quinta-feira, 13 de março de 2008

Prosseguir

A resposta do Governo à manifestação de sábado, como dos opinantes de serviço, de Vitorino a Coelho, é uma conversa ardilosa. No fundo repetem no essencial o que a ministra sempre disse, como se de um grande contributo para o desbloqueamento da situação se tratasse.
É preciso clareza. Em matéria de avaliação o que se pretende é mesmo a suspensão de todo o processo neste ano lectivo.
Mas, se a avaliação pode estar, e está, no centro desta contestação, não a esgota. A prova de ingresso, os titulares, a gestão, as quotas… fizeram saltar para a rua cem mil professores de gerações diferentes, colocados de modo distinto perante o desempenho profissional e a carreira. É uma realidade incontornável!
A resposta à ofensiva do governo está nas escolas e nas ruas, com acções criativas, protestos, manifestações de indignação cívica, questionando o ministério, apresentando propostas, girando em torno de uma plataforma abrangente, mobilizadora que una escolas, movimentos e sindicatos, que não deixe de fora ninguém, mas que se apoie sobretudo na enorme indignação que a jornada de sábado demonstrou.
O movimento dos professores é plural, polifacetado, alimentado por uma forte componente de iniciativas dispersas. É isso que lhe tem dado vitalidade, persistência, originalidade. E nesse caminho há-de continuar, incluindo acções colectivas, de âmbito nacional, indispensáveis evidentemente.
É seguramente tempo de inventar essas formas de resistência e de acção. Pela nossa parte, estamos nessa!

Outro modelo de avaliação


O Movimento Escola Pública recebeu esta proposta de modelo de avaliação do desempenho de professores, feita pelo colega F.Manuel Rodrigues. Vale a pena ler. Outras propostas alternativas podem ser enviadas para movimentoescolapublica@gmail.com


"Em nada terá adiantado a luta dos Professores se não forem, de uma vez por todas, resolvidas as situações anómalas do Estatuto da Carreira Docente (ECD), porque é isso que, na essência de todos os problemas, está em causa.

PROPOSTA DE PACIFICAÇÃO
(…de trabalho)

Carreira
- Abolição da figura de professor titular;
- Abolição imediata das quotas para progressão;
- Constituição de carreira docente única constituída por 10 escalões;
- Permanência nos escalões por períodos de 4 anos (10 escalões x 4 anos = 40 anos de serviço).

Progressão na Carreira
- Abolição da avaliação de Excelente. Não tem justificação científico-pedagógica.
- Para progredir, o docente deverá apresentar competente relatório de actividade docente de dois em dois anos, no cumprimento exemplar de parâmetros a regulamentar.
- O relatório de actividade docente deverá ser submetido à apreciação e decisão de Comissão Científica e Pedagógica Especializada constituída por:
Presidente do Conselho Pedagógico;
Presidente do Conselho Executivo;
Coordenador do Departamento do docente em avaliação;
Coordenador dos Directores de Turma;
Director do Centro de Formação;
- Para progredir, o docente deverá ter na avaliação a menção de Bom, no cumprimento de critérios a regulamentar;

Garantir a possibilidade de o docente poder progredir mais rapidamente no escalão, de acordo com critérios a regulamentar, se tiver a menção de Muito Bom.
- Para o efeito, o docente deverá requerer avaliação extraordinária de desempenho, que implicará a exposição e defesa da sua actividade docente, sustentada no seu relatório, perante a Comissão Científica e Pedagógica Especializada, que para além dos elementos já indicados deverá ser complementada por:
Técnico Pedagógico da Direcção Regional de Educação;
Inspector Pedagógico da IGE;
Professor da disciplina, do 8º, 9º ou 10º escalão, a indicar pelo docente em avaliação;
Presidente da Associação de Pais da Escola.

O docente não poderá progredir para escalão superior, enquanto não tiver duas (2) menções de Bom no escalão em que se encontra posicionado.

A menção de Suficiente implicará a obrigatoriedade de frequentar formação complementar adequada, a regulamentar.

A menção de Insuficiente implicará a abertura de processo de averiguações para apuramento de responsabilidades, podendo conduzir a processo disciplinar.

Esta menção só poderá ser atribuída em avaliação subsequente a uma menção de suficiente e em caso limite, devidamente justificada em relatório bem fundamentado pela Comissão Científica Pedagógica Especializada. Da avaliação, poderá recorrer o docente avaliado ao abrigo do CPA.

