quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

E a união mandou o medo embora....


Escola Secundária Ferreira Dias, Cacém

Setenta e cinco por cento dos professores presentes na RGP realizada nesta quarta-feira, 21 de Janeiro, votaram pela recusa do Simplex e pela não-entrega do documento dos objectivos individuais. Em votação feita em urna verificou-se que dos 168 presentes, 123 votaram a Moção em que se apelava à recusa. Registaram-se 28 votos contra e 17 brancos. Recorde-se que esta escola é das maiores do país e o seu corpo docente ultrapassa os duzentos.

Sabendo-se que o prazo para a entrega dos OI, na maior parte das escolas, expira nesta semana e na próxima, é sintomático o que se passou na Ferreira Dias: antes desta RGP o medo tinha como que paralisado as pessoas. Mas juntas, mais uma vez juntas, verificou-se um volte-face. A moção de recusa aprovada refere explicitamente a vontade de manter “a coerência com todas as tomadas de posição anteriores”.

No documento aprovado refere-se também que os professores querem ser avaliados, “mas nunca por este modelo”, nem simplificado, porquanto “não altera nada de essencial”. Por isso exige-se ao ministério que apresente um “modelo justo, testado, simples e formativo”. A moção termina reafirmando a decisão de “manter a suspensão, não entregando o papel/documento dos Objectivos Individuais”.

Registe-se ainda que um elemento da mesa que presidia à RGP e que na fase anterior do processo tinha entregue o Requerimento a pedir aulas assistidas…decidiu juntar-se à maioria dos colegas e declarou também a sua intenção de participar na recusa.

O prazo para a entrega nesta escola termina na próxima segunda-feira, 26 de Janeiro. Confirmando-se agora na prática e individualmente a decisão colectiva aprovada, do Cacém virá um significativo número a juntar às 150 escolas e agrupamentos que ao longo da semana passada sentiram a necessidade de reunir e reafirmar a rejeição e denúncia do Simplex.

Efeito bola de neve

O efeito bola-de-neve precisa de escolas grandes e pequenas, de todo o país. Hoje e nos próximos dias decorrem mais reuniões um pouco por todo o lado. É preciso estar em contacto permanente e colectivo até à última hora do sai do prazo, para que ninguém fique só, se deixe intimidar ou abater pelo desânimo. Nas poucas escolas (as primeiras) onde os prazos já acabaram surgiram os primeiros que se recusaram “de facto” e deram esse passo corajoso. Os dias que se aproximam serão decisivos.

Só precisamos de manter a palavra…para no final garantir um número confortável de “resistentes” que acrescentam à luta comum mais esta forma original de protesto suplementar. Forma privilegiada de expressar a determinação em travar a destruição da escola pública, a sua “ruptura” em turmas e professores de primeira e segunda categoria e a sua crescente e acelerada entrega ao privado.

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