sexta-feira, 11 de junho de 2010

Desconversar para reinar


O Público traz esta sexta-feira um artigo de fundo sobre o tamanho das turmas e a sua relação com o sucesso escolar, a propósito das mais de dezoito mil assinaturas entregues no parlamento pelo Movimento Escola Pública. Conseguindo ser elucidativo sobre a patetice dos argumentos governamentais, é um facto que as estatísticas publicadas podem confundir os que andam menos atentos a estas coisas.

O Paulo Guinote, que é um dos primeiros subscritores da petição, desmascarou de forma eficaz, aqui e aqui, a estratégia do desconversar para reinar.

Sublinhamos apenas o seguinte:

1) Esta petição defende a redução do número máximo de alunos por turma e não o número médio, mediano, mínimo ou outro qualquer. Precisará o Secretário de Estado de aulas de Matemática? Não, não precisa, só gosta de desconversar.

2) Acha o governo que, com o mesmo professor e à mesma disciplina, um grupo de 28 alunos tem tanto ou mais sucesso na aprendizagem do que o mesmo grupo mas com menos seis alunos? É desta pergunta que fogem, desconversando.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Muitas vozes reais


Sabemos que o governo vai recorrer a todo o tipo de argumentos baixos para justificar a sua oposição à redução do número máximo de alunos/as por turma e por professor, e pela presença de uma assistente operacional em cada sala de jardim de infância. Até por isso não nos cansamos de divulgar os testemunhos de quem assina esta petição, que não falam de realidades virtuais ou estatísticas mas sim da experiência evidente do dia a dia:

Como aluna, durante o ensino básico e secundário, senti muitas vezes a dificuldade de estar numa sala com cerca de trinta alunos e apenas um professor. O esforço necessário por parte de alunos e professores é imenso e, nos casos em que não existe cooperação, (o que acontece muitas vezes por parte das turmas nessas idades), o que se retira das próprias aulas é, de facto, muito pouco.

Diana Pereira

Tenho um filho com 11 anos no 6º ano e desde que entrou no sistema público que nunca são menos de 24/26 alunos na turma e este ano lectivo até são 28 alunos: 14 raparigas e 14 rapazes com idades entre os 11/12 anos! Conclusão: não serve para nada as aulas de 90 minutos, até pelo contrário !!! Álém de que todo o pessoal auxiliar não aumenta - DIMINUI! É obrigatório investir no futuro deste País e isso é investir na educação, cultura e nas novas gerações!

Célia Correia

O elevado número de alunos torna inviável a diferenciação pedagógica na sala de aula, cada vez mais necessária no actual contexto escolar

Maria Eugénia Pais

Um ensino de qualidade pressupõe que se tenha tempo útil de aula para apoiar todos os alunos.

Paula Brum da Silveira

Concordo plenamente com a redução do número de alunos por turma. Pois ando no EFA nível Secundário e a turma é muito grande, assim com turmas enormes é impossível um professor trabalhar. Se fossem turmas reduzidas o ensino seria mais proveitoso e mais eficaz.

Susana Oliveira

A "grande paixão" passa também por questões simples. É impossível obter o mesmo rendimento dos alunos em turmas grandes. Basta olhar para o exemplo nórdico, que só é apontado quando interessa para verem. E por favor NÃO venham com a estatística que temos entre 12 a 15 alunos por turma pois ninguém ACREDITA

António Rua

Desde que sou professora, já lá vão uns trinta anitos, que falo no assunto.

Maria Arlete Sítima

Também os alunos, talvez dos mais interessados neste assunto, deveriam ter acesso a esta petição e tomar uma posição pública, através das suas organizações e associações.

Francisco Caldas

Que o Ministério deixe de fazer contas de merceeiro e reduza o nº de alunos por turma, nomeadamente nas aulas de línguas vivas!

João de Azevedo

Atenção que o número elevado de crianças por turma também existe no pré-escolar, onde as crianças são mais pequenas e necessitam de mais atenção individualizada. É no início da entrada para a escola que se deve fazer uma grande aposta. É aqui que se marca a diferença!!!