Creio que um processo como o exposto:
Reduz drasticamente a burocracia;
Responsabiliza mais o professor no desenvolvimento da sua actividade docente, valorizando o processo ensino-aprendizagem e favorecendo o sucesso dos seus alunos;
Envolve todas as partes efectivamente interessadas no sucesso dos alunos e na boa imagem da Escola, que se quer construtora positiva e activa da excelência na sociedade portuguesa.

Viana, 12 de Março de 2008
F. Manuel Rodrigues
(Professor EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa) "
Agradecemos ao blogue anterozóide

Somos mesmo muitos os que estamos fartos...



(Fotos de Carlos Silva)

Verniz Estalado, Caldo Entornado?



Sam Taylor Wood, raptada de http://anaturezadomal.blogspot.com/




CALORES
8.Março.2008
Não penso, logo insisto
Cartaz anónimo
Marcha da Indignação, ou dos 100.000




VERNIZ
11. Março. 2008, reunião ME - Fenprof

O Secretário de Estado Jorge Pedreira admitia o adiamento da avaliação de professores em algumas escolas, enquanto Mário Nogueira não escondia a satisfação por ter visto «uma luz ao fundo do túnel». Ficou marcada nova reunião para 6ª feira, onde segundo Mário Nogueira e Jorge Pedreira, serão apresentadas «soluções mais concretas». Isto, sempre, como sublinha Pedreira, «sem pôr em causa o essencial do modelo de avaliação de desempenho dos docentes."
(Resumo de notícias nos jornais)





CALDO
12. Março.2008, rescaldo da reunião de 3ª, exercícios de aquecimento para a reunião de 6ª

A Ministra da Educação nega existir qualquer recuo do governo na avaliação de desempenho dos professores. Amite, no entanto, que para este ano lectivo (até Agosto!) o processo só é obrigatório no caso dos professores contratados ou em subida de escalão (7.000, num universo de cerca de 145.000).

Informação útil:
  • Contratados. Até agora, os professores contratados (máximo 1 ano lectivo/contrato) entregavam um relatório final de auto-avaliação do desempenho, na escola. A possibilidade de nova contratação dependia desta entrega, que, no entanto, por si só, não garantia novo contrato. Nos últimos anos, tem vindo a diminuir o número de professores nesta situação, pois há cada vez menos lugares a preencher.
  • Em subida de escalão. Todos os professores se encontram "congelados" há anos. Medidas recentes (2008) permitirão/permitiram a alguns, poucos, professores, ver esta situação alterada, mediante avaliação do desempenho (anteriormente, esta realizava-se igualmente mediante apresentação de relatório por cada docente, segundo regras definidas a nível nacional).

A Fenprof exige a suspensão inequívoca e sem excepções da avaliação, e que ela seja aplicada a título experimental em 2008/2009. Não havendo recuo efectivo do governo até sexta-feira, avisa que retomará protestos.
(idem)


TRANSBORDAMENTO previsível

Nas escolas, ultima-se o 2º período lectivo, prepara-se o registo da avaliação peródica dos alunos, acompanham-se as vozes na imprensa, na blogosfera. Lecciona-se, avalia-se, reúne-se, produzem-se conteúdos. Pensa-se. Existe-se!

Por todo o lado, a gente move-se e espanta-se com este diz-que-não-diz, altero-mas-só-um-bocadinho, vai-se a ver são rosas, senhor, são rosas...

Entre recuos e amuos, as notícias preocupam e confundem.

A quem pedir esclarecimentos? E contas? Como será o episódio de 5ª feira? E o de sábado?

Andam a brincar connosco.

O Governo parece esquecer, ou querer fazer esquecer, que o essencial não é sequer, já, esta ou aquela medida, avaliação de desempenho, gestão, estatuto... mas o sentimento de indignidade que levou muitíssimos educadores à rua, e que este jogo de espelhos não acalma. Para tal, é preciso que cuidem menos de assinalar posições e mais de avançar soluções. Claras.


Se ainda forem capazes.

Maria José Vitorino

quarta-feira, 12 de março de 2008

Em cada rosto igualdade


Só descansaremos quando desistirem de nos cortarem em pedaços, e aceitarem que “carreira há só uma, a de professor e mais nenhuma”.

