domingo, 14 de agosto de 2011

Nova avaliação prejudica contratados

A proposta do governo para a avaliação dos professores é mais leve, com um pouco menos de complicação, e até deixa isentos os professores dos escalões mais elevados. Contudo, as quotas de Muito Bom e Excelente continuam lá. E continua a ser desprezada a dimensão da colaboração entre professores, privilegiando-se o modelo competitivo e não formativo.
Numa apreciação ainda muito geral podemos dizer também que, para não variar, é o elo mais fraco que apanha com o pior. Os professores contratados, precários, geralmente com menos tempo e mais azáfama, são precisamente os que continuam a levar com a avaliação todos os anos, mesmo que tenham tido oito excelentes em oito anos seguidos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Governo aumenta número de alunos por turma

O governo decidiu aumentar o número de alunos por turma no ensino básico de 24 para 26, justificando-se com a "procura excepcional de matrículas" e as "dificuldades sentidas pelas famílias, escolas e agrupamentos de escolas na colocação dos alunos" (ver aqui e aqui). Ora, se é natural que aumentem as matrículas até por causa das dificuldades financeiras de muitas famílias que desistiram do ensino privado, o que não é nada saudável é a redução da qualidade da escola pública em nome de uma maior procura.

A escola pública deve ser reforçada para combater a crise e não diminuída. Como fizemos notar há alguns meses, através desta petição que reuniu mais de 20 mil assinaturas (muitas das quais em papel), o actual número de alunos por turma é excessivo para garantir a qualidade das aprendizagens. Aumentá-lo é uma irresponsabilidade de todo o tamanho. A obrigação do governo seria a de abrir novas turmas com novos professores nos locais onde se justificasse. Por este andar vamos até aos 35 por turma só para poupar, esquecendo que em matéria de educação o barato sai caro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Solidariedade com a Noruega :: Solidarity with Norway

O Movimento Escola Pública associa-se à iniciativa de solidariedade com as as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações (lista no fim do texto). A petição encontra-se disponível aqui.

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.

Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.
Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.
Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.

We followed, in shock, anger and deep sadness the horrendous events in Oslo and Utoya on the 22nd of July. Our first thoughts are towards the victims, their family, friends and comrades. Please accept out heartfelt condolences and solidarity.
As activists from different social and political movements in Portugal, we extend our condolences to the AUF, but also to the people of Norway. And towards all of us in Europe and the rest of the world who understand and aknowledge the threat posed by racist, xenophobic, fascist ideologies, too frequently endorsed by mainstream political discourses and beliefs everywhere.
When people vote for hate and exclusion, when political leaders question multicultural values, when minorities are chosen as scapegoats for the failures of political systems aimed at exclusion and discrimination, hate has been accepted into mainstream politics. And guns will always need hate as ammunition.
It could have been any of us, political activists whose biggest tribute to those who perished, sustained injuries or have lost loved ones is our pledge to keep on struggling for respect, diversity, justice, peace and a truly democratic and inclusive society. We will answer with more democracy.


Artigo 21.º * Associação 25 de Abril * Associação Abril * Associação República e Laicidade * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * Convergência e Alternativa * Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora * Fartos/as d'Estes Recibos Verdes * M12M * Movimento Escola Pública * Não Apaguem a Memória * Opus Gay * Panteras Rosa * PES Portugal * Portugal Uncut * Precários Inflexíveis * Rainbow Rose Portugal * Renovação Comunista * Sindicato dos Professores da Grande Lisboa * União de Mulheres Alternativa e Resistência * Vidas Alternativas

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

A justiça dos exames

Uma média de 17, numa escola pública considerada de referência, com professores muito experientes e competentes, a Inês deveria ir calma para os exames. Mas não foi. Minutos antes do teste de Português, vomitou. Aquando do de Historia tremia de frio, num dia quente. Resultado 1: 9 valores em ambos. Resultado 2: Agora com média de 16, não pode entrar em nenhuma faculdade, pública ou privada (precisaria de 9,5 – mais meia décima portanto).
Texto imprescindível publicado no blogue Terrear

Não ao maior despedimento da história do ensino

Os professores desempregados vão protestar no dia 10 de Setembro. O apelo, cujo texto reproduzimos à frente, surgiu no facebook e promete engordar:

Sem professores não há escola pública de qualidade. Dezenas de milhares de docentes vão ser afastados em Setembro devido aos cortes irresponsáveis impostos às escolas. A consequência serão turmas maiores e menos apoios educativos.

