domingo, 13 de abril de 2008

Entre o entendimento e o desacordo (Sobre o acordo e a reunião de 12 de abril em Leiria)

Estive hoje na reunião de Leiria. O discurso inteligente e a assumida vaidade de Santana Castilho valeram a tarde. Saí da sala quando se me tornou notório que o adversário principal que orientava a mesa eram os sindicatos e só depois as políticas do ministério. Nos entretantos lá foram distribuindo umas fichas para a criação de mais um sindicato - MAIS UM - embora com a distinta designação de associação. 100 mil foi um número repetido e repetido como se cada um dos professores do 8 de Março se tivesse desmultipicado nos seus espelhos e tivesse enchido a praça por si só. Que fique bem claro, o 8 de Março não é propriedade de ninguém a não ser das políticas dos sucessivos ministérios que levaram a escola pública até aqui, mas que se reconheça também, que sem a existência e a liderança das organizações sindicais esse marco histórico nunca teria sido levantado!Muitos pensaram que foram estender um rastilho pela avenida e ficaram à espera que a bomba rebentasse, outros compreenderam que foram os "valteres" deste país que produziram a pólvora e a bomba rebentou ali.Conseguimos muito ali! Um tímido entendimento já deu sinais mas a procissão ainda vai no adro! Só quem só agora acordou para a luta pode querer exigir que a luta se resolva num só dia! É até curioso que, quase sempre, aqueles que mais exigem dos sindicatos, sejam os não sindicalizados e assumidamente anti-sindicais!
(pescado do Sinistra Ministra. Texto integral em http://sinistraministra.blogspot.com/2008/04/entre-o-entendimento-e-o-desacordo.html )

1 comentário:

Maria José Vitorino disse...

Terça-feira, 15, é nas escolas. Até lá, e depois, nos blogs, em toda a parte.
Discutir e afirmar que não olhamos só para o umbigo, e vemos para lá da propaganda. Se possível com professores e pais e outros, que estas coisas não têm consequências só nas carreiras docentes...
A gestão "nova" foi aprovada pelo Presidente da República, os orgãos de gestão eleitos ficarão até se aplicar o novo modelo.
As turmas vão ser aumentadas em número de alunos (24 para o 1º ciclo, 28 para os restantes). Os alunos com necessidades educativas especias perdem direitos, e nós todos também, quando a estes não se criam condições dignas e aos outros, e a todos, se insiste no critério da turma imensa e se desiste de meios para aprendizagem intensa.


Não preciso de mais sindicatos, precisamos de respeito por nós todos.
A Ministra primeiro andou a dizer que os sindicatos não representavam os professores, agora já nem lhe convém insinuar tal coisa.
Os sindicatos de professores uniram-se, coisa antes nunca vista, e foi com cautela que falaram do entendimento e não desmobilizaram o dia 15, mas não conseguem travar a enxurrada de vaidosas declarações do governo nem a caneta do Presidente da República no decreto de gestão.
As associações de pais intervieram, a várias vozes, coisa também antes pouco vista, e movimentaram gente que não é nem nunca foi docente, tomando como suas palavras sobre a escola e os professores, mesmo quando a CONFAP tentou colar-se a variações do Ministério, mesmo quando comentadores tentaram aproveitar a onda mediática para promover velhas receitas "infalíveis" (para eles, claro), como o cheque ensino.

Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas há dias que fazem diferença. 8 de Março e 100.000? Claro, mas também todos os dias que levaram a esse, e foram muitos, e precisaram de muita gente, que não se deixasse empatar pelo acessório na luta pelo essencial.
Assim, toca a manter a cabeça a funcionar e as palavras afiadas, nas escolas e nas ruas e na web e nos jornais.

(post que coloquei no Sinistra a propósito do belo post do Pata Negra)