A manifestação de 8 de Março surpreendeu muita gente. Afinal as escolas estão nas mãos daquela multidão! Quem pode apresentar melhores credenciais? Que outras, que melhores mãos poderia haver?

Como não haveremos de exigir tudo o que nos faz falta?

O governo e a sua máquina, os seus aliados, atreveram-se a chafurdar nas dificuldades sentidas nos nossos locais de trabalho, a explorar a nossa impossibilidade de fazer melhor com as regras e os preconceitos salazarentos que administrativamente nos impõem, a manipular as nossas angústias por ser tão difícil recuperar do atraso. Deliberadamente não nos querem ajudar, proporcionar-nos formação e avaliação à altura da crise.

Preferiram jogar no apodrecimento da situação e irresponsavelmente tentaram jogar o ódio contra os professores.

O sistema de ensino está sob escrutínio da população e ainda bem.
São dois milhões de pobres que nos confiam os seus filhos e filhas. Gerações sucessivas que foram excluídas da escolaridade básica e não podem, não conseguem dar toda a ajuda necessária. E depois? Quem são os responsáveis pela pobreza e exclusão escolar e cultural, pelo falhanço das políticas na educação?

Nós cumprimos com o nosso dever. Não enjeitamos o esforço, a formação, sabemos aprender com a camaradagem e o trabalho em equipa, com as críticas que nos fazem todos os dias.
Ainda bem que se começa a saber tudo.

Por isso só descansaremos quando formos tratados como os nossos colegas da Madeira e Açores, ou seja:
- não nos for exigido mais um (mais um!) “exame probatório” para ingressar na carreira
- quando desistirem de nos cortarem em pedaços, e aceitarem que “carreira há só uma, a de professor e mais nenhuma”.
- quando abandonarem as quotas para o escalão máximo numa carreira, numa vida, de 40 anos de desempenho.

Para vencer o atraso que criaram e lançam sobre nós, todos e todas só podemos ser, cada dia, melhores profissionais. Bons profissionais. Só queremos ser bons. Porque para eles, excelente “só na Universidade Independente”.

Jaime Pinho

(a fotografia é do blogue "Defende a profissão")

Professores querem ser avaliados, mas não assim!


De acordo com a sondagem promovida pelo Movimento Escola Pública, a esmagadora maioria dos votantes não concorda com o modelo de avaliação proposto pelo Ministério (90%). Apenas 2% se mostraram plenamente de acordo com o modelo e 4% concorda com o modelo mas discorda da “forma apressada como foi imposto”. Por outro lado, só 3% considera que os professores não devem ser avaliados. Votaram 249 pessoas.

Ora, a questão do timing, a questão do momento em que o modelo deve ser aplicado, não parece ser a questão mais importante para os professores. Se,ao que tudo indica, o governo se prepara para recuar nesta matéria, obrigando apenas ao início do processo no começo do próximo ano lectivo, então recua muito pouco ou quase nada. Ou, se quiserem, recua naquilo em que já quase ninguém acreditava.

E, obviamente, há muito mais vida, propostas e medidas para lá da avaliação. Sobre essas ainda não se ouviu um pio do governo. Ou seja, não querem mexer na divisão da carreira nem no novo diploma de gestão, que acaba com a democracia nas escolas.

Esta foi a segunda sondagem promovida pelo MEP - a primeira foi sobre o novo modelo de gestão das escolas, e as respostas demonstraram a discordância em relação à proposta do governo, considerada redutora da democracia. A terceira sondagem está agora em curso (coluna do lado direito). É importante assinalar o que é mais grave neste modelo de avaliação proposto pelo governo, para saber em que bases se deve construir uma alternativa, algo que faremos mais adiante. Entretanto, vários blogues já começaram essa discussão, podes ver aqui e aqui

Concorda com o modelo de desempenho dos professores proposto pelo Ministério?
Sim. É um modelo justo e que vem acabar com a balda a que muitos se habituaram. 4 (2%)
Sim. Apenas discordo da forma apressada como foi imposto. 10 (4%)
Não. Há outras formas mais justas e equilibradas de avaliar os professores 226 (90 %)
Não. Os professores não devem ser avaliados. 9 (3%)

terça-feira, 11 de março de 2008

Em que é que ficamos?