A redução radical do crédito de horas destinadas a projectos escolares e os cortes orçamentais ameaçam a qualidade da escola pública. Os professores que ficarem terão ainda mais trabalho e menos salário. Muitos de nós, contratados, que toda uma vida profissional saltámos de escola em escola, sempre deixados de fora da carreira, seremos empurrados da precariedade para o desemprego. Este mega-despedimento ataca os nossos direitos mas também a escola pública como parte da democracia.

Dizem-nos que a culpa é da dívida. Mas não fomos nós - professores precários que se sacrificaram anos a fio – que fizemos essa dívida. Cabe a quem brincou com a economia do país e engordou com a crise assumir as suas responsabilidades. Nem os professores, nem a escola, nem os alunos devem pagar essa conta. Em vez de nos lançar na crise, é preciso investir na Escola para o país superar a crise.

Somos professores, somos precários. Em nome dos alunos e do seu sucesso, não baixamos os braços. Em Setembro, varridos das escolas, iremos para a rua. Aqui, solidários com cada escola amputada, estaremos em protesto.

RECUSAMOS O DESEMPREGO
SOMOS INDISPENSÁVEIS
VAMOS SALVAR A ESCOLA PÚBLICA

Professores indignados

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Novo modelo de avaliação docente na forja...

Ministro apresenta modelo de avaliação dos professores na próxima sexta-feira

Na próxima sexta-feira será apresentado um novo modelo de avaliação dos professores, anunciou hoje o ministro da Educação, à margem da cerimónia de celebração dos 12 anos do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Nuno Crato disse ter enviado uma carta aos sindicatos do sector, para os convocar para uma «sessão de apresentação do essencial do novo modelo de avaliação», que acredita que «será bem recebido».

domingo, 17 de julho de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Por uma escola exigente para responder à crise

Posição do Movimento Escola Pública sobre o programa do Governo PSD/PP:

O Movimento Escola Pública considera que o programa do governo para a Educação apresenta desde já objectivos que, a serem concretizados, terão consequências graves na qualidade da escola pública e na igualdade de oportunidades que constitucionalmente esta deve assegurar.

Condenamos o corte de cerca de 400 milhões de euros previsto no memorando da Troika para 2011 e 2012, verba que será poupada através da criação de mais mega-agrupamentos e redução de pessoal, dando continuidade às políticas do anterior governo. A despersonalização da escola com uma pequena direcção cada vez mais afastada de uma grande comunidade de alunos(as), professores(as), famílias e funcionários(as) é uma tendência oposta às melhores práticas internacionais.

Recusamos frontalmente a “examocracia” patente em todo o documento programático. Através de “provas para o 4.º ano, provas finais de ciclo no 6.º e 9.º anos, com um peso na avaliação final e exames nacionais no 11.º e 12.º ano”, prevê-se que a introdução de exames com peso na avaliação final seja um mecanismo de selecção para definir prematuramente o percurso escolar dos alunos, transformando a escola num centro de treino para exames e alimentando ainda mais o negócio crescente das explicações privadas. Examinar para excluir é a solução mais facilitista que pode existir. Do que precisamos é de uma escola exigente que não desista dos(as) alunos(as), apostando no acompanhamento pedagógico individualizado sempre que necessário.

É ainda com grande preocupação que olhamos para:

- a possibilidade do peso das notas dos exames finais na avaliação dos professores, por ser um mecanismo aleatório, incapaz de avaliar o trabalho concreto desenvolvido pelos docentes devido à diversidade dos contextos económicos, culturais e sociais de crianças e jovens;

- a recusa em suspender o actual modelo de avaliação de professores, prolongando assim desnecessariamente conflitos e instabilidades prejudiciais a um ambiente pedagógico sereno;

- a “defesa da política de contratos de associação com estabelecimentos de ensino particular e cooperativo”, aparentemente sem condições, associada ao objectivo de “desenvolver progressivamente iniciativas de liberdade de escolha para as famílias em relação à oferta disponível pública ou privada”. Desenha-se aqui um objectivo antigo dos sectores mais conservadores da sociedade portuguesa: uma escola pública para os pobres e uma escola privada para as classes médias e altas, financiada pelo dinheiro do Estado, ou seja, de todos. Esta aposta do governo merecerá a nossa oposição total.

O Movimento Escola Pública considera que é urgente transformação da escola numa outra escola, mais exigente, contra os facilitismos e a passividade face às dificuldades, e que tal implica a adopção de medidas concretas, com impacto no desempenho de alunos e professores. Por isso, lamentamos a ausência de qualquer referência:

- à necessidade da redução do número de alunos por turma e por professor. Pelo contrário, com a redução drástica do número de docentes, o tamanho das turmas e do total de alunos a cargo de cada um tenderá a aumentar.