Paula Cristina de Macedo

A qualidade tem que se sobrepor à quantidade. Sem qualidade não há ensino eficaz. O economicismo asfixia o ensino. Como em muitas vezes na vida, o barato sai caro...

António de Castro

O n.º de alunos por turma deve ser reduzido, para que exista um maior sucesso escolar. Imaginem um professor de 1.º ciclo com 25 alunos de 1.º ano. Se todos passassem por esta experiência percebiam e davam mais valor ao nosso papel.

Lina Queiroz

Como é possível desbaratar-se tanto dinheiro no Magalhães e querer agora fechar escolas e reduzir o número de professores aumentando o número de alunos? Até onde vai a nossa paciência?

Fernando Freitas

Procurem dar o máximo de destaque a esta petição porque muita gente a assinará

Gonçalo Marques

Dez mil alunos surdos sem acompanhamento


Dez mil surdos portugueses estão sem o devido acompanhamento escolar, por não terem professores que «gestualizem» com eles, denunciou esta segunda-feira o professor da Universidade Portucalense, no Porto, António Vieira.
Para o autor do «Gestuário de Língua Gestual Portuguesa» (1991), «o Governo demitiu-se das suas responsabilidades no que respeita à formação de professores para alunos surdos, o que resulta numa grave discriminação social para quem sofre desta deficiência».

As críticas de António Vieira foram feitas à margem de duas conferências promovidas hoje no Porto pela Universidade Portucalense (UPT) em parceria com a Associação Nacional de Docentes de Educação Especial. Em comunicado difundido pela UPT, António Vieira recorda que a língua gestual portuguesa foi reconhecida em 1997 como língua oficial de Portugal e língua materna da comunidade surda portuguesa.

«Se na escola, nos diferentes graus de ensino, o professor não tem competências para comunicar com um surdo, então, ao nível da formação, o Governo distingue entre portugueses de primeira e de segunda categoria», acusa o docente.
O especialista em Educação Especial lamenta ainda que os pais dos surdos, 98% dos quais ouvintes, «não tenham direito a qualquer apoio público para desenvolverem competências que lhes permitam comunicar na língua dos filhos». António Vieira considera que «o Estado deveria ter preocupações visíveis com uma questão que diz respeito à dignidade humana», dotando a escola e os cidadãos dos instrumentos necessários à construção de uma sociedade «verdadeiramente inclusiva».

O docente da UPT sublinha que as novas tecnologias aplicadas ao ensino têm ajudado deficientes mentais e cegos, mas, «no caso dos surdos, as tecnologias não representam qualquer mais-valia comunicacional».

Diário Digital / Lusa

terça-feira, 8 de junho de 2010

Assinaturas entregues no parlamento



O Movimento Escola Pública entregou esta terça-feira mais de dezoito mil assinaturas pela redução do número de alunos/as por turma e por professor/a. Fomos cordialmente recebidos pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e pelo deputado João Prata que será o relator da petição.

Apresentámos as nossas razões, acolhidas com simpatia e com o desejo de que a petição faça um caminho positivo. Em breve, seremos ouvidos na Comissão de Educação. Ainda antes, já na próxima semana, reuniremos com os grupos parlamentares do PCP e do PSD. Tudo faremos para sensibilizar os/as deputados/as para a justiça desta causa.

Protesto dos professores das AECS em Mafra




"Somos um grupo de professores responsáveis pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Agrupamento de Escolas de Mafra e vimos por intermédio da carta aberta anexada informa-lo da acção de sensibilização que levaremos a cabo na próxima segunda-feira dia 14 de Junho entre as 8:30 e as 11 da manhã em frente à EB1 Hélia Correia em Mafra.
A referida acção pretende alertar para a necessidade de uma intervenção efectiva por parte das instâncias responsáveis com vista à futura melhoria das condições laborais de profunda precariedade a que a nossa classe docente tem estado sujeita.
Como referido, em anexo segue o nosso manifesto o qual, sendo uma carta aberta, foi também enviado a todos os interessados e implicados na organização destas actividades.
Agradecemos o Vosso acompanhamento desta acção e desta problemática.
Um grupo de professores das AEC do Agrupamento de Escolas de Mafra."