À saída da reunião com a Fenprof, Jorge Pedreira, Secretário de Estado da Educação, afirmou que o encontro correu de forma “inesperada, mas positiva”. Por seu turno “Mário Nogueira” diz ter visto “uma luz ao fundo do túnel”.

Mas vamos aos factos, pelos menos os que se conhecem:

Afirmações de Jorge Pedreira:

"Foi possível encontrar uma base para continuar a trabalhar. Felizmente, o diálogo não estava esgotado"."Admitimos encontrar soluções flexíveis, de forma a respeitar as diferentes capacidades das escolas na implementação deste modelo, respeitando os interesses dos professores e os objectivos do Ministério da Educação".

[Admitimos fazer correcções no sitema de avaliação] "desde que fique preservado o que consta no Estatuto da Carreira Docente e que essas correcções não ponham em causa o essencial deste modelo”

"Não vou pronunciar-me sobre questões concretas. Ainda terão de ser trabalhadas com os sindicatos de professores e com o Conselho das Escolas"

[Sobre a avaliação dos professores contratados] "há possibilidade de salvaguardar essas situações. Há posssibilidade de flexibilidade nesses casos"

"Não está em causa o processo, não está em causa a suspensão do processo e não está em causa a experimentação do processo"

Afirmações de Mário Nogueira:

"poderão ser dados alguns passos que poderemos considerar como positivos no sentido de responder à situação que hoje se está a viver na Educação".

"Neste momento, podemos dizer que há algumas hipóteses de trabalho colocadas em cima da mesa. Mas falamos cuidadosamente porque temos ainda que ter uma reflexão no âmbito da Fenprof"

[foi encontrada]"uma luz ao fundo do túnel para desbloquear a situação" [em matéria de avaliação, gestão escolar, horários de trabalho dos professores e decisões judiciais].



Governo admite “soluções flexíveis” na avaliação dos professores e “correcções” ao modelo (Lusa)

Resumindo:

O Governo parece ter recuado definitivamente na aventura de querer iniciar a avaliação já este ano lectivo. As coisas já estavam para aí encaminhadas mas há uma novidade. O governo insistia que os professores contratados e os professores do quadro em posição de subirem na carreira deviam ser avaliados já este ano lectivo e de acordo com o novo modelo. Agora fala em “flexibilidade” para resolver essa situação, que deve ser “salvaguardada”...

Sobre o modelo de avaliação em si, o governo garante que não pára para pensar – não se suspende nada – nem sequer segue o conselho de António Vitorino, ou seja, sujeitar este modelo de avaliação a um período experimental. Apenas admite algumas “correcções” mas só no final do ano lectivo 2008/2009. E sublinha que essas correcções não podem pôr em causa o essencial do modelo, que assenta na divisão da carreira dos professores em titulares e não titulares.

Ou seja, o governo continua determinado em defender um modelo de avaliação que põe professores a vigiar professores, que dá um poder enorme a professores não eleitos, que assenta numa divisão artificial da carreira e que define quotas para professores excelentes ou muito bons. O goveno parece ter recuado na forma, mas nada no conteúdo.

Enquanto não surgirem novidades e dados mais concretos – que ao que tudo indica serão ainda “trabalhados com sindicatos e conselhos de escola”, continua “enigmático” o sorriso de Mário Nogueira, que diz ter visto “uma luz ao fundo do túnel”. Ainda segundo as notícias, o secretário-geral da Fenprof remeteu novos desenvolvimentos nas negociações para a próxima reunião com o Governo, marcada para a tarde de sexta-feira.

A tábua de salvação da ministra está furada

A ministra tem-se vangloriado com o apoio dos pais, bradando que é a melhor prova que as suas políticas estão correctas. Só que há mais pais do que os amigos que a ministra conhece. E todos eles parecem bem mais sérios.


Notícia do Diário de Notícias de 11/03/2008:

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, reclamou recentemente que a política educativa do governo conta com o apoio dos pais. Mas a verdade é que, nos últimos tempos, é cada vez mais difícil de perceber para onde pende esse apoio. As divergências de posição estão mesmo a precipitar uma cisão que poderá, muito em breve, dividir em duas a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que representa 1700 associações.