- ao número de elementos do pessoal não docente em cada estabelecimento - especialmente nos que acolhem crianças mais novas

- à introdução de equipas multidisciplinares nas escolas que garantam um acompanhamento eficaz de cada aluno(a).

Fácil é eliminar e seleccionar. Difícil é garantir um ensino de qualidade para todos e todas. O governo escolhe o facilitismo. Nós acreditamos que somos capazes, como sociedade, de não nos contentarmos com pouco, e escolher a exigência.

Julho 2011, Movimento Escola Pública.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sobre a crítica do eduquês e o programa da direita

A direita adubou os cortes da “troika” com um programa radical de mudança do sistema de ensino. O passado é para apagar, através da “substituição da facilidade pelo esforço, do laxismo pelo trabalho, do dirigismo pedagógico pelo rigor científico, da indisciplina pela disciplina, do centralismo pela autonomia”(1) . A “luz” da direita vê mais longe do que a cegueira dos cortes(2), com um pacote completo que, desde a municipalização até da gestão das escolas aos exames no fim de todos os ciclos de ensino, não deixará nada de pé(3).
O programa da coligação tem hoje um ministro que escreveu o seu programa: O Eduquês em discurso directo…. Professores e professoras soçobraram aos encantos do discurso, a esquerda não esteve à altura da resposta que se exigia, mas não terá alternativa. A obra assenta:

1. na culpa de Rousseau: com a denuncia da “ideologia dominante”, banhada pelo romantismo e pelo construtivismo, partindo de uma abordagem cognitivista, e ignorando que durante décadas a escola foi banhada pelos objectivos de Bloom;

2. na culpa das ciências da educação: responsabilizadas pelo laxismo triunfante, pela propagação através de programas, investigadores e decisores políticos, do “eduquês”, pelo triunfo do “ensino centrado no aluno” e pela desvalorização dos currículos, para o qual a verdadeira resposta são os exames, de alunos e professores. “Não se pode avaliar professores sem avaliação externa aos alunos” (Nuno Crato, 15.4.2008), convém não esquecer.

3. na prova dos 9: refazer uma política de selecção através dos exames: “os exames podem ser orientadores de percursos escolares, levando, por exemplo, a encaminhar estudantes com dificuldades para vias alternativas, com o mesmo ou com outro término escolar” (p.48). Como os exames já existem, reconhecendo o autor, aliás, que PSD os instalou e PS os preservou, impõe-se saber: qual é o peso que os exames terão na avaliação final de alunos de 6.º e 9.º anos? E qual é o peso que os resultados dos exames terão na avaliação dos professores?

Sobre a obsessão dos exames: É certo que, no quadro europeu, os exames se expandiram a partir da década de 90. Segundo dados de 2008-2009 (4), realizam-se na maior parte dos países no fim do CITE 2 (9.º ano) o que, na maioria, também corresponde ao fim da escolaridade obrigatória. Na última década, centram-se na avaliação de competências, pelo que será curioso testar a resistência do ministro a esta hegemonia. Das 36 realidades aferidas, 11 não têm exames obrigatórios, podendo ou não haver exames por amostragem. Mas o que está longe de ser regra é a realização de 3 exames obrigatórios nos 9 ou 10 anos de escolaridade iniciais. Por outro, na maioria dos países, os exames equivalentes ao 9.º ano não têm impacte na definição do percurso escolar dos alunos; das 36 realidades apontadas, 12 reconhecem estes exames para fins de atribuição de diplomas e, em conformidade, como é já o caso de Portugal, articulam a classificação do exame com a avaliação contínua. Excepção feita a Malta, onde os exames determinam que os alunos se agrupam, no 5.º e 6.º anos, segundo as capacidades, ou à Polónia, onde maus resultados nos exames de 9.º podem empurrar os alunos para a realização de ensino profissional de curta duração, os exames não estão, na Europa, ao serviço do eugenismo social e cultural.

Sobre a retórica “eduquesa”: supor que ela formatou as práticas e foi, com elas, responsável pelos fracassos, é desconhecer a realidade das escolas: o ensino não está “centrado no aluno”, nem condições, nem recursos, nem vontade; os currículos não foram desvalorizados, pelo contrário, são omnipotentes através dos manuais escolares; e se as competências foram, de facto, a moda dos anos 90, importada do mundo empresarial com as nuvens difusoras que arrastaram, os testes continuam a exigir aos alunos e alunas: “define hominização…”

Confundir o aterro burocrático em que as escolas estão mergulhadas – e ignorar que ele serve a normalização, a obediência, a anestesia de todas as autonomias – ou confundir a avaliação dos alunos - feita em folhas de Excel, que fariam salivar de inveja os cães de Pavlov - com o triunfo de uma ideologia romântica e construtivista, cuja linguagem seria o “eduquês”, é uma distorção oportunista e parasita das formas de poder instaladas. E é-o porque a chave do novo poder está à mão: selecção dos alunos no 4.º ano, ou no final do 2.º ciclo ou do 3.º e, o tempo dirá, integração das classificações destas provas na avaliação dos professores. Isto basta para percebermos que os tempos não estão para indecisões, em nome da escola pública e do seu pacto com a democracia, em nome das crianças e dos jovens deste país.