Vê mais no blogue dos professores das AECs da Grande Lisboa

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais de dezoito mil assinaturas a caminho do Parlamento

(foto da recolha de assinaturas durante a manifestação de 29 de Maio)

O Movimento Escola Pública entrega esta terça-feira 18 265 assinaturas (cerca de 17 mil online e as restantes em papel) pela redução do número máximo de alunos/as por turma e por professor/a. Seremos recebidos às 16h pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

O objectivo inicialmente colocado (4 mil assinaturas) foi largamente ultrapassado, sinal claro do apoio que esta causa tem merecido dos mais diversos quadrantes profissionais, sociais e políticos. Esperamos agora que a proposta possa fazer o seu caminho em matéria legislativa e que venha a ser uma realidade em cada escola. São necessárias medidas como esta para combater de frente o insucesso escolar e a escola pública não pode esperar mais.

sábado, 5 de junho de 2010

Educação para a paz e para a ecocidadania

“La crisis ecosocial en clave educativa” apresenta-se como um “Guia Didáctico para uma nova cultura da Paz” e é editado pela Fuhem, uma instituição sem fins lucrativos de Espanha através do seu Centro de Investigação para a paz (CIP-Ecosocial). Apesar de estar escrito em castelhano e de não se ter acesso aos extras que vêm num cd à parte é uma leitura interessante que se pode descarregar aqui. E pode constituir um instrumento pedagógico para pensar a crise ambiental, a dívida do terceiro mundo e a dívida ecológica, os mitos produtivistas e desenvolvimentistas, o feminismo etc.

Muito alarido por quase nada


Muito alarido gerou a medida que permite aos alunos com mais de quinze anos que chumbem no 8º ano, realizar os exames finais do básico que, em caso de aprovação, dão acesso ao 10º ano.

De facto, é difícil a um aluno que ainda nem conseguiu fazer o oitavo ano obter sucesso em provas que avaliam a matéria do nono ano. Sobre isto, não há facilitismo nenhum. Quem conseguir fazê-lo terá tanto direito a estar no décimo ano como qualquer outro aluno, dado que terá que provar que domina razoavelmente as matérias de todo o ensino básico. Trata-se de dar mais uma oportunidade. Isso não nos incomoda, bem pelo contrário.

Há contudo um problema de desigualdade. Os alunos com mais de 15 anos que transitem para o 9º ano não têm direito a candidatar-se a estas provas. Ora, a solução não é tirar tudo a todos mas sim dar tudo a todos. Permita-se então a estes alunos que transitaram para o 9º realizar também as ditas provas.

Não compreendemos tanto alarido. Qual facilitismo? Qual sucesso estatístico? A medida ajudará uma percentagem mínima de alunos, incontáveis na estatística. Para nós, o problema é outro.

O problema é que isto é quase nada. É uma medida vazia que não ataca as causas do insucesso escolar. A falta de apoios humanos e materiais têm um efeito-barreira que afecta em primeiro lugar os alunos mais desfavorecidos. E o governo limita-se a dar a alguns desses alunos uma oportunidade para um salto praticamente impossível.

Sócrates e Alçada não querem encarar o problema de frente. Recusam a presença de equipas multidisciplinares nas escolas, e aceitam de bom grado as turmas de 28 alunos. A escola pública é que paga.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Melhor educação, melhor democracia

Num artigo publicado no American Journal of Political Science de Janeiro de 2010, Sondheimer e Green defendem que os níveis de educação têm um efeito causal na participação eleitoral.

Vários autores desde há algum tempo tinham estabelecido que a quantidade de anos de ensino é um dos elementos que permite prever se determinado indivíduo vota ou não (por exemplo Wolfinger e Rosenstone -1980) mas esses estudos não iam ao ponto de afirmar que seria a própria mais-educação a causar a afluência às urnas, uma vez que esta se cruza com outros factores individuais, familiares, sociais e económicos. Sondheimer e Green vêm agora defender que a própria educação causa um aumento da percentagem de participação eleitoral.