Esta estrutra - em conflito interno na Justiça há mais de um ano, devido ao controverso anulamento de umas eleições pelo então líder da Assembleia geral, o actual presidente Albino Almeida-, vive hoje uma guerra aberta, entre uma facção leal à direcção e outra -que reclama representar metade das associações de pais - que acusa o presidente de ter assumido uma posição de subserviência face à tutela.


"Com Albino Almeida, a Confap passou a dizer 'ámen' a tudo o que vem do Ministério da Educação", disse ao DN António Castela, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap). "Ele diz que representa os pais, mas está longe de o poder fazer", acusou, revelando que, além da Ferlap, a oposição conta com o apoio da federação regional de Viseu (FREViseu), liderada pela ex-presidente da Confap, Maria José Viseu, "e das concelhias de "Sintra, Vila Franca de Xira, Marinha Grande, Ourém e Benedita".


O movimento, que "em Abril" vai criar a Confederação Nacional Independente dos Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), promete assumir uma postura bastante mais crítica em relação ao Governo : "O que vamos fazer é analisar políticas educativas", frisou. "Não vamos apoiar esta ou aquela equipa ministerial".


A CNIPE, disse António Castela, tem discordâncias com a tutela em alguns aspectos de vários diplomas, como o novo regime de gestão das escolas, o estatuto do aluno e a lei das associações de pais, que considera "pouco ambiciosa". Quanto à Confap, acusa, a postura é de "colagem às medidas do Ministério".


Castela foi ainda mais longe, sugerindo que essa alegada postura poderá de alguma forma ser compensada pela tutela: "Não percebemos como foi possível haver transferências [de dinheiro] do Ministério da Educação para a Confap em Abril e Maio, quando esta só aprovou os mecanismos que permitiam essas transferências na Assembleia Geral de Setembro", contou. "Não percebemos também porque o Ministério ainda não se pronunciou, nem pediu um inquérito, sobre o facto de ter havido um desfalque de 60 mil euros na Confap, que terá sido cometido pelo tesoureiro, já afastado".


"Fazem um frete à Fenprof"
Contactado pelo DN, Albino Almeida não foi menos duro na caracterização dos seus opositores: "O que se está a passar é seguramente um frete feito à Fenprof [Federação Nacional dos Professores] para sugerir divergências", acusou, explicando: "A senhora Maria José Viseu, que é professora numa escola privada do ensino básico, esteve na marcha dos professores [de sábado]".


"Para mim, o CNIPE resume-se a duas pessoas: o senhor Castela e a senhora Maria José Viseu. Não sei se vão constitui-se em associação, porque ainda nem sequer fizeram as assembleias gerais para se desvincularem da Confap. Mas mesmo que reúnam todas as estruturas que reclamam, o que não vai acontecer, representam no máximo 40% das associações de pais."


Albino Almeida negou ainda que a Confap não critique a tutela, dando o exemplo do enriquecimento curricular do 1.º ciclo, "onde muitas actividasdes eram mais bem feitas quando eram organizadas pelas associações de pais. O que não fazemos são acusações fortuitas, como eles, que chegaram a acusar as autarquias de estarem a mercantilizar o enriquecimento curricular", ripostou, lembrando que Maria José Viseu "aconselhou o Ministério em diplomas que agora critica, como a lei das associações de pais".


Albino Almeida admitiu a ocorrência de um desvio de verbas na Confap, atribuindo essa situação a um alegado "abuso de confiança" do antigo tesoureiro, que será alvo de "procedimento criminal".


O DN contactou o Ministério da Educação, mas não foi possível obter uma resposta sobre este tema.

O elo mais fraco

A estratégia é antiga. Começar por quebrar a espinha aos mais fracos, aos que estão em situação mais vulnerável. O Ministério virou-se agora para os professores contratados, e quer mudar as regras do jogo a meio, exigindo a avaliação imediata destes professores para que possam ter esperança em ser novamente contratados.

As escolas precisam de professores, há turmas com mais de 30 alunos, há cargas horárias excessivas (para alunos e professores), há pouco tempo e poucas condições de trabalho para acompanhar tantos alunos (a esse respeito é oportuna a iniciativa lançada pelo Bloco de Esquerda para avaliar a efectiva carga de trabalho dos professores). E há professores a trabalhar em condições precárias, que fazem quilómetros e quilómetros da casa para escola e da escola para casa, que não sabem onde e se vão leccionar no ano seguinte.

