu pressuposto, demonstrava, de forma magistral e do fundo de uma ancestral sabedoria índia, a demência e a irracionalidade dos conceitos capitalistas.
O que fizeram os países "descobridores", os países portadores da tão iluminada cultura ocidental, dos milhões de quilos de metais preciosos tirados das Américas e que inundaram a Europa, reforçando a arrancada do capitalismo moderno? Questionava Cuatemoc.

Reproduziram essa riqueza que não consideram um saque (logo, só pode ser um empréstimo sem o consentimento do dono) e estarão, hoje, dispostos a pagar os devidos juros desse antigo acto fiduciário que a história ainda não cobrou?

As contas estão feitas. O ex embaixador informava… "devem-nos 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata", que, se elevado à potência de 300 (300 anos), será "um número para cuja expressão total, será necessário expandir o planeta Terra."

Parece ficção? Claro, os tais ""descobridores" olham para isto como uma metáfora, um malabarismo "terceiro-mundista". Certamente. Pois não são eles que farão o resgate da liberdade.

A problemática da dívida externa constitui-se num arrazoado improvável para a justificação da nulidade das dívidas externas dos países pobres, ou em desenvolvimento, sujeitos à relação de forças, no quadro jurídico internacional.

Sabemos que a questão da dívida não se reduz apenas às relações internacionais contemporâneas, é um problema histórico, político, social, ecológico, através do qual os povos do Sul vêem saqueados, amputados, os seus recursos e a autonomia do seu desenvolvimento.

Há uma dívida histórica para com os países do Sul e a anulação da actual dívida externa desses países constituiria uma primeira reparação pelos prejuízos e sofrimentos causados, ao longo da história.

Mas a anulação da "odiosa" dívida representaria pôr em causa os condicionamentos económicos, os programas de ajustamento à finança global, a liberdade dos países contra o flagelo das suas comunidades. Seria ganhar a história.

Só que, pela história, combate-se.

Aqui deixamos um contributo, que se pode utilizar na escola


fernanda Queirós

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lex e mais Lex...mas que temos de tomar conhecimento

Alterações ao estatuto do aluno - Link para o Decreto Regulamentar

Exames Nacionais de equivalência à frequência - Link

Última proposta de alteração do ECD - Link

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Uma greve justa


Uma greve mais do que justa, mesmo tendo em conta que:

“Tradicionalmente, os professores oscilaram entre um extremo “individualismo” na acção pedagógica e modelos sindicais típicos de “funcionários do Estado”. São, nos dias de hoje, formas obsoletas de encarar a profissão. O empobrecimento das práticas associativas tem consequências muito negativas para a profissão docente. É urgente, por isso, descobrir novos sentidos para a ideia de colectivo profissional.”

Esta frase, retirada de um texto de António Nóvoa publicado no blogue
Terrear, é recuperada pelo blogue Outròólhar para uma reflexão interessante sobre a profissão docente, o Estado e os sindicatos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O dinheiro é para a criação de empregos e para a educação


4 de Março


Dia Nacional da Luta em defesa da educação, nos Estados Unidos da América


No dia 4 de Março, uma quinta-feira, irão decorrer várias acções de luta em defesa do ensino público, nos EUA.


Por todo o país, estudantes, professores, e outros trabalhadores, bem como parentes e amigos preocupados, activistas públicos e várias organizações, irão aproveitar a semana do dia 4 de Março para, todos juntos, empreender várias formas de luta a favor do ensino público e da igualdade de direitos no acesso ao ensino superior.


Os efeitos da crise económica fez-se sentir em todos os sectores e o governo dos Estados Unidos está a realizar cortes nas despesas em diversas áreas dos serviços públicos, nomeadamente n a educação e na saúde. Várias unidades estão a ser enceradas o que não só está a privar as populações do seu usufruto como conduz a mais desemprego. Estes acontecimentos recentes vieram impulsionar ainda mais o processo de privatização destes serviços do qual resultará não só a degradação das condições de trabalho dos professores, uma vez que põe em perigo a união da classe, como deixará de fora do sistema as minorias mais frágeis: alunos estrangeiros e alunos com necessidades educativas especiais - nas suas ofertas não são contemplados o Inglês, como segunda língua e muito menos técnicos especializados em ensino especial, pelas razões óbvias, não é rentável.


São instituições que podem pertencer a grandes grupos económicos ou grupos de interesses que irão fazer uma selecção dos alunos e terão nas suas mãos o controlo dos currículos e dos gastos com a educação. As corporações e instituições financeiras mal podem esperar para pôr as mãos nos 800 biliões de dólares que ai são dispendidos todos os anos.


A administração Obama contribuiu para o processo de privatização do ensino público ao destinar 4 biliões de dólares aos diferentes estados para que estes competissem entre si no desenvolvimento de um novo plano para a educação. O programa,“Race to The Top”, corrida para o topo, prevê-se, conduzirá à progressiva redução das verbas gastas com as escola e cortes nos ordenados dos professores que tendencialmente serão associados aos resultados escolares dos seus alunos, abrindo as portas à possibilidade de despedimentos sempre que os alunos das respectivas escolas não apresentarem os desempenhos desejados.