Em seu apoio citam várias experiências que comparavam os resultados de grupos sujeitos a condições de intensificação da escolaridade com grupos de controlo:

A experiência de Perry dos anos 60 que se seleccionaram ao acaso grupos de crianças desfavorecidas e se submeteram a uma pré-escolarização intensiva e que resultou numa taxa de participação eleitoral em 2000/2 que superava em 44% a do grupo de controlo;

A experiência da Fundação “I Have a Dream” de Boulder que 1992 intensificou os apoios escolares de um grupo de alunos do quinto ano e que resultou numa taxa de participação eleitoral em 2004 que superava em 26% a do grupo de controlo;

A experiência de Tennesse STAR que em 1985 assegurou que crianças a partir do pré-escolar tivessem turmas reduzidas (entre 13 a 17 em comparação com entre 22 a 25) e que resultou numa taxa de participação eleitoral que superava em 10-11% a do grupo de controlo.

Apesar de se poder contrapor a esta posição a evidência empírica de que a subida dos níveis educativos nas sociedades ocidentais não fez com que os níveis de abstenção baixassem, trata-se aqui sobretudo de pensar o efeito de melhor escola e não de mais escola.

Tal como se trata de pensar para além do elemento quantitativo: melhorar a educação não significa apenas mais participação eleitoral mas sobretudo melhor participação cidadã, mais capacidade crítica que é uma das ferramentas mais importantes da democracia. Melhor educação será assim tanto um direito individual quanto um dever cívico.

E, claro, numa altura em que corre o abaixo-assinado sobre a redução do número de alunos por turma, este poderá ser um argumento adicional em defesa desta posição.

Ler aqui.

Carlos Carujo, Rio Maior

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fechar 900 escolas e transferir 15 mil alunos?

A notícia de que o Governo decidiu encerrar cerca de 900 escolas básicas com menos de 21 alunos até ao final do próximo ano lectivo deixa-nos sérias preocupações.

Na verdade a ministra diz existirem já acordos com as autarquias para o encerramento imediato de 400 escolas, havendo mais escolas em que é provável também esse mesmo acordo, o que poderá elevar o número a mais de 500 escolas este ano, mas não informou, no entanto, quantos quilómetros por dia terão que percorrer os alunos entre as suas casas e as novas escolas, nem quantas horas mais essas viagens irão acrescentar ao já tão sobrecarregado horário curricular dos alunos do ensino básico.

O MEP não considera que a falta de condições das escolas que se pretendem fechar justifique, por si, o encerramento. Se as escolas não têm condições devem ser-lhes garantidas, para que os alunos não se vejam prejudicados com longos percursos diários. Consideramos, no entanto, que algumas situações devidamente ponderadas, poderão aconselhar o encerramento. Terá que ser sempre o interesse dos alunos, a sua necessidade de boas condições de estudo e tempo de lazer que devem determinar a decisão.

Gupo Parlamentar do PS tem sérias reservas sobre a pertinência da proposta de diminuição do número de alunos por turma e por professor

O Movimento Escola Pública foi hoje recebido pelos deputados Conceição Casa Nova e Nuno Araújo do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, aos quais apresentou as medidas propostas na petição sobre a redução de número de alunos por turma e por professor.

Nesta reunião os representantes do Movimento Escola Pública apresentaram as razões da petição, que neste momento já conta com cerca de 18000 assinaturas, tendo os deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista referido que o número de alunos por professor é neste momento, um número muito mais reduzido do que o da generalidade dos países da OCDE, verificando-se apenas em algumas zonas urbanas um número de alunos por turma e por professor mais elevado do que os que constam da petição.

Os representantes presentes do Movimento Escola Pública esclareceram que não é o número médio que preocupa os signatários da petição, mas a definição de limites máximos, que não possam ser ultrapassados e que permitam um trabalho mais personalizado em sala de aula, que terá como efeito um melhor aproveitamento escolar e consequente diminuição dos trágicos números do insucesso escolar dos nossos jovens.