Cecília Honório

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1Programa do XIX Governo Constitucional, p. 109.

2A “troika” impõe para a educação, nos próximos dois anos, um corte de, pelo menos, 375 milhões de euros – através, sobretudo, da “criação de agrupamentos de escolas”e da “redução das necessidades de pessoal”.

3Generalização da avaliação nacional: provas para o 4.º ano; provas finais de ciclo no 6.º e 9.º anos, com um peso na avaliação final; exames nacionais no 11.º e 12.º ano (p. 111).

4Exames nacionais dos alunos na Europa: objectivos, organização e utilização de resultados, Eurydice 2010.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não pára o ataque aos professores…e à escola pública

Os dois maiores sindicatos de professores denunciaram o despedimento ou não renovação de contratos de milhares de professores. A Fenprof estima em 20 mil o número de professores que podem ficar sem emprego já em Setembro devido à eliminação de cerca de 30 mil horários (ler aqui e aqui); e a FNE avisa que várias escolas estão a despedir de forma ilegal centenas de professores com contratos de substituição, quando os docentes que aqueles estão a substituir ainda não voltaram ao trabalho (ler aqui e aqui). Quando é necessária uma escola mais capaz para travar o abandono escolar, o governo e a troika preferem a política da terra queimada.

domingo, 3 de julho de 2011

Soy Publica

Em castelhano Movimento Escola Pública parece escrever-se assim: Soy Publica.E o movimento esteve na Praça do Sol para dizer isto:
DISCURSO PARA EL DEBATE DEL PUEBLO SOBRE EL ESTADO DE LA NACIÓN. 29J-2011