A renovação de contrato é já de si difícil (é necessário que o professor esteja a leccionar desde 1 de Setembro, que a vaga continue a existir no ano lectivo seguinte e que a escola deseje renovar o vínculo). E agora toma lá com esta avaliação! O Ministério exige tudo mas não dá nada. Perdem as escolas, perdem os alunos.

Maioria das escolas pede adiamento do processo de avaliação

Este passo é importante. Sabemos que o Conselho de Escolas apenas tem discutido a forma como o processo da avaliação se desencadeou e não propriamente o conteúdo. Essa não é obviamente a opinião da maioria dos professores (repare-se na sondagem que fizémos do lado direito, ela é pouco representativa mas vai indicando alguma coisa, se , se dúvidas houvesse, as palavras de ordem na manifestação mostram que a discordância é de fundo). Mas conseguir parar para já o processo já seria uma pequena vitória. Que obviamente não pode ficar por aí. Haveria que usar o tempo para pensar e trabalhar para propostas de modelos alternativos de avaliação.

Notícia da LUSA:


A maioria dos estabelecimentos de ensino pediu o adiamento do processo de avaliação dos professores, alegando "grandes dificuldades" na sua aplicação este ano lectivo, revelou à Lusa o presidente do Conselho das Escolas (CE).
"A maior parte das escolas afirma não estar em condições de avançar e, por isso, solicita que a aplicação do processo arranque apenas em 2008/09", afirmou Álvaro Almeida dos Santos.

Segundo o responsável deste órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), as "grandes dificuldades" sentidas pelas escolas e invocadas para justificar o pedido de adiamento prendem-se com "a falta de maturação dos instrumentos, a ausência de recomendações específicas do Conselho Científico [para a Avaliação de Professores] e a complexidade de todo o processo".

Os problemas reportados levaram o CE a requerer à tutela uma reunião extraordinária, a realizar quarta-feira, na qual vai salientar "a necessidade de serem dadas condições para o desenvolvimento mais eficaz da avaliação".
Em declarações à Lusa, também Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), garantiu que "a grande maioria das escolas não está a avançar com o processo".

"Umas nunca chegaram a iniciá-lo, outras decidiram suspendê-lo. É totalmente residual o número de escolas que aprovou os procedimentos de avaliação e que está a avançar. Se forem 20 a nível nacional, já será um número por cima", assegurou.

Num documento aprovado por unanimidade na semana passada e dirigido à ministra da Educação, o agrupamento de escolas da Pontinha, por exemplo, manifesta "a sua apreensão relativamente ao cumprimento dos procedimentos estabelecidos no decreto" que regulamenta a avaliação de desempenho, considerando que este processo "não é compatível com tempos escassos e orientações genéricas".

"Concentrando-se todo o processo de avaliação no 3.º período, ele gerará uma turbulência e desorientação na vida das escolas que em nada beneficiará a melhoria dos resultados escolares e a qualidade das aprendizagens dos alunos", refere o documento, assinado pelos conselhos executivo e pedagógico deste estabelecimento e já enviado ao ME.

Neste sentido, o agrupamento de escolas da Pontinha propõe "que seja adiado o processo de avaliação de desempenho do pessoal docente, entretanto iniciado, para momento posterior ao da publicação de todos os documentos, regras e normas legais", pedindo ainda que seja concedido um "período de tempo mínimo" para a adequação e actualização dos instrumentos de regulação internos.
Idêntico pedido deverá ser aprovado esta semana pela escola secundária da Gafanha da Nazaré, depois de o conselho executivo ter admitido "muitas dificuldades" em implementar o processo.

"Hoje de manhã, numa reunião informal, houve uma manifestação pública por parte dos docentes relativamente à necessidade de suspender a avaliação este ano lectivo, já que neste momento é totalmente inviável prosseguir o processo. Deverá ser aprovada uma deliberação nesse sentido, na próxima reunião do conselho pedagógico", disse à Lusa Vítor Januário, professor de Português naquela escola.

Já na básica do 2º e 3º ciclos da mesma cidade, a presidente do conselho executivo admite que tudo está a andar "muito devagar", não tendo sido ainda aprovados os instrumentos de registo e indicadores de medida.
"Não estamos a fazer muito para que o processo avance. Tenho esperança que venham outras directrizes ou uma tomada de posição do primeiro-ministro. Alguma coisa deve estar para mudar depois da manifestação", afirmou Ana Seabra.