Questionados sobre se o Grupo Parlamentar do Partido Socialista acompanharia as propostas da petição, com a apresentação de um projecto próprio, os deputados presentes na reunião informaram-nos que a questão ainda não foi discutida no Grupo Parlamentar, o que acontecerá, no entanto, antes da reunião que se fará entre os peticionários e a Comissão Parlamentar de Educação, tendo no entanto deixado bem claras sérias reservas ao que na petição se propõe.

domingo, 30 de maio de 2010

Muita, muita gente!


A manifestação deste Sábado contou com mais de 300 mil pessoas de acordo com a CGTP. De facto, fossem quantos fossem, eram mesmo muitos, como não se via há muito tempo em Portugal. Contra os sacrifícios para quase todos e as mordomias para os mesmos poucos, a indignação exprimiu-se com pujança. Naturalmente, muito mais acção será necessária para atingir vitórias concretas, seja na educação, na saúde, ou no apoio aos desempregados.

O Movimento Escola Pública esteve presente na manifestação. Com o protesto e também com a construção de alternativas: cerca de mil pessoas contribuíram com a sua assinatura em papel pela redução do número de alunos por turma. Um esperança para o futuro, num dia de muitas lutas.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lá nos encontramos outra vez




Esta sexta-feira e sábado de manhã o Movimento Escola Pública participa no Fórum da Educação promovido pelo Bloco de Esquerda, contando que este seja mais um óptimo momento para pensar a escola e agir sobre ela. O MEP estará representado na Mesa de Polémica com outros movimentos, sindicatos e bloggers para discutir a luta dos/as professores/as, que será sexta-feira às 21h.

No Sábado à tarde estaremos na Manifestação. Concentramo-nos a partir das 14h junto ao Ministério da Educação. Além do protesto a que nos associamos, teremos também outra missão: recolher muitas mais assinaturas pela redução do número de alunos/as por turma e por professor/a, até porque a sua entrega no parlamento se aproxima. Haverá também uma banca nos Restauradores onde te podes dirigir para deixar o teu contacto.

CDS/PP favorável às medidas contidas na Petição

O Movimento Escola Pública foi hoje recebido cordialmente pelo Grupo Parlamentar do CDS/PP, tendo o deputado José Manuel Rodrigues manifestado que o seu partido é favorável à redução do número máximo de alunos por turma e à generalidade das medidas contidas na petição, acrescentando contudo que “há também que contar com as circunstâncias financeiras que o país atravessa” (ver notícia da Lusa).

O Movimento Escola Pública congratula-se com o apoio manifestado e com o consenso social e político que esta causa tem merecido. Em relação ao problema financeiro, respondemos que, em nosso entender, o investimento na educação é um dos melhores antídotos.

Testemunho de uma professora das AECs


“Sou professora de Expressões, numa escola perto da cidade Lisboa, e tal como a maioria dos professores das AECs tem muito por contar! A nossa situação é verdadeiramente ridícula e questiono-me que vantagens tenho com a minha licenciatura? Talvez o que me alegre nisto tudo seja o amor à profissão, se é que podemos chamar "profissão" e a esperança de um dia vir a ter um futuro melhor.” Lê o resto aqui

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ensino bilingue e escola inclusiva


Chegam de várias partes do mundo ou são filhos de pais imigrantes e que nasceram em Portugal. As escolas abrem as portas e ensinam-lhes português e idiomas que ouvem em casa.

É o segundo ano do projecto e as crianças já se desenrascam no crioulo. A segunda classe da Escola Básica do 1.º ciclo do Vale da Amoreira, perto da Moita, tem uma hora de cabo-verdiano por dia. Vinte e cinco alunos já pronunciam várias palavras no idioma estranho ou nem por isso. Metade já tinha contacto com a língua, a outra metade aprende-a pela primeira vez. E quando não se sabe, pergunta-se para tirar as dúvidas. Ana Josefa, cabo-verdiana, professora de Português na EB 2,3 do Vale da Amoreira, dedica cinco horas por semana ao crioulo. "A base são os conteúdos de Estudo do Meio", adianta. E as crianças já lêem, escrevem e falam crioulo. A maioria nasceu em Portugal mas tem diferentes ascendências. De Cabo Verde, Guiné, Angola, Marrocos. "É importante para os alunos que vêem a sua língua materna valorizada na escola", sublinha Ana Josefa.