La educación
Vivir en democracia significa que las personas que componen la sociedad son capaces de participar en ella, que han desarrollado una actitud crítica y un profundo conocimiento de la realidad que día a día construyen. ¿Cómo si no podrían participar y realizarse en democracia?
Partiendo del principio de que la educación lleva implícitos unos valores, éstos deberían ser los de la democracia, es decir igualdad, participación, solidaridad y actitud crítica.
Desgraciadamente no es así en el mundo en que vivimos. Hace ya unas décadas quea nivel internacional, el capital se ha ido adueñando de los sectores estratégicos nacionales, levantados de la nada con el esfuerzo de los pueblos. De este modo se privatizaron los transportes, las comunicaciones, la energía e incluso el agua.
Este proceso, además de un expolio inmoral de los bienes del pueblo, supuso un incremento del paro, del endeudamiento, del enriquecimiento de unos pocos y del empobrecimiento de la mayoría.
Hoy en día presenciamos cómo los únicos sectores que quedan en manos de las administraciones públicas, servicios como educación y sanidad, constituyen un nicho de negocio y de adoctrinamiento en la cultura del mercado, del individualismo y del consumismo.
EDUCACIÓN
En cuanto a Educación, os vamos a explicar en qué consisten las tres vías del proceso de mercantilización de la escuela.
1-
  1. La primera vía consiste en hacer que las clases populares, (que somos la mayoría, pues dependemos de un empleo), paguen parte de la educación de sus hijos. Esto supone el copago. Esta primera vía, está bastante avanzada en España y en particular en Madrid, donde el peso de la escuela concertada crece a pasos agigantados. En los últimos años han recibido un incremento económico del 23%, pasando de 700 a más de 850 millones de euros anuales. Entre tanto, el presupuesto para la educación pública disminuye.
  1. El gasto de la administración autonómica española por alumno o alumna en la concertada supone la mitad que el de un alumno o alumna de la pública. Es un buen argumento en tiempos de crisis, pero lo que no nos cuentan es que la inversión de las familias españolas en educación es la más alta de toda Europa, llegando a rozar el 1% del PIB, en torno a los 8000 millones de euros. Es decir lo que no paga la Administración, lo paga la familia.
  1. Mientras, con la excusa del ahorro y la importancia de la economía, en Madrid se recortan 40 millones de euros este curso a la vez que se gastan más de 70 en autopropaganda. Además, se dejan de ingresar 90 por deducción fiscal en concepto de matriculación en centros privados, la mayoría religiosos.
2-
  1. La segunda vía de mercantilización de la escuela es que desde organismos como la OCDE o la propia Unión Europea, se imponen políticas destinadas a educar en la ignorancia. Parece una contradicción, ¿cómo se puede educar en la ignorancia?
  1. Observamos que la enorme economía global de los grandes beneficios, esa gran mentira de la economía, que debería llamarse avaricia, no necesita de una población compuesta por personas bien educadas y con capacidad de hacer juicios críticos. La finalidad es crear consumidores y educar a la futura mano de obra, en los repentinos y caprichosos cambios del mercado.
  1. Uno de los métodos para alejar el conocimiento de la escuela ha sido, por un lado ahogarlaeconómicamente y, por otro,desprestigiarla continuamente, utilizando su poderosa máquina mediática. Todos lo políticos dicen que la escuela está mal para así aplicar sus recetas privatizadoras.
3-
  1. La tercera vía de mercantilización de la escuela es hacerla rentable para las grandes empresas. Un ejemplo es la firma del acuerdo millonario con una multinacional de la informática en la Comunidad de Madrid, para implantar las nuevas tecnologías en el aula. Esto ocurre en 2010, el año de los recortes en educación, a pesar de que existe software libre y gratuito que cumple las mismas funciones. Es solo un ejemplo, como el de los distintos ensayos de introducir publicidad en el aula, etc
Recopilando: copago, empobrecimiento y desprestigio de la escuela y niños y niñas para los que no se construye una educación democrática, gratuita, laica y del conocimiento.
DATOS
Ofreceremos ahora algunos datossobre la educación española y madrileña para situarla en el contexto europeo.
  1. Mientras que la media de inversión de la Europa de los 15 países más desarrollados se encuentra en el 5,5% del PIB, la media de España es un 4,3%. Este porcentaje en Madrid se reduce al 2,46% de su riqueza interior. Es pues, Madrid la región a la cola en inversión, no solo en España, sino en Europa.
  1. Otro dato interesante es que los mayores índices de fracaso escolar se encuentran en los barrios más desfavorecidos, aquellos que precisamente han sido recientemente más castigados por los recortes por aumento de ratios, práctica desaparición de apoyos, etc. ¿Es esto democracia?
  1. Otro dato curioso es que cuando se comparan los resultados del alumnado del mismo nivel socioeconómico, son mejores los resultados de la escuela pública .
Para abreviar, diremos que creemos en una escuela pública y democrática, una escuela que transmite el saber humanista y científico, como fin en sí mismo. Para comprender el mundo en el que vivimos, para crecer juntos y juntas y colaborar aprovechando al máximo las capacidades del ser humano y sus posibilidades de enriquecimiento moral, cultural, creativo y social.
Una escuela sostenida de forma solidaria por la sociedad y construida desde abajo y de forma democrática por sus verdaderos activos: alumnado, padres y madres, profesorado. Una escuela no de la calidad, porque no somos una empresa, sino una escuela del conocimiento, libre y crítico.
Seguir por el camino que dicta el capital solo nos conduce a la creación de futuros consumidores inconscientes y/o futuros precarios y parados.
Somos seres culturales. Por lo tanto, impedir la formación del pueblo es tirar a la basura las capacidades del ser humano y sus posibilidades de mejora como conjunto. El único interés que hay en mantener esta segregación es la perpetuación del poder de clase de las élites privilegiadasy de la lógica de mercado. No se lo vamos a permitir.
La Educación Pública en democracia nos hace libres, nos hace mejores y amplía el horizonte de todos y todas

O “anti-eduquês” como ideologia pedagógica

Pertinente texto de Licínio Lima, descoberto por Miguel Pinto.



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Avaliação em doses cavalares

“rigor na avaliação”, “exigência nas provas”, “generalização da avaliação nacional”, provas para o 4.º ano”, “provas finais de ciclo no 6.º e 9.º anos, com um peso na avaliação final”,  “exames nacionais no 11.º e 12.º ano”, “desenvolver e consolidar uma cultura de avaliação a todos os níveis do sistema de ensino”, “implementar uma política de avaliação global”. Registámos a ocorrência da palavra avaliação (ou avaliar) no programa do governo (paginas 109 a 115). Em apenas sete páginas esta palavra é referida 15 vezes. As palavras “exames” (3), “mérito” (3), “autoridade” (2), “disciplina” (2) ficam a milhas de distância da palavra avaliação, mas todas juntas deixam mostrar o que move o governo: uma ânsia avaliadora e seleccionadora mais do que uma vontade de resolver problemas e de garantir o sucesso de todos.
Quanto ao modelo de avaliação dos professores ele não é suspenso e sugere-se apenas uma “reformulação”. Um balde de água fria para quem chegou a acreditar?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ainda o “eduquês”…