Os problemas relacionados com esta matéria estão igualmente a ser sentidos na secundária Dona Maria II, em Braga. Numa reunião realizada na passada quarta-feira, os professores do departamento de Línguas pedem a suspensão "imediata de toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação".
No documento, já subscrito por 55 docentes da escola, cerca de 60 por cento do total, os professores alegam, nomeadamente, que o modelo de avaliação é "tecnicamente medíocre", contém "critérios subjectivos" e permite que os avaliadores sejam menos qualificados do que os avaliados, na sequência das "injustiças" verificadas no concurso para titular.
A Lusa tentou contactar o ME, o que não foi possível até ao momento.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Obrigado João Pedrosa!





Movimento Escola Pública na imprensa

Professor do ano assina manifesto (notícia JN)

Arsélio Martins, que em Novembro recebeu das mãos da ministra da Educação o prémio nacional de professores, é o primeiro subscritor de um manifesto promovido pelo Movimento Escola Pública. O documento, que acusa o PS de ameaçar a escola pública, é corrosivo ao apreciar o regime de avaliação. "Queremos dar corpo a uma corrente que mobilize a cooperação contra a competição", sustentam os signatários, reclamando equipas multidisciplinares, "turmas mais pequenas e heterogéneas" e "discriminação positiva das escolas com mais problemas".

"Investido na ideologia da rentabilização e da gestão por resultados, que branqueia os verdadeiros problemas e encavalita a urgência dos números do sucesso nas costas dos professores, o PS oferece mais Governo e menos serviço público à Educação. E na escola-empresa, que vai triunfando contra a escola democrática, crescem novas burocracias feitas por decreto, centraliza-se o poder em figuras unipessoais", lê-se no manifesto, disponível na Internet.

A iniciativa foi subscrita por mais de 1600 pessoas. Além do professor de Matemática de Aveiro, também o sociólogo Boaventura Sousa Santos, o escritor José Luís Peixoto, o presidente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, António Avelãs, e o deputado do BE, Fernando Rosas assinam o documento.

João Madeira, um dos fundadores do movimento, manifestou ao JN a convicção de que "os professores não vão baixar os braços". Docente de História há 28 anos, "nunca viu a classe tão unida e entusiasticamente determinada na rua". João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores, concorda. E, céptico quanto à mudança de discurso da ministra, acha possível na próxima "marcha" estarem mais de 143 mil pessoas. Ou seja mais do que o número total de professores. "É que isto pega-se..."

Quarta-feira, Grancho vai à Comissão Parlamentar de Educação expor uma "alternativa" durante os três meses até final do ano lectivo, os "professores avaliadores" deveriam ter acções de formação, todos os instrumentos deveriam ser validados e as escolas deveriam criar, a partir dos princípios de referência, as suas próprias medidas. Em Setembro, todos arrancariam "mais fundamentados". No mesmo dia, será entregue no Parlamento uma petição contra a prova de ingresso na carreira docente, subscrita por 12 mil pessoas.

Obrigado António Vasconcelos!






Olha o bom exemplo...

Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga, na sua reunião ordinária de hoje, 5 de Março, abordaram, inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor. Após demorada, participada e viva discussão, os respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que, de seguida, transcrevo na íntegra:

. Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares;

. Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;

.Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;

. Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;

. Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;

. Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;

. Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;

. Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;

. Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;

. Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;

. Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;

. Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;

. Mais consideram que:

. Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;

. Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.

Notas:
1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou ccontra:
2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo a conhecer a todos os colegas da escola;
3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de outras escolas;
4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de posição;
5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo, e que só se protesta na rua;
6 – A introdução e as notas são da minha exclusiva responsabilidade;
7 – Tomo a liberdade de agradecer com prazer aos professores da Escola Secundária D. Maria II, Braga, e principalmente às mulheres, as mais aguerridas, pelas posições firmes que têm assumido, e por rejeitarem qualquer outro lugar que não seja a linha da frente da luta pela dignidade docente. É um orgulho estar entre vós.
António Mota
Escola Secundária D. Maria II, Braga

Obrigado Maria João Simas!









Obrigado Fernanda Abreu!














Cá vai a primeira série de muitas:














Obrigado Cristina Pinto!!!!