sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Precisamos mesmo de duas?














Ora vivam companheiros de luta

Gostaria de partilhar convosco o meu ponto de vista sobre a situação criada com a convocatória das duas manifestações.

É inquestionável que os sindicatos têm legitimidade para convocar uma manifestação, tal como os movimentos de professores devidamente legalizados o podem fazer.

Seria quase impossível que os sindicatos aderissem a uma convocatória onde desde a sua génese lhes era hostil.

De resto tive ocasião de expressar a minha opinião de que a luta era contra o Ministério e não contra os sindicatos, como estava era evidente sobretudo nos textos iniciais.

Claro que os sindicatos fundamentam a escolha do dia 8 de Novembro com o calendário negocial o que pode ser verdade, mas todos percebemos que há uma jogada de antecipação, que acaba por retirar sentido à manifestação do dia 15 Novembro.

O ideal seria que os promotores das duas iniciativas se entendesse e convocassem uma única manifestação no mês de Novembro mas isso parece-me improvável.

Se forem mantidas as duas manifestações participarei nas duas mas sei que serão exploradas na comunicação social como resultado da divisão dos professores, os que estão a favor e os que estão contra os sindicatos.

Pessoalmente irei defender no interior do meu sindicato (SPGL) e na reunião sindical na minha escola, no dia 29 de Outubro, que se faça mobilização para o dia 8 de Novembro e se exija à plataforma sindical que seja dada a palavra, com tempo acordado entre as partes, aos promotores da manifestação de 15 de Novembro, pressupondo que haverá desistência dessa manifestação.
Porque diversidade de opiniões pode enriquecer este debate, vejo com agrado a abertura desse espaço de reflexão no nosso Movimento em Defesa da Escola Pública.

Um abraço fraterno
Joaquim Sarmento

3 comentários:

Akelanoj disse...

Não sei se precisamos de duas manifestações, mas sei que precisamos de manifestar a nossa insatisfação ao ME e de avisar os Sindicatos que não aceitaremos que roam a corda de novo. Se calhar, e uma vez que as duas manifestações estão na rua, talvez o melhor seja participarmos nas duas sob esta perspectiva.

Reinaldo Amarante disse...

Em 8 de Março 100 mil professores deram um claro sinal de apoio à Plataforma Sindical. Apesar disso, a assinatura do Memorando de Entendimento foi um autêntico desastre, que desbaratou o capital de força que então se constituiu. Como resultado, temos a confusão que existe nas escolas. Os únicos beneficiados foram os "agraciados" com o Concurso Extraordinário para professores titulares, nos quais se incluem os sindicalistas... Quanto ao problema dos interlocutores para diálogo com a ministra (sei muito bem que os sindicatos DEVIAM ser os parceiros privilegiados), que não hajam muitas ilusões: quando os sindicatos estão em alta, como aconteceu em Março de 2008, a ministra dizia então que "existem outras estruturas que também devem ser ouvidas...", numa clara manobra para minimizar a importância dos sindicatos; quando os mesmos se encontram em baixa (que é o que acontece agora), os sindicatos até conseguem marcar reuniões com a ministra. Eu não nego que os sindicatos são as estruturas que devem representar, neste caso, os professores. Mas também sei que os sindicatos valem aquilo que valem: 30% do total dos professores. Se o espaço dos sindicatos está hoje mais reduzido, a culpa está apenas e só neles próprios. O que vamos fazer a Lisboa dia 15/11? O que fizemos em 8 de Março: levantar a voz, dizer o que não queremos, dizer o que queremos, agitar a opinião pública, mostrar que não somos "...anho de rebanho...". Com sindicatos ou sem sindicatos. Como espíritos livres.

Pomba disse...

Acredito plenamente que duas manifestações só vão contribuir para a desmobilização dos professores; o mais correcto neste momento é, sem dúvida, mostar ao ME que os professores estão cada vez mais unidos e mais fortes, que não podem continuar a fazer de nós "gato sapato"; isso só vamos conseguir se nos unirmos apenas numa manifestação, tentando até, se possível, ultrapassar os 100 000 do dia 8 de Março; Colegas, não podemos abrir caminho a ninguem para nos ridicularizar mais do que já fizeram até aqui; temos de ir todos no dia 8 de Novembro, no respeito pelos sindicatos e pelas associações e movimentos de professores; todos temos o mesmo objectivo: fazer valer os nossos direitos e acabar com esta farsa que é o sistema de avaliação que nos impuseram; em muitas escolas o processo está a parar, louvo a coragem desses colegas; infelizmente na escola onde lecciono, em Faro, as coisas avançam a passos largos, parece até que têm medo que lhes roubem a possibilidade de subir ao "poleiro", de onde poderão olhar para os seus súbditos com escárnio e desprezo...é infelizmente, o que se está a passar em muitas escolas; há sempre quem goste muito do poder e veja neste tipo de avaliação uma hipótese de o atingir de forma prepotente.
Colegas! Vamos unir e não dividir!
Todos a uma única manifestação!
Todos no dia 8 de Novembro!