O Francisco publicou no seu blogue um comentário de Zé Barreto muito elucidativo da farsa útil que Crato construiu à boleia do “eduquês”, aqui fica um excerto:

“Crato sabia muito bem que todo o português medianamente sensato é alérgico ao facilitismo, mas sabia melhor ainda que ao abordar o assunto estava a acariciar uma zona erógena do público conservador, esse mesmo que coloca os filhinhos em escolas privadas, mas está sempre a dizer mal do ensino público, porque alegadamente lhe vai ao bolso. A jogada publicitária de Crato rendeu bem, como a sua carreira posterior exemplifica.”

E ainda sobre o “eduquês” aconselhamos a leitura de outros três textos já publicados aqui:



“As costas largas do Eduquês”, por Carlos Carujo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Examinemos o Crato

O novo Ministro da Educação (e da Ciência e do Ensino Superior) despreza a escola progressista e as “pedagogias modernas”. Diz que um dos principais problemas da escola portuguesa é a falta de exames. O seu discurso fácil deve ser examinado.

Nuno Crato desconfia dos métodos pedagógicos não directivos e prefere a escola da transmissão de conhecimentos (1). Eriça-se contra o “eduquês” e deleita-se com os modelos de ensino chinês e japonês (2). Lembra que primeiro é preciso saber os nomes das capitais e as linhas de caminho de ferro e só depois pensar (3). Sublinha que a política educativa deve servir para seleccionar e não para incluir (4) . Diz ainda que em Portugal não há exames (5) e que isso é uma pena porque a fazer exames aprende-se mais do que a estudar de forma calma e descontraída (6) . Mais: rejeita a “pedagogia romântica e construtivista” até porque “Rousseau não era um homem das luzes” (7) . Diz que nunca ouviu falar da escola de Summerhill (8) , talvez porque prefira a autoridade explícita à “motivação e disciplina interior” (9) . Para Crato “desaprende-se com as ciências da educação” (10) e até nem era mal pensado “implodir o Ministério” (11).

O cardápio de disparates é longo. Mas tudo é dito do alto da cátedra, qual D.Quixote a combater inimigos imaginários. A culpa da falência da escola é a sua contaminação pelos métodos activos, pelas pedagogias não directivas, pelo “aprender a aprender”, pelo ensino “centrado no aluno”, ou pela “aprendizagem por competências”. Ignora Crato que as únicas escolas ou grupos de professores que aprofundaram estes métodos – como a Escola da Ponte (12) ou o Movimento Escola Moderna (13) – obtêm excelentes resultados ao nível da preparação dos alunos. Ignora Crato que na maior parte das salas de aula deste país prevalece ainda o ensino centrado no discurso do professor. Ou talvez não ignore. Talvez pretenda apenas agitar um fantasma que poucas vezes saiu dos sótãos para assim legitimar um regresso ao passado e à matriz conservadora. Mas se queremos uma escola de massas ela não pode ser livresca e directiva, pois assim rapidamente deixará de ser para todos. O projecto de Crato é por isso elitista.

Compreende-se o equívoco. O livro que popularizou Crato e as suas ideias chama-se “O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista". Ora, se Crato se levasse a sério assumiria que a Pedagogia Romântica e Construtivista nunca passou, salvo honrosas excepções, disso mesmo, de discurso directo. “Eduquês” foi a palavra utilizada pela primeira vez por Marçal Grilo para criticar o discurso hermético dos documentos do Ministério da Educação, uma reacção contra o ininteligível. Em boa verdade é até uma crítica justa. A pedagogia, em vez de passar para as salas de aula, passava apenas para os papéis com uma linguagem muitas vezes anti-pedagógica porque nada queria dizer. Naturalmente, um discurso que não tem nenhuma relação com a prática só pode aparecer aos olhos dos professores como um balão cheio de ar, uma bula incompreensível. Por isso este “eduquês”, sem porta por onde entrar nas salas de aula, transformou-se num “burocratês”, numa parafernália de reuniões, de planos de recuperação, de projectos educativos e projectos curriculares de turma, que raramente têm algum significado para o trabalho de alunos e professores, dada a gritante falta de meios humanos e materiais. Com um corpo docente precarizado, e salas a abarrotar, sem equipas multidisciplinares e apoios educativos que dispensem as explicações privadas, seria difícil esperar a “massificação” da tão necessária “pedagogia moderna”.