A diminuição das receitas do estado, como consequência da crise económica generalizada, forneceu um bom pretexto aos governos dos vários estados dos EUA para que no futuro sejam feitos ainda mais ataques ao ensino público. Em Dezembro passado, 36 estados fizeram grandes cortes nas verbas para a educação o que obrigou a grandes reduções no pessoal nas universidades e a que houvesse menos dinheiro para gastar por aluno, mais cortes serão de esperar em 2010.


Neste clima de grandes reduções orçamentais, 4 de Março é o dia marcado para o lançamento de um movimento que pretende unir estudantes, educadores e outros profissionais na luta contra o ataque ao ensino público, com a demanda: “O dinheiro é para a criação de empregos e para a educação não para a guerra e para as prisões”.


Para isso é fundamental que os vários movimentos: a favor da criação de empregos; de defesa do ensino público; contra a guerra; contra a ocupação do Iraque e do Afeganistão pelos EUA, juntem esforços, adivinha-se pela frente uma luta longa e difícil.

Para mais informações sobre o Dia de Luta Nacional em defesa da Escola Pública, nos EUA


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Acção de protesto dos profissonais das AECs


Na sequência dos dois plenários que ocorreram nas últimas semanas, está agendada uma acção de protesto de profissionais das Actividades de Enriquecimento Curricular da Grande Lisboa para o próximo dia 11 de Março, em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa. O cartaz de divulgação e apelo à participação estará presente em todas as escolas do 1º ciclo da Grande Lisboa.

Lê também a Carta que será entregue à Ministra da Educação no dia 11 de Março.

Burgos: Manifesto pela escola pública, laica e gratuita

La escuela es un elemento esencial para formar a las personas como ciudadanos y trabajadores que contribuyan a las transformaciones sociales y productivas necesarias para romper con el actual modelo especulativo y del empleo precario, así como para avanzar hacia una organización social más igualitaria y un nuevo modelo productivo basado en el conocimiento.

Lê o manifesto, em castelhano

Carreira docente: abrir novos horizontes


É pena que os sindicatos não sejam mais criativos na elaboração da ECD
Por exemplo criar uma exigência de haver sempre no Ministério em regime de rotatividade (cada representante só poderia ficar no ministério num período de 5 anos), representantes de educadores e professores com anos de serviço e em exercício nos últimos anos.

Dever-se-ia criar um espaço tipo O MINISTÉRIO OBRIGA-SE... por exemplo a não acabar com reformas educativas em curso por completo sem que 1º seja feita uma avaliação da anterior e em que se aproveite aspectos manifestamente positivos (estou farta de reformas... já apanhei uma porrada delas sem que se soubessem os resultados).

O ministério obriga-se a criar um seguro de saúde para professores, já que é uma carreira de risco em termos de voz, ouvidos e psicológicos.

O ministério obriga-se a respeitar e incentivar experiências pedagógicas bem fundamentadas de professores nos seus locais de trabalho, já que é por demais importante aproveitar ou descobrir novas ideias em consonância com as novas necessidades educativas que o mundo exige actualmente.

O Ministério obriga-se a respeitar as orientações/decisões/determinações de cada direcção em agrupamento, fundamentadas na realidade de cada lugar .

O Ministério obriga-se a ter um equipa com um número de psicólogos consoante as exigências dos agrupamentos para acudir aos problemas cada vez mais complexos que aparecem nas escolas.

O ministério obriga-se a conceder pessoal auxiliar com contractos mais consistentes de forma a garantir uma boa vigilância e continuidade de funções (isto para não haver o que está a acontecer agora... pessoas que acabam contractos e estão há 3 anos e as câmaras vão pôr na rua porque não as querem colocar no quadro... isto é péssimo para um ambiente harmonioso... Se elas são boas FICAM e não regateiam o que é justo).

Depois também deveria haver algo que dissesse TODA E QUALQUER FORMAÇÃO que os professores vão fazendo não pode interferir na dinâmica de trabalho diário com experiências avulso e trabalhos penosos para os professores, paralelos aos que deles já se exige.

Também deveria haver um capítulo que dissesse CABE AOS PROFESSORES A ESCOLHA DA FORMAÇÃO QUE SENTEM SER IMPORTANTE, E ISSO NÃO SE LIMITA A FORMAÇÃO NAS ÁREAS DE PORTUGUÊS, TIC E MATEMÁTICA. DEVERIAM SER OS CENTROS DE FORMAÇÃO A ESCOLHER, FUNDAMENTADOS EM PEDIDOS DE PROFESSORES... Gestão de conflitos, o humor na educação, educação para a voz, técnicas de relaxamento, etc... também são importantes.

Deveria também haver... OS EDUCADORES DE INFÂNCIA PASSAM A TER UNS DIAS SEM CRIANÇAS PARA FAZER A AVALIAÇÃO DAS SUAS CRIANÇAS (é altura de se perceber que é nos jardins de infância que está a base e que deveria ser dado um grande apoio para prevenir... para ver se as crianças entram nas escolas com menos problemas, ou pelo menos bem despistados).

Há que contornar com mais inteligência e ver a carreira de forma alargada. A carreira dos professores não se limita ao que aqui expõem. Há coisas de fundo que poluem um trabalho... até à destruição e isso provoca a destruição de muitas pessoas... isso não se paga. Têm que ir muito mais a fundo

Dulce Castilho

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ensino especial

Foram estabelecidos novos mecanismos de intervenção e regulação para a educação especial:
A quem interessar saber mais aqui fica o Link para a nova legislação.