quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Educação Sexual: o tanto que falta fazer


SEXÓLOGO E FORMADOR DO SIPE ADVERTE QUE INFORMAÇÕES ERRADAS E
ESTEREÓTIPOS QUE VIGORAM ENTRE OS JOVENS PODEM CONDICIONAR A SUA
SEXUALIDADE PARA TODA A VIDA

As lacunas existentes na formação e os riscos que advêm dos mitos e estereótipos que ainda vigoram entre os jovens podem ter consequências irreversíveis na educação sexual dos jovens portugueses, adverte Manuel Damas, Médico, Sexólogo e Formador do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) na área da Educação Sexual.

A má gestão da informação recebida pelos jovens, muitas vezes incorrectamente disponibilizada e erroneamente direccionada, é, de acordo com o especialista em Educação Sexual, um dos principais perigos em que estes incorrem.

"Em questões complicadas e sensíveis, como por exemplo nas questões da orientação sexual e da identidade de género, os jovens, sem se aperceberem, são demasiadas vezes condicionados e direccionados na sua interpretação, integração e aceitação dos factos", alerta o mesmo responsável.

O Sindicato reforça a urgência em esclarecer e combater a propagação de mensagens erradas e defende que é nas idades mais jovens que se instalam os mitos e fantasmas inerentes às sexualidades e aos afectos.

"Quando os estereótipos são geridos de forma errada, tornam-se lapas agarradas a todos nós e condicionam, para toda a vida, a nossa forma
de ver, de sentir, de viver e amar", sublinha Manuel Damas.

Embora entenda que a grande maioria da sociedade sensibilizada e disponível está hoje ciente da necessidade da implementação da Educação Sexual no sistema educativo, o Formador do SIPE na área realça que existe ainda um longo caminho a percorrer.

"As sexualidades e os afectos continuam a ser vítimas de um suposto pudor que a sociedade, a cultura, a igreja e a família se preocupam em disseminar, representando, para muitos, uma área tabu, de que se fala envergonhadamente", refere o Sexólogo.

O SIPE garante que, apesar de o programa de Educação Sexual a adoptar pelas escolas ser ainda desconhecido, os Professores que receberam formação creditada na área adquiriram competências vastas e estão preparados para leccionar as matérias.

Através do seu Centro de Formação, a estrutura sindical disponibiliza aos seus associados cursos de formação creditados na área da Educação Sexual, que crê, por acto de maturidade e, sobretudo, de cidadania, acabará por se impor na sociedade portuguesa.

"Sendo esta uma temática direccionada para algo de tão específico, sensível e próprio, como é a área da sexualidade e dos afectos, posso garantir que os docentes que receberam formação estão aptos e disponíveis para ensinar a universalidade do Direito à Felicidade", assegura o também Presidente da Mesa do Congresso do SIPE, Manuel Damas.

O SIPE culpa o Governo pelo facto de o presente ano lectivo ter arrancado sem que os itens programáticos para a Educação sexual estejam definidos e acusa o executivo de inércia, falta de coragem e vontade política.

"Causa revolta o facto de, recentemente, ter havido um Governo com maioria absoluta na Assembleia da República e que nada fez, em concreto, pela Educação Sexual, para além de um trajecto titubeante e aos ziguezagues, denotando falta de ideias, de conceitos e, acima de tudo, de vontade", refere Manuel Damas.

O Sexólogo e Presidente da Direcção da CASA - Centro Avançado de Sexualidades e Afectos, considera mesmo que o ensino de Educação Sexual, além de um imperativo de justiça social e de dignidade na cidadania e na democracia, é também uma questão de dívida com a História.

"Não nos esqueçamos que Portugal foi um dos primeiros países a assinar, em 2005, a Declaração de Montreal "Saúde sexual para o milénio", que no seu ponto 4 se compromete a "promover o acesso universal à informação e educação integral na sexualidade" ", recorda.

Refira-se que a mesma Declaração refere ainda, no mesmo ponto 4, que "para obter saúde sexual é fundamental que todas as pessoas, incluindo os jovens, tenham acesso pleno a uma educação integral da sexualidade e à informação, bem como ao acompanhamento da sua saúde sexual durante todo o ciclo vital", o que acentua a indignação de Manuel Damas.

"Repare-se na hipocrisia da atitude portuguesa ao assinar este documento quando anda, desde 1984, com a Lei nº 3/84, que estipula que "o Estado garante o direito à Educação Sexual como componente do direito fundamental à Educação", a tentar estabelecer uma posição que se quer séria, responsável e digna", explica.

Recorde-se que, depois de a 6 de Agosto ter sido publicado em "Diário da República", o diploma que estabelece a Educação Sexual nas escolas portuguesas ainda não saiu do papel, desconhecendo-se ainda osconteúdos programáticos que irão ser adoptados.

_________________________________

Vê também os site da CASA - Centro Avançado de Sexualidades e Afectos

Nota do MEP: Na verdade, alguma coisa saiu do papel e os Conselhos de Turma um pouco por todo o país já discutem como pôr em prática a legislação. Tudo muito vago, sem apoios, e demasiado à mercê do… desenrasca-me aí um bloco de 90 minutos sobre o assunto….

2 comentários:

aurora disse...

Filmes Educativos de Educação para a Saúde em www.flaminia.pt

FátimaRLopes disse...

Alguns passaos já são dados, veja por exemplo em EXPERIÊNCIAS (http://www.fatima.rosalopes.blogspot.com)e dê-me a sua opinião crítica, por favor. Também sou fã dos Filmes da Flamínia!!!