O equívoco ajuda a explicar a popularidade de Crato no seio dos professores. É um discurso que agrada tanto aos adeptos da escola antiga como aos que estão fartos do autoritarismo burocrático que tem passado pelo Ministério. Rodrigues e Alçada deixaram-lhe o terreno fértil. Quiseram fazer do sucesso escolar um desejo estatístico, culparam os professores pelos fracos resultados sem lhes dar os meios. Facilitaram a vida ao discurso anti-“facilitismo”. Colaram o sensato objectivo do fim dos chumbos a uma espécie de atribuição de diplomas à ignorância. Souberam queimar uma ideia e abriram caminho aos espinhos de Crato.

O pior é que o pensamento do Ministro Independente cola às mil maravilhas com o programa neoliberal da troika e do governo: despedimentos em massa de professores, cortes orçamentais draconianos em cada escola, turmas maiores, menos apoios educativos. Talvez nesta altura os docentes que se deixaram encantar pelo discurso da sereia compreendam o desenho por inteiro. Afinal, a escola autoritária e livresca sempre é mais barata do que a tal escola moderna. É uma escola mais fácil porque será mais elitista.

Ser exigente não é pedir mais exames, porque eliminar, seriar e avaliar é muito fácil. A dificuldade, a exigência, o combate contra o facilitismo, é a construção de uma escola democrática, de qualidade, de massas, e que dá tudo por tudo para que cada aluno/a cresça, aprenda, saiba, seja, critique, pense. Para este trabalho tão trabalhoso já sabemos que não podemos contar com o esforço e o mérito de Nuno Crato. Nesse exame chumbará por falta de comparência.

Miguel Reis
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1) “A nossa escola deveria assegurar a transmissão de conhecimentos e, às vezes, o que se passa é que, com pretextos muito grandiosos, de criar cidadãos críticos, jovens cientistas, escritores activos, eleitores activos, com esses slogans grandiosos, esquece-se aquilo que é fundamental na escola, que é transmitir conhecimentos básicos.”
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=84407

2) “Olhamos para a China ou para o Japão e eles não têm estes problemas. Têm um ensino muito tradicional, por vezes até demasiado no meu entender, mas que funciona (…) Vou-lhe contar uma história que se passou comigo nos EUA, onde vivi muitos anos. Quando fui para lá, como estudante estrangeiro de doutoramento, tive um mês de lavagem ao cérebro por pedagogos modernos. Uma das coisas de que eles queriam convencer-nos era: enquanto nos países de onde nós vínhamos o mestre sabia e o aluno aprendia, ali não, ali todos aprendiam. Recordo um aluno chinês, a olhar para um desses lavadores de cérebros, completamente boquiaberto, e apreensivo, perguntando se ali não eram as pessoas que sabiam que ensinavam as outras...”
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/entrevista-de-nuno-crato-ao-notcias.html

3) Entrevista vídeo com Ana Sousa
http://blog.domingosfaria.net/2011/01/contra-o-eduques.html

4) “A Ministra disse que a política da educação é para inserção, não é para selecção. Concorda? Não. Se queremos todos os carros a andar à mesma velocidade, só temos uma maneira de o fazer: é fazer com que o BMW ande à velocidade do fiat 600, não conseguimos pôr o fiat 600 à velocidade do BMW”








8) Idem. Para conhecer esta escola consulte o seu site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Summerhill_School


9) “A ideia também de que tudo vem da motivação, de que toda a disciplina deve ser interior, de que a avaliação não é necessária porque o que interessa é o gosto pelo saber, etc.”

10)http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/05/intervencao-de-nuno-crato-sobre.html


11) "Acho que o Ministério da Educação deveria quase que ser implodido, devia desaparecer, devia-se criar uma coisa muito mais simples, que não tivesse a Educação como pertença mas tivesse a Educação como missão, uma missão reguladora muito genérica e que sobretudo promovesse a avaliação do que se está a passar." http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=84407





domingo, 19 de junho de 2011

Pedagogia fora da escola

Reservamos para mais tarde um comentário mais completo sobre o novo Ministro da Educação, da Ciência e do Ensino Superior. Para já, dizer que a sensação é amarga, porque aos cortes e aos despedimentos exigidos pela troika e acarinhados pelo governo e por qualquer ministro que viesse a ocupar esta pasta, há que juntar agora uma grande dose de conservadorismo, elitismo e autoritarismo deste senhor Nuno Crato, o anti-pedagogo. Aqui fica um aperitivo (retirado desta entrevista de Fevereiro à Rádio Ecclesia):

A escola livresca e acrítica:

“A nossa escola deveria assegurar a transmissão de conhecimentos e, às vezes, o que se passa é que, com pretextos muito grandiosos, de criar cidadãos críticos, jovens cientistas, escritores activos, eleitores activos, com esses slogans grandiosos, esquece-se aquilo que é fundamental na escola, que é transmitir conhecimentos básicos.”