O projecto Turma Bilingue terá a duração de quatro anos, está portanto a meio caminho, e é coordenado pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional, com o apoio da Fundação Gulbenkian. O objectivo é que no final do tempo estipulado se perceba se houve ou não benefícios em ter uma turma bilingue, do 1.º ao 4.º ano do 1.º ciclo. Os alunos têm várias tarefas para cumprir. Durante a aula, traduzem textos para português, aprendem a matéria de Estudo do Meio. Integração e aprendizagem lado a lado numa escola com uma grande incidência de alunos imigrantes, alguns dos quais, chegam a meio do ano lectivo.

Lê o resto em Educare.pt

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma petição que faz o seu caminho


Depois da reunião com o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, o Movimento Escola Pública vai ser recebido na próxima quinta-feira pelo Grupo Parlamentar do CDS/PP. A petição pela redução do número máximo de alunos por turma e por professor faz assim caminho e temos confiança que chegue a bom porto. Entretanto, aqui fica mais uma leva de comentários de apoio:

É lógico que os Professores podem acompanhar melhor o percurso dos seus alunos se as turmas forem limitadas a vinte alunos. Se a redução do número de alunos por turma ocorrer quem beneficia é o aluno, Professor, a Escola, a sociedade, o Estado.....e assim chegaremos à linda conclusão: Os alunos serão os dinamizadores da geração futura e, portanto, ao educá-los com dignidade estaremos a garantir uma sociedade mais equilibrada . E o Planeta Terra agradece.
Pedro Silva

Esta [medida] é elementar, mas os nossos governantes só dormem, pelo que não admira o estado do país.
José Ribeiro da Costa

Durante 4 anos ( 9º, 10º,11º e 12º) fui aluna de uma turma com 29 alunos e sei bem o que isso é.
Idália Silva

Até ao 12.º ano, 15 deveria de ser o n.º máximo de alunos por turma e o professor deveria de ter sempre o apoio de um assistente operacional e não só mas, também de um professor estagiário.
Francisca Palma

Este ano lectivo tenho uma turma com 22 alunos - 3 alunos com Necessidades Educativas Especiais e 4 com problemas complicados de disciplina/comportamento - é muito complicado e desgastante trabalhar assim.
Bruna Moreira

Há quanto tempo se fala que se deviam reduzir as turmas... Mas os governos ano após ano só querem é reduzir as despesas na educação. Mais professores? Não acredito!
Paula Pinto

Indesculpável


Um tribunal condenou um professor a uma multa de mil euros por ter dito a um aluno “entra lá ó preto”. Não vale a pena ensaiar desculpas nem relativizar o caso. Todos sabemos que a expressão utilizada pelo professor tem a função de ostracizar, de marcar pelas características físicas, de reduzir o aluno à sua cor de pele. Todos sabemos que a expressão é racista. Dizer que neste caso a linguagem é apenas denotativa e que se fosse amarelo seria amarelo e se fosse branco seria branco é de um objectivismo insensível e irresponsável. Um/a professor/a deve tratar o aluno pelo nome, respeitando a sua individualidade (se não souber o nome limita-se a dizer “podes entrar”). Um/a professor/a não põe etiquetas nos alunos nem os reduz a um aspecto.

O Movimento Escola Pública condena frontalmente e sem “ses” a atitude do professor em causa, bem como algumas tentativas corporativistas de desculpabilização. A escola serve para aprender a pensar e para desconstruir os conceitos prévios e fáceis do irracionalismo. Não serve para reforçar preconceitos, para isso não faz falta nenhuma que a oferta é mais que muita.