O cheque-ensino:

“Há pessoas que defendem um chamado cheque de educação, há várias maneiras de o fazer, não sei exactamente qual a melhor maneira.”

Sai o Estado, entra a Economia (e cuidado com as Ciências Sociais):

“é que nós se olharmos para as orientações que saem do Ministério da Educação, só vemos absurdos ou vemos muitos absurdos, porque a área das chamadas Ciências da Educação em Portugal está muito desactualizada do que se passa de bom na investigação científica do mundo. É uma área muito ideológica, que nasceu desta ideia do centralismo, de que um Estado central haveria de conseguir controlar bem a Educação, e que o Estado central haveria de dizer a cada filho, a cada família, escola, professor, aquilo que deve fazer, ao mais ínfimo pormenor e duma forma muito marcada, ideologicamente, e pouco aberta àquilo que a Ciência nos diz hoje: aquilo que a Psicologia Cognitiva, os Estudos de Economia de Educação nos dizem sobre o que são as melhores práticas das escolas.”

Finalmente, o bombismo:

"Acho que o Ministério da Educação deveria quase que ser implodido, devia desaparecer, devia-se criar uma coisa muito mais simples, que não tivesse a Educação como pertença mas tivesse a Educação como missão, uma missão reguladora muito genérica e que sobretudo promovesse a avaliação do que se está a passar."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Olhares para a pobreza

Um artigo interessante, publicado na Revista Educação (Brasil), discute o impacto da condição social e cultural das famílias no sucesso escolar. E apresenta propostas concretas para avançar rumo a uma verdadeira igualdade de oportunidades. Selecionámos alguns trechos, mas vale a pena lê-lo na totalidade.

“Sabemos que as chances de aprendizado são delimitadas socialmente. Todos podem aprender, mas os que têm famílias de maior capital cultural aprendem mais e mais rápido (…) em média, apenas 15% da variação das notas dos alunos referem-se exclusivamente à influência do trabalho da escola - pensando em escolas que funcionam bem, como todas deveriam funcionar.”

“(…) para que a pobreza não se perpetue em um círculo vicioso, é preciso investir em educação infantil, uma área para a qual apenas recentemente as políticas públicas despertaram. "A chave para a pobreza está acima de tudo na faixa etária de 0 a 5 anos", acredita. Mas também há caminhos a serem trilhados nos ensinos fundamental e médio. Para Francisco Soares, a formação de turmas menores, a adoção de tempo integral, o acompanhamento extraclasse e as atividades de férias são algumas das políticas públicas que devem ser adotadas.”

"Em 2009, o Ministério da Educação e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) identificaram dez políticas que conseguiram reverter as limitações sociais e melhorar a aprendizagem. Algumas delas atendem diretamente à inclusão dos alunos de contexto social associado à pobreza. É o caso da atenção individual ao aluno, feita através do acompanhamento da família, de atividades complementares na escola e de ações intersetoriais (troca de informações entre a escola e outras áreas, como a saúde e as varas da infância e adolescência).”

“(…)é preciso agir diretamente na formação do professor, que precisa saber como lidar com uma realidade para a qual não foi preparado nos cursos de pedagogia.”

“Outro exemplo é a questão da merenda. Muitos docentes reclamam que os alunos vêm à escola para comer. Não é fortuito. Segundo dados do IBGE, quase 12% das famílias ouvidas na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) disseram que normalmente a quantidade de alimentos ingerida é insuficiente. "Se eles vêm para comer, essa é uma razão a mais para recebê-los, e não a menos" ”

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De volta….

Depois de uma longa interrupção estamos de volta. O desgaste e a rotina impediram-nos de alimentar este espaço com imaginação, energia e perspicácia. Mas o momento que vivemos torna as desistências proibidas. A troika e os seus representantes portugueses vão contar com toda a nossa oposição principalmente em relação a todas as perigosas ameaças à escola pública. Os tempos são difíceis e exigem a nossa dedicação em prol do ensino para todos/as. Em vez de pôr a escola em crise, é preciso investir na escola para sair da crise. E em vez do enfraquecimento da escola pública queremos dar-lhe mais força, com mais meios pedagógicos  e apoios sociais. Queremos evitar o pior. Como isto: cada vez mais alunos abandonam a escola para ajudar no orçamento